Nuria
Eu pisquei. Uma. Duas vezes.
"O quê?"
"É que... estão dizendo por aí que você foi parar no hospital porque ele... perdeu o controle. Que você desafiou o Alfa e ele… bom… você sabe como os boatos correm."
Soltei uma risada, baixa e incrédula.
"Stefanos pode até ser maluco, possessivo, controlador… Mas não é sádico. Se fosse o Solon, até dava pra acreditar. Mas ele? Não."
Jenna me olhou como se esperasse uma justificativa melhor.
"Além do mais..." suspirei,
StefanosEu tentava manter distância.Dar a ela espaço. Permitir que se recuperasse sem me sentir como uma sombra constante. Mas era inútil.Meu corpo se virava na direção dela mesmo quando eu não queria.Meus sentidos gritavam pela presença dela mesmo quando a razão pedia distância.Era como se algo invisível me puxasse, me arrastasse... direto até ela.Cruzei o corredor do andar superior com passos pesados. Jenna vinha na direção oposta, com uma bandeja de chá nas mãos e um sorriso contido no rosto."Ela está acordada?", perguntei antes mesmo de pensar."Está", ela respondeu, animada. "Tá um pouco abatida ainda, mas está bem."Assenti e estendi a mão."Deixa que eu levo o chá pra ela."Jenna arqueou uma sobrancelha, claramente interessada."Tem certeza, senhor?
StefanosJohan não disse mais nada.Simplesmente virou as costas e sumiu pelo corredor, como um lobo ferido demais pra continuar latindo.Fiquei ali por alguns segundos, respirando fundo, tentando conter a fúria que ainda pulsava sob minha pele.Mas não era só raiva que queimava dentro de mim.Era ela.Apenas ela.O cheiro estava mais forte agora.Mais quente. Mais doce.Denso o suficiente pra grudar em cada parte do meu ser, me a
NuriaO gosto dele ainda estava nos meus lábios.O cheiro... amadeirado, selvagem, quente... impregnava cada canto daquele quarto, como se os próprios móveis soubessem que ele era meu.Ou melhor... que eu era dele.Ou talvez nenhuma das coisas. Talvez ambas.Eu ainda não conseguia entender como aquele Alfa, bruto e dominante, podia ser o nome escrito na profecia da minha linhagem.Será que a Deusa cometeu um erro?Ou fui eu quem errou, ao deixá-lo chegar tão perto?Stefanos estava ajoelhado entre minha
StefanosSaí do quarto como se estivesse fugindo de mim mesmo.Meus dedos ainda carregavam o cheiro dela. A boca, o gosto. E o corpo... o corpo inteiro gritava pra voltar e terminar o que começamos. Mas não dava.Não quando a porra do mundo decidiu desabar exatamente agora.O corredor estava vazio. Rylan, aquele beta esperto, não estava me esperando. Melhor assim. Se estivesse, teria virado carne moída encostada na parede.Meu lobo ainda estava em fúria. Meu controle? Em frangalhos.Entrei no quarto de hóspedes mais próximo e fui direto pro banheiro. Joguei água fria no rosto, mas não foi o suficiente.Tirei a camisa com um puxão bruto, chutei os sapatos pro canto e abri o chuveiro no máximo. Gelado. Letal.A água caiu como facas sobre minha pele, mas não esfriou o suficiente. Meu pau continuava duro, lateja
NuriaEu estava ficando louca.Completamente fora de mim.Ainda sentia o toque dele na minha pele. Os dedos. A língua. A boca.E o pior? Eu não conseguia me arrepender de absolutamente nada.A cabeça ainda latejava com tudo que tinha acontecido... e meu corpo...Meu corpo estava em um estado que eu nem sabia nomear.Como foi que eu, a mesma loba que quase morreu dias atrás, arranquei a roupa como se estivesse entregando o coração nas mãos de um inimigo? Como foi tão fácil me abrir daquele jeito pra ele
StefanosA tela ainda tremia. Ou talvez fosse só a minha mão fechada em punho, trincando os dedos até estalar os ossos.“Ele quer o quê?”Minha voz saiu baixa.Perigosa.O Alfa Supremo respirou fundo do outro lado da videoconferência, como se escolhesse cada palavra com cuidado pra não se cortar na minha fúria.“Solon está disposto a entregar os nomes dos envolvidos nos sequestros e nos sacrifícios… mas quer uma garantia de boa fé.”Minha mandíbula travou.
NuriaAcordei com o tipo de silêncio que não era paz.Era ausência.O quarto estava quieto demais. Denso demais. Como se o ar segurasse a respiração junto comigo.Não havia passos no corredor. Nem vozes sussurradas. Só o som abafado do meu coração… e o cheiro dele.Aquele maldito cheiro.Estava por toda parte. No travesseiro. No lençol. No meio das cobertas que eu mesma arrumei na noite anterior, tomada por um instinto que nem eu compreendi direito.Tudo intact
StefanosEla é minha. E ninguém toca no que é meu.A pergunta mal saiu dos lábios dela, e meu lobo rosnou alto dentro de mim, como se tivesse levado um golpe direto no coração.Você vai me entregar?Aquilo não foi uma dúvida.Foi uma acusação.Uma maldita faca cravada no peito... girando devagar.Fechei os olhos por um segundo, puxando o ar como se isso fosse o bastante p