Tudo o que aconteceu naquela noite foi demais para absorver de uma só vez. Vasco, um policial experiente, acostumado a lidar com situações complexas, também se sentia sobrecarregado. Ele até pensou em sugerir a Charles que fosse para casa descansar, mas o homem estava determinado, persistindo em colaborar com a investigação até o fim.A situação de Charles, no entanto, era preocupante. A Vila dos Lagos, onde ele morava, agora estava impregnada de uma dor e ódio que ele não conseguia mais suportar. Voltar para lá era impensável. Mas ir para a casa do avô também não parecia uma opção. Charles temia não conseguir controlar suas emoções e acabar desabando na frente do velho homem, o que só traria mais preocupação.Ele ficou parado na porta da delegacia, olhando para o vazio e deixando escapar um sorriso amargo. O presidente do Grupo Marques, com uma fortuna de bilhões, agora não passava de uma alma perdida, sem ter para onde ir. Que ironia... Que tristeza... Que desgraça.— Hoje à noite, v
Naquele momento, pela primeira vez na vida, Charles sentiu um impulso de vaidade. Teve uma vontade súbita de tirar uma foto e mandar para o Benjamin, só para se exibir. Afinal, agora ele estava na casa da Olívia!— Charles, o que você tá olhando tanto? — Olívia perguntou, intrigada, lançando-lhe um olhar desconfiado. — Sabia que seu olhar agora parecia o de um ladrão?— Desculpa. — Ele rapidamente desviou o olhar, percebendo que havia se deixado levar.— Tirando o último quarto à esquerda no segundo andar, você pode escolher qualquer outro pra dormir. Na geladeira tem umas coisas que o Breno deixou. Se quiser comer, vai ter que cozinhar, porque não tem ninguém pra fazer isso por você. — Disse Olívia casualmente, já subindo as escadas.— Por que não posso entrar naquele quarto? — Charles perguntou com ingenuidade.— Porque é o meu quarto. — Olívia parou de repente e olhou para ele por cima do ombro, com um sorriso meio enigmático. — Mas relaxa, não tenho segredos obscuros nem estou pres
— Vou subir.Disse isso, mas, de repente, sentiu um peso nas costas, seu corpo sendo puxado violentamente para frente.Charles a abraçou por trás com tanta força que parecia querer fundir seus corpos em um só. O peito forte e quente dele pressionava suas costas magras, e as batidas descontroladas do coração dele pareciam ecoar no corpo dela, deixando-a tonta, com uma sensação de fraqueza que se espalhava por todo o seu ser.— Charles... — Olívia arfou, chamando o nome dele com a voz embargada. Era claro que ela estava relutante, mas, dessa vez, não ofereceu resistência.— Como você pode dizer que não foi nada... Não permito que fale assim. — Charles apertou ainda mais o abraço, seus braços envolvendo a cintura frágil dela, enquanto sua respiração quente deslizava pelo pescoço pálido e levemente rosado dela. — Vinte anos atrás, eu perdi a pessoa mais importante da minha vida. Vinte anos depois, encontrei a única pessoa que importa para mim. E agora, eu não posso te perder de novo. Você
— Tá tudo bem, é só um corte pequeno, não precisa se preocupar... Ah!Antes que pudesse terminar a frase, Olívia sentiu o mundo girar quando Charles a ergueu nos braços, pegando-a de surpresa. Instintivamente, ela pressionou as mãos contra o peito dele, tentando se equilibrar.— Vou te levar pro quarto. Tem um kit de primeiros socorros em casa, certo? Eu faço um curativo novo pra você. — Charles disse, com os olhos brilhando de determinação, enquanto subia as escadas com passos firmes.— Não precisa de você! Eu sou cirurgiã, sei me virar sozinha! — Olívia fechou os punhos delicados e, envergonhada, deu um soco fraco no peito dele. No entanto, foi tão leve que parecia mais um carinho do que um protesto. — E além disso, machuquei o braço, não a perna! Você me carregar não faz nenhum sentido! Eu posso andar!— Eu sei, mas eu quero te carregar. — Charles respondeu, com a voz rouca e os olhos profundos, falando sem pensar.Olívia sentiu o peito dele contra suas mãos, os batimentos cardíacos
Aquele tapa, na verdade, foi leve. Comparado com o que já tinha levado, Charles podia até interpretar como uma carícia no rosto. Ele não conseguiu segurar um sorriso.Caramba! Ele estava sorrindo? Esse cara está ficando cada vez mais descarado!— Vo-você... Por que está tirando minha roupa? — Olívia cruzou os braços sobre o peito, sem perceber que seu rosto estava completamente vermelho.Charles a olhou profundamente, seus olhos cheios de um carinho profundo.— Vou cuidar do seu ferimento.Que desculpa mais conveniente. Esse cara, cada vez mais sem vergonha!— Você... Você podia ter esperado lá fora enquanto eu colocava algo mais apropriado! Ou então, podia ter cortado minha manga com uma tesoura... Por que, de todas as opções, escolheu justamente tirar minha roupa? — Olívia estava indignada, seu rosto corado e os olhos brilhando de raiva. Seu peito subia e descia com a respiração acelerada, tingido de um rubor que deixava qualquer um sem fôlego. — Você é o maior descarado que eu já vi
Ele desejava devorá-la inteira, pedaço por pedaço, transformá-la em parte de seu próprio corpo, para que ela nunca mais pudesse fugir.— Charles... Mmm... — Olívia murmurava, a voz abafada, enquanto inclinava o queixo, completamente à mercê do homem, que a dominava por completo.Seus olhos brilhavam, cheios de lágrimas. Ela mesma não sabia se chorava de frustração ou se já havia perdido a noção de tudo, afundada no turbilhão de sensações que ele provocava. Mas Charles não estava nem perto de deixá-la ir. Aquela noite, estava destinado a ser longa, uma noite sem descanso.Com uma habilidade surpreendente, ele evitava tocar o ferimento dela. A mão esquerda deslizava pelas costas de Olívia, removendo o último pedaço de tecido que a cobria... E, com isso, destruindo a última barreira psicológica que ela tinha. Seu corpo cedeu por completo, tornando-se uma massa trêmula de sensibilidade sob ele.— Vivia... Desta vez, eu serei gentil. Deixa comigo... Tudo bem?Os olhos de Olívia se fecharam
Uma nuvem de vapor subiu da frigideira, e Charles limpou o suor que escorria por seu rosto com a mão, soltando um suspiro frustrado:— Queimou de novo.Foi só então que Olívia notou a pilha de ovos queimados no lixo, que já passava do topo.— Hahaha! Idiota, você colocou o fogo muito alto. O óleo esquentou demais! Desse jeito, nem um galinheiro inteiro daria conta de tantos ovos que você está desperdiçando.O coração de Charles deu um salto, e ele se virou rapidamente, encontrando os olhos dela, que brilhavam como os de um felino travesso.— Eu... Te acordei? — Ele perguntou, claramente nervoso.— Não, meu relógio biológico me acordou. Não tenho o hábito de dormir até tarde. — Respondeu Olívia, apontando para o lixo e fazendo uma piadinha. — Ainda bem que o Breno não viu isso. Ele odeia desperdício de comida. Provavelmente, te obrigaria a pegar tudo do lixo e comer.— Quando eu estava no exército, não desperdiçávamos nada. Comer do lixo não seria problema. — Respondeu Charles com uma s
Charles não deu muita atenção ao comentário. Naquele momento, sua cabeça estava cheia de culpa e preocupação pelo fato de ela ser alérgica à fumaça.— Esquece. Vou ligar para o Dante e pedir para ele trazer alguma coisa para comer. Ou, quem sabe, ele pode vir aqui e preparar algo. A comida dele não é tão boa quanto a do Breno, mas vai servir.Foi então que Charles notou que Olívia estava descalça, com seus pés pequenos e pálidos expostos ao frio do piso de cerâmica. Ele franziu o cenho e, sem pensar duas vezes, passou o braço em volta da cintura fina dela, levantando-a com facilidade.— Ah... O que você está fazendo? — Olívia exclamou, agarrando-se rapidamente aos ombros largos dele.— Como você pode ser tão descuidada? O chão está gelado. Por que está andando descalça?Charles a colocou suavemente sentada sobre a mesa, se ajoelhando diante dela. Com cuidado, pegou cada um dos pés dela nas mãos, aquecendo-os com seu toque.Era tão quente... O calor que ela conhecia tão bem.Olívia fech