Capítulo 0003
Sim.

Sorrio amargamente por dentro.

Olhei para meu corpo, já sem vida, e para barriga que quase não tinha nenhum relevo visível.

Eu soube da notícia sobre esse bebê vários dias antes.

Naquele momento, fui contar para Rodrigo, cheia de alegria, mas ele não teve a reação que eu imaginava.

Logo depois que terminei de dar a notícia, o rosto dele escureceu, e a expressão dele mudou completamente.

Rodrigo me gritou:

— Eu não te disse para tomar cuidado com os métodos de prevenção? Você ignorou o que eu falei? Quem foi que te autorizou a engravidar do meu filho?!

A expressão dele era de tanto desprezo e raiva que parecia que ele tinha cravado uma faca no meu coração.

Depois de tanto tempo casada com ele, essa foi a primeira vez que vi ele perder tanto o controle.

Fiquei paralisada. Então, ele pareceu perceber o que havia dito.

Ele suavizou o olhar e, com a voz mais calma, disse:

— Joana... o que eu quero dizer é... eu ainda não estou pronto para ter filhos…

Uma sensação de insegurança se apoderou de mim, mas, ao ouvir isso, não tive coragem de perguntar mais nada.

Agora, pensando bem, ele me despreza, e pensa que sou a culpada pelo sofrimento de Mónica.

Como ele poderia estar feliz com a chegada desse bebê?

Quando ele fez tanto para me tratar do câncer, eu achava que estava recebendo amor verdadeiro em troca.

Mas agora percebo que...

Se o meu rim não fosse compatível com o de Mónica, se ele não sentisse que eu precisava “pagar” por ela.

Talvez eu já tivesse morrido há um ano.

Eu olhei sem poder fazer nada enquanto minha mãe parecia envelhecer de um dia para o outro, sozinha, lidando com os meus assuntos depois da minha morte.

Após a minha morte, ela parecia ter envelhecido muito.

O dia em que ela tratou de tudo foi um dia cinzento.

Quando ela saiu, encontrou Mónica, que estava em coma mais de um ano.

Comparado com antes, a aparência dela estava até melhor.

Minha mãe estava tentando entrar em contato com Rodrigo para pegar minhas coisas, só para levar algo meu e se lembrar de mim.

Ao ver Mónica, minha mãe correu até ela, ansiosa, e disse, com alguma hesitação:

— Sra... Sra. Mendes... Você se lembra de mim? Eu sou a mãe de Joana…

Ao ver quem era, a expressão de Mónica ficou cheia de desgosto e ela respondeu com rispidez:

— Quem é? Sabe com quem está falando? Você acha que qualquer um pode chegar aqui e eu vou reconhecer?

Minha mãe, visivelmente desconfortável, abaixou a cabeça e pediu:

— Sra. Mendes, por favor... Você consegue convencer Sr. Costa, não é? Pode falar com ele por mim... Eu só quero pegar as coisas de Joana...

— Só... só porque a Joana te doou o rim...

Mónica, ao ouvir isso, soltou uma risada irônica e disse:

— E daí? Isso é algo que ela me devia!

As palavras mal saíram da boca dela, e ela empurrou minha mãe com força, a fazendo cair para frente.

Com um estrondo, minha mãe caiu pesadamente no chão, e a caixa de cinzas que ela segurava também escorregou de suas mãos.

Ela ficou com os olhos cheios de raiva, tentando alcançar a caixa de cinzas.

Mónica, porém, percebeu imediatamente o que era e, ao ver que minha mãe estava prestes a pegar o certificado de óbito, pisou com força na mão dela.

— Ahhh!

O grito de dor de minha mãe ecoou. Eu, cheia de agitação, tentei empurrar Mónica. Mas, a cada tentativa, passava através do corpo dela.

A expressão de Mónica se tornou ainda mais cruel, e ela começou a pressionar ainda mais, até que o calcanhar dela perfurou a pele de minha mãe, fazendo sangue jorrar.

Minha mãe, com suor frio escorrendo pelo rosto, resistiu e, com a voz trêmula, disse:

— Não... não toque na minha Joana...

De repente, Mónica pareceu perceber algo.

Ela soltou a perna e tropeçou, caindo no chão, chorando desconsolada:

— Senhora, eu sei que você não está feliz com Joana me doando seu rim, mas eu estou tão fraca... Não me faça isso...

Antes que ela terminasse a frase, Rodrigo empurrou minha mãe com força e a fez bater contra uma barra de metal que estava perto.

A barra perfurou o braço dela, e sangue jorrou violentamente.

A dor no meu coração era insuportável, e o peso no meu peito me fazia sentir como se estivesse prestes a sufocar.

Olhei, tremendo, para esse homem que amei por tanto tempo.

Como ele pôde ser tão cruel com minha mãe?

Minha mãe, pálida, não conseguiu dizer uma palavra, mas tentou puxar o braço, rastejando em direção ao caixão.

Rodrigo, com uma expressão de preocupação, puxou Mónica e disse com voz suave:

— Mónica, você está bem?

Nos olhos dele, a preocupação era clara.

Fiquei um pouco surpresa, sentindo uma dor no coração. Às vezes, reclamava para ele, dizendo que ele não entendia os detalhes, não sabia se preocupar comigo.

Eu achava que ele não sabia como demonstrar carinho.

Agora vejo que, na verdade, eu nunca fui a pessoa que ele se importou em cuidar.

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