Capítulo 0002
Três anos atrás, fui escalar a montanha com Mónica.

Quando chegamos ao pico, uma enchente repentina nos pegou de surpresa e logo fomos submersas pela água.

No momento de perigo, vimos um bote salva-vidas passando e começamos a gritar por socorro.

O salva-vidas me puxou primeiro e me colocou no bote.

Quando tentei puxar Mónica para embarcar, ela, que estava segurando um poste com força, de repente soltou a mão.

Naquele momento, a vi sendo completamente submersa pela água.

Quando finalmente a encontrei, ela já estava em coma devido à infeção causada pela ingestão de água suja, o que levou à falência renal.

Quando voltamos, tentei explicar para todos o que aconteceu. Com a prova de salva-vidas, achei que todos teriam acreditado em mim.

Mas, na verdade, desde o início, Rodrigo acreditava que eu era a responsável pelo que aconteceu com Mónica.

Não é à toa que, depois disso, ele passou a ser gentil e atencioso comigo.

Eu pensava que ele realmente tinha se apaixonado por mim.

Agora, percebo logo que, desde o começo, a razão pela qual Rodrigo continuou se aproximando de mim não era por amor.

Me lembro da nossa noite de núpcias, quando ele olhou para mim com um ar complexo.

— Joana, se algum dia eu precisar de um órgão seu ou algo assim... você me daria?

Naquela época, eu estava completamente imersa na alegria de me casar com pessoa que amava e não percebi o tom de teste e a estranheza em sua voz.

— Claro, por você, eu faria qualquer coisa.

Ao ouvir minha resposta, Rodrigo sorriu aliviado, e seus olhos brilharam com um cálculo que eu não percebi na hora.

— Está bem... desde que você queira.

Esse casamento, desde o início, era uma grande farsa.

...

Eu morri.

Rodrigo havia descoberto, três anos atrás, que meu rim seria perfeitamente compatível com o da Mónica.

Para salvar sua amada, ele foi meticuloso e calculista, dando cada passo com grande esforço.

Após a cirurgia, minhas funções vitais começaram a falhar gradualmente.

Quando fui levada para sala de emergência, minha mãe ligou para Rodrigo, chorando, com sua voz tremida:

— Pre... Presidente Costa, Joana está quase indo embora... por favor, venha ver ela...

Ao ouvir isso, Rodrigo franziu a testa com nojo:

— Chega, Maria! Eu ainda estou atendendo sua ligação por respeito à sua idade. Se você continuar com essa encenação de Joana na minha frente, não me responsabilizo pelas consequências!

— Você acha que eu não sei que ela não vai morrer? Mesmo que morra, foi o que ela mereceu! Ela é culpada por tudo!

Ele desligou bruscamente.

Minha mãe, em prantos, tentou ligar novamente, mas a voz fria da operadora respondeu:

— O número que você está chamando está em outra conversa...

No segundo seguinte, meu corpo foi retirado pela equipe de enfermagem.

Minha mãe, pálida e sem saber o que fazer, olhou para o meu corpo.

Ela então soltou um soluço e se jogou sobre meu corpo, chorando profundamente:

— Joana... como você pode ser tão tola...

— Ele nunca... nunca te amou... coitada de você, que até carregou um filho por ele...

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