Ele realmente fez o que disse que faria. Túlio veio por conta própria ou foi Karina quem o chamou? Ao considerar essa segunda possibilidade, Ademir sentiu uma dor profunda no peito. Karina estava se sentindo mal, chamou Túlio, mas não disse nada ao Ademir? Ademir lançou um olhar gélido para ele: — Sr. Martins, a essa hora da noite, parado diante do quarto da minha esposa... Isso lhe parece apropriado? Túlio soltou um riso frio. Ele podia ver claramente que havia algo errado entre Karina e Ademir. Se o casamento deles estivesse bem, Karina jamais teria recorrido ao Túlio nesse momento! Erguendo levemente as sobrancelhas, ele provocou de propósito: — Não sei se é apropriado ou não. A Karina me chamou. Disse que estava se sentindo mal e precisava de cuidados. Ao ouvir isso, o olhar de Ademir se tornou ainda mais gélido. Então era verdade. Karina realmente havia chamado Túlio para vir até ali! Ele estreitou os olhos, neles, havia um brilho afiado como lâminas. — T
A voz dela também estava suave: — Eu acabei de tirar e deitei direto, não coloquei meias novas. Assim que terminou de falar, a mão do homem pousou na testa de Karina. Estava fria, mas muito confortável. Karina não conseguiu evitar e estreitou levemente os olhos. Ademir notou esse pequeno gesto, e aquilo lhe causou uma sensação inquietante. Seu coração coçava, e sua garganta também. Sem perceber, seu tom de voz ficou mais suave: — O médico chegou. Deixe ele dar uma olhada. Ele se virou para chamar o médico: — Venha. — Sim, Sr. Ademir. — O médico se aproximou e examinou Karina. — Ela pegou um resfriado, mas a febre não está alta. Como está grávida, é melhor evitar medicamentos. Pegou um frasco de álcool da maleta: — Passe no corpo dela e tente baixar a temperatura de outras formas. Além disso, use duas bolsas de gelo, uma na testa e outra sob as axilas. Isso deve ajudar. Se não resolver, aí sim recorremos ao antitérmico. Só isso? Ademir não estava convencido:
Fechando a porta, a testa de Ademir estava coberta de suor, e as veias em suas têmporas pulsavam sem parar. Só de pensar na cena de Karina nos braços de Túlio, Ademir sentia que ia explodir! — Ademir, você realmente não vale nada! Ele xingou a si mesmo em voz baixa. Karina estava doente, e ainda assim ele só conseguia pensar em fazê-la sua! Meia hora depois, Ademir saiu do banheiro. Os itens que ele pediu ao hotel já haviam sido entregues: uma bolsa de gelo e chá de gengibre. Com delicadeza, ele colocou a bolsa de gelo sobre a testa de Karina, pegou a xícara de chá e, com um canudo começou a dar para ela aos poucos. Doente, Karina estava muito obediente. Quando ele pedia que ela bebesse água, ela bebia. Até mesmo quando ele usava álcool para limpar sua pele, ela cooperava sem resistência. Mas, no fim, quem acabou se desgastando foi Ademir. No entanto, seus cuidados surtiram efeito. Na segunda metade da noite, Karina já não parecia tão desconfortável. Encostada no tr
— Não é tão exagerado assim! — Karina riu com a forma como ele falou. — Eu realmente estou bem agora, só um pouquinho fraca... — Karina. — A voz de Ademir, de repente, ficou muito séria. — Não estou brincando com você, nem estou pedindo a sua opinião. O olhar de Ademir pousou em sua barriga: — Você não se preocupa consigo mesma, nem com o bebê? Ao ouvir a menção do bebê, Karina hesitou: — Mas eu... Era o trabalho dela, e Karina não tinha escolha. Ademir suspirou, sem alternativa, e ergueu a mão para afagar a cabeça dela: — Espere, eu vou resolver isso. Não era algo difícil de lidar. Sem demora, Ademir ligou para Felipe e explicou a situação. — Dr. Felipe, desculpe, foi minha culpa por não ter cuidado bem dela. A Karina não está nada bem, sinto muito pelo transtorno... Certo, obrigado... Do outro lado da linha, não se sabia exatamente o que Felipe disse. Karina permaneceu em silêncio, de boca cerrada, apenas esperando. — Certo, Dr. Felipe, até logo. A ligaç
Karina ainda não tinha reagido. Ofegante, ela ergueu o rosto para olhar Ademir, os olhos tomados pelo medo. Não conseguia nem imaginar o que teria acontecido se tivesse caído. — Se assustou? — A voz de Ademir carregava um misto de culpa e carinho. Na verdade, ele também tinha se assustado. Com o queixo apoiado na cabeça de Karina, ele murmurou baixinho: — Desculpa, foi erro meu. Mesmo que Karina tivesse recusado, Ademir deveria ter tido discernimento. Numa situação dessas, como pôde simplesmente seguir a vontade dela? Após refletir por um instante, ele estendeu os braços e, sem mais hesitação, a pegou no colo. A súbita sensação de estar suspensa no ar fez Karina soltar um grito, e, por reflexo, ela agarrou o pescoço de Ademir. Como um gatinho preguiçoso, se aconchegou obedientemente nos braços dele. O coração de Ademir se aqueceu. — Vou te levar até o carro. É rapidinho. Ao dizer isso, sentiu um leve arrependimento. Não deveria ter permitido que estacionassem
Quando estavam quase chegando à Rua de Francisco Antônio, Karina acordou. — Já chegamos? — Quase. — Ademir ficou um pouco decepcionado. Como ela conseguiu dormir tão pouco tempo? — Descansa mais um pouco, eu te chamo quando chegarmos. — Não, não vou dormir mais. — Karina balançou a cabeça, pegou o celular e ligou para Patrícia. — Patrícia, sou eu... Sim, voltei. Me espera na esquina, pode ser? Está nevando, tenho medo de escorregar... Tá bom. Ademir, ao lado, ouviu a conversa e seu olhar foi escurecendo pouco a pouco. Ainda nem tinham chegado, e Karina já havia se organizado. Ela claramente não queria que Ademir a acompanhasse. Assim que dobraram a esquina, chegaram à Rua de Francisco Antônio. — Pode parar ali mesmo. — Karina se virou para Ademir e lhe sorriu. — Obrigada. A Patrícia veio me buscar, eu vou descer agora. — Tá bom. — Ademir engoliu seco, mas sentiu um amargor na boca. Do outro lado da rua, Patrícia, vestida com um casaco vermelho vibrante, correu animada
Ademir ficou chocado, sua mente ficou em branco no mesmo instante. — Avô, o que está dizendo? Otávio soltou um riso frio, lançando um olhar gélido para o neto. — O que estou dizendo... Você realmente não entende? — Avô... — Ademir, eu estou doente, mas não morto! — A voz de Otávio subitamente se aprofundou, carregada de frustração. — Você está se envolvendo com aquela estrelinha de novo, está ou não está? — Avô, eu... — Ademir tentou se explicar. — A Vitória, ela está ferida... — Não precisa dizer mais nada. — Otávio acenou a mão, demonstrando impaciência. — Eu já sei de tudo que você quer falar. Não adianta negar. Você acha que eu não sei que está vivendo separado da Karina? E tudo por causa daquela pequena celebridade, não é? Ainda teve a audácia de acusar a Karina, difamá-la dizendo que estava com outro homem! Enquanto falava, seus olhos envelhecidos pousaram sobre Karina. Havia carinho e culpa em seu olhar quando disse: — Karina, fui injusto com você. — Não...
— Vovô, eu volto para ver o senhor na próxima vez. — Certo, minha boa menina. Karina não olhou para Ademir e se virou para sair. — Karina... — Volte aqui! — Ademir quis ir atrás dela, mas Otávio o impediu. — Quer correr atrás dela para quê? Que direito você tem de perseguir a Karina? — Vovô... — A mente de Ademir estava um caos, assim como seu coração. Ele nem sequer havia decidido qual deveria ser seu próximo passo, mas não esperava que seu avô dissesse algo assim, tão de repente! — Deixe isso para lá. — Otávio parecia muito cansado. Olhou para o neto e disse. — Pense em você mesmo. Você quer que seu filho cresça e odeie o próprio pai, assim como você? O coração de Ademir acelerou de repente, e todo o seu corpo ficou rígido. Assim como ele... Otávio sabia que essas palavras seriam um golpe forte para o neto. Mas não podia deixar de dizer: — Eu só tenho um pedido. Você pode ficar com aquela estrelinha de cinema, não tenho como impedir vocês, e não vou mais me me