Amor sombrio
Amor sombrio
Por: Isabele
Prólogo

Pov's Annabelle.

Nova York.

Cabana 

20 horas 30 minutos, Sábado.

Richard é um psicopata, não sente emoção. Quando o conheci foi num hospício, estávamos naquele lugar nojento, éramos excluídos da sociedade. Fomos considerados pelos psiquiátricos incapazes de sentirmos afeto.

Quando a Mel nasceu, foi bem difícil... não tinha vínculo nenhum com a menina, cuidava dela igual um brinquedo. Choro dela me irritava, surtava muitas vezes em fazê-la parar de chorar.

Tinha medo em um dos meus surtos, eu acaba a machucando, porque meu psicológico sempre foi muito fodido.

— Pra onde vai?

— Não é da sua conta.

Richard me barra, pondo-se na minha frente. Reviro olhos. 

— Vai continuar me ignorando, Annabelle?

— O que você acha?— dou de ombros.

— Caralho, já expliquei que não foi culpa minha, acredita em mim.

Suspiro fundo, ouvindo sua ladinha.

— Ah é? Vou fingir que acredito!

– É sério, Annabelle, acha mesmo que vou aturar outro bebê nesta porra?— seu tom se altera.— Já basta a pestinha.

— Não te dou o direito de falar assim da Mel. Deixa de implicância com a menina, seu louco.— o repreendo, e seus olhos ficam indignados.

— Eu amo a pestinha.

— Deixa de mentira, Richard, você não ama ninguém. Mel sente medo e nojo de você.— cuspo as palavras, fazendo-o ficar incomodado.

— É culpa sua, caralho! Você que vive enfiando merda na cabeça da menina. — me acusa.

— Até parece que ela não sabe dos seus crimes!

— Nossos crimes.— ele me corrige.— Você também é cúmplice, Annabelle, não se esqueça disso. 

Começo a rir da sua cara, por soar como uma piada. 

— Quem é o manipulador aqui é você, Richard. Se um dia a polícia bater aqui, direi que sou uma pobre vítima a mercê de um psicopata.— ensaio o discurso.— Ainda direi que fui forçada a fazer coisas absurdas, contra a minha vontade.— finjo uma cara de choro, ao dramatizar. 

— Como você consegue ser tão descarada?— ele me encara totalmente abismado, enquanto gargalho alto. 

— Sou pior do que você, lindo.—encho a boca.— Então da próxima vez não me ameaça. Se eu quiser ter o bebê, eu vou ter e você não vai me impedir. Quem manda em tudo aqui sou!— aponto.— Não se esqueça que fui que matei o antigo proprietário desta cabana.

— Você é louca, Annabelle!— seu tom ressalta. 

Logo preencho o ambiente com a minha risada estridente.

— Não tão louca, como você.

Richard sai, revoltado, após. Com certeza vai matar alguém, ele sempre fica fora de si quando discutíamos. 

Avisto Mel com a carinha de sono, vestida com seu pijama e um ursinho de pelúcia nas mãos. Ela coça os olhinhos, toda manhosa.

— Mamãe, vocês estavam brigando de novo?— sua voz infantil soa, contendo um bico em seus lábios.

— Que nada, filha! Seu pai estava comentando que vai comprar uma bicicleta bem linda pra você, princesa.— minto, forçando simpatia. — E vai queimar aquela bicicleta horrorosa que velha que te deu.

— Mas eu não quero queimar o presente que ganhei da minha avó. 

Bufo baixinho, incomodada.

– Que vó, Mel? A velha é uma pilantra, eu vi quando ela te deixou aqui, nem me cumprimentou direito, foi super mal-educada. Ontem quando ligou para mim, parecia outra pessoa. Tudo é culpa do Richard, que permitiu que você dormisse na casa dos outros.

Faço a cabeça da minha garotinha, que  murcha completamente. 

— Mas eu gostei, lá tem uma cama super confortável.— a olho de canto de olho.— Tenho um quarto só para mim.

— Você prefere a casa da velha, do que aqui?— a pergunto, me sentindo trocada— Responde, Melissa! 

— Não mamãe, não é isso. Gosto daqui, mas só tem mato.

— Pessoas como nós, Melissa, devemos está em lugares como esse, isolados de tudo e de todos. Você não se sente feliz morando na floresta?

Ela faz uma careta de medo da minha reação, balançando a cabeça em negação. 

Suspiro muito fundo.

— Pois então arruma tuas coisas, vou  mandar Richard te levar para morar com a velha.

Meus olhos ficam tão vazios quando pronuncio. Fecho a mão em punho, querendo socar a parede várias vezes, ao me sentir tão impotente em não dar uma vida perfeita a ela.

— Não mamãe, não quelo ficar sem você.— rapidamente se agarra a mim. — Te amo.

Travo ao ouvir a frase, ficando sem reação, ao não corresponder o abraço. 

No fundo, espio Richard observando nos duas do lado de fora da cabana, com o cigarro na mão. Seu olhar obscuro percorre em direção à mim, sentindo inveja ao não fazer parte do momento.

Desvio à atenção, olhando pro rostinho sapeca da minha criança que sorri tão inocente.

— A mamãe tem uma novidade para contar...— faço um ar de suspense, enquanto sorríamos uma para outra.

— E o quê é?

A curiosidade soa em sua voz infantil, que Mel não consegue conter o entusiasmo. Seus olhinhos chegam a brilhar. 

Embora possa parecer estranho, acabo ficando toda boba com seu jeitinho sapeca. Daí ponho sua mãozinha sobre a minha barriga e falo:

— Estou grávida!

— Grávida mamãe? Oh meu Deussss, eu vou ganhar um irmãzinho. 

— Ou irmãozinha.— declaro, sorrindo.

É bem na hora que o outro adentra, com a cara fechada. Logo desfaço o sorriso, com o clima pesado que se forma. 

— Não vai comemorar com a gente, Richard?— o provoco.

Daí ele vira a cabeça, incrédulo.

— A mamãe vai ter outro bebê, papai.— Mel fala, toda feliz. — Agora seremos uma família de quatro.

Ele entreolha para mim, como se fosse uma coisa absurda o comentário. E no fundo devo concordar. 

O que serão dessas crianças, quando nos cansarmos delas? 

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