O amanhecer trouxe consigo uma nova alvorada, mais suave e cheia de promessas do que todas as que haviam precedido. O campo onde antes havia repousado a Árvore do Véu agora estava vazio, mas seu espírito permanecia impregnado na brisa que percorria a terra. A energia que emanava do local ainda estava viva, vibrando com uma força renovada, como se a própria terra estivesse respirando, renovada pela escolha feita.Kael, Lira e Elias estavam em silêncio, mas não havia tristeza em seus corações. O sacrifício de Celina havia transformado a paisagem e, com ela, o destino de todos. Eles sabiam que a luz de Celina continuaria a brilhar, não como uma chama efêmera, mas como uma estrela em um novo céu, eternamente conectada ao Véu.Lira, com o olhar distante, foi a primeira a falar.— Eu a sinto... Não fisicamente, mas na brisa, no movimento das folhas. Ela se tornou parte de tudo. O Véu não a perdeu, apenas a incorporou, como ele sempre faz com todos que se entregam ao seu propósito.Kael asse
Os ventos continuaram a soprar com mais intensidade, mas agora, em vez de trazerem o peso de uma tragédia, como nas jornadas passadas, eles pareciam carregar algo mais. Algo novo. Algo que não podia ser entendido completamente, mas que estava prestes a ser revelado. O Véu, agora restaurado, ressoava em um ritmo mais suave, mas a sua energia era palpável, como uma pulsação em todo o cosmos. A paz, embora presente, ainda estava sendo forjada, como uma obra que precisava de tempo para ser apreciada.Kael, Lira e Elias haviam seguido até um lugar onde o Véu se tornava visível, uma luz dourada que envolvia tudo ao seu redor. Era como se a própria essência da criação estivesse ao seu redor, e cada movimento deles alterasse o tecido do que os cercava. Ali, onde o Véu se tornava tangível, uma presença aguardava. Mas não era uma presença familiar.Quando chegaram, encontraram uma figura de costas, envolta em um manto escuro, quase como uma sombra que não se integrava à luz ao seu redor. O ar p
O desafio havia sido lançado. O Véu, agora mais do que nunca, tornara-se um reflexo profundo do que havia dentro de cada um deles. O Guardião das Sombras, com sua presença enigmática, os havia empurrado para um caminho que não era mais apenas sobre o equilíbrio entre mundos, mas sobre o equilíbrio interior. A verdadeira batalha que enfrentariam não seria contra forças externas, mas contra suas próprias sombras.Kael sentiu a pressão em seu peito. As sombras que surgiam diante dele não eram mais aquelas que ele via no exterior, mas aquelas que ele sempre tentara esconder de si mesmo. Medos antigos, falhas que ele não aceitava, e inseguranças que o acompanhavam desde sua infância começaram a se materializar diante de seus olhos. Ele viu a si mesmo falhando onde mais desejava triunfar. Sentiu o peso de suas decisões erradas, e por um momento, pensou que não seria capaz de seguir em frente.Lira, por outro lado, estava sendo confrontada com o oposto. As sombras dentro dela não eram falhas
O tempo parecia suspenso, como se o próprio universo tivesse parado para observar o que acabara de acontecer. Kael, Lira e Elias estavam em silêncio, absorvendo as revelações que o confronto com suas próprias sombras havia lhes trazido. O Véu brilhava ao redor deles, pulsando com uma intensidade nova, como se agora refletisse não apenas a essência dos mundos, mas também a transformação que ocorrera dentro de cada um deles.Kael, ainda ofegante, olhou para o chão como se tentasse organizar os pensamentos. Ele sentia o peso das decisões erradas que havia tomado, mas, ao mesmo tempo, percebia que esses erros não eram o fim de sua jornada, e sim o início de um aprendizado profundo.— Isso foi... — começou ele, mas as palavras fugiram. Ele passou a mão pelos cabelos úmidos de suor e suspirou. — Isso foi mais difícil do que qualquer batalha que já enfrentei.Lira assentiu, ainda fitando o Véu com olhos que pareciam diferentes agora: menos rígidos, mais abertos.— Porque a luta não foi contr
O crepúsculo envolvia o vilarejo em uma tonalidade dourada, tingida por sombras que dançavam suavemente ao sabor do vento. Ísis observava o horizonte, o olhar perdido nas cores que se mesclavam como um quadro vivo. Ela sabia que algo estava mudando; era um pressentimento tão forte que parecia vibrar no ar ao seu redor.Ao seu lado, Celina ajeitava cuidadosamente os ornamentos de pedra em volta do pequeno altar central. As duas haviam passado os últimos dias em uma rotina silenciosa, mas carregada de expectativa. Desde o ritual do Conclave das Constelações, o Véu parecia estar mais presente, como se suas energias envolvessem cada detalhe do vilarejo.— Você sente isso? — perguntou Ísis, quebrando o silêncio.Celina ergueu o olhar, franzindo a testa.— Sinto. É como... uma pulsação. Como se o Véu estivesse chamando por nós.Antes que Ísis pudesse responder, um som estranho cortou o ar. Era um sussurro, mas também um canto, vindo de uma direção que elas não conseguiam identificar. As dua
O céu parecia ter se transformado em um vasto oceano de luzes e sombras, onde constelações antigas dançavam em um ritmo desconhecido. Ísis e Celina caminhavam em silêncio, os passos guiados pela energia do Núcleo, que pulsava como um coração em suas mãos. Cada vez mais, sentiam que estavam se aproximando de algo grandioso, mas também perigoso.— Você sente isso? — perguntou Celina, quebrando o silêncio.— Sim, é como se o ar estivesse mais denso — respondeu Ísis, apertando o Núcleo contra o peito. — Acho que estamos perto do portal.A paisagem ao redor delas havia mudado. Árvores imensas, com folhas brilhando como estrelas, formavam um caminho que parecia vivo. O chão sob seus pés cintilava como cristal, emitindo um som suave a cada passo.De repente, o caminho abriu-se em uma vasta planície, onde uma estrutura monumental se erguia no horizonte. Era o portal. Sua forma era ao mesmo tempo etérea e imponente, como se fosse feito de uma substância que desafiava a lógica. Arcos entrelaçad
O mundo além do portal era ao mesmo tempo deslumbrante e avassalador. Ísis e Celina sentiram uma onda de energia atravessá-las, como se suas almas fossem temporariamente arrancadas de seus corpos e depois devolvidas com uma nova força.O céu acima não era céu — era um vasto campo de estrelas interligadas por filamentos de luz dourada, pulsando como sinapses de um cérebro cósmico. O chão sob seus pés era feito de uma substância translúcida que refletia o que havia acima, dando a sensação de que estavam caminhando dentro de uma galáxia viva.— Este é o Coração do Véu — disse Ísis, mal conseguindo conter o assombro em sua voz. — Eu consigo sentir… tudo.Celina assentiu, os olhos brilhando enquanto olhava ao redor.— É aqui que tudo se conecta. Todas as escolhas, todas as realidades. O Véu é a ponte entre os mundos.Enquanto avançavam, o Núcleo começou a brilhar intensamente, como se estivesse sendo ativado pela energia do lugar. Linhas de luz começaram a emergir do objeto, espalhando-se
O sol nascente tingia o céu com tons de dourado e rosa, refletindo a promessa de um novo início. O vilarejo, outrora silencioso e em ruínas devido às tensões causadas pela instabilidade do Véu, agora vibrava com uma energia que parecia tocar cada grão de areia, cada folha e cada coração. A partida de Ísis e Celina havia deixado marcas profundas, mas também um legado que ecoava em cada canto do lugar.Elias estava na praça central, sentado próximo ao grande altar que fora construído em honra às duas guardiãs. Ele mantinha os olhos fechados, sentindo a pulsação do Véu que agora fluía livremente ao redor. Era um ritmo constante, um pulsar que conectava não apenas os habitantes do vilarejo, mas também os mundos além do que os olhos podiam ver.Ele inspirou profundamente e abriu os olhos, fitando a multidão que começava a se reunir ao seu redor. Homens, mulheres, crianças – todos pareciam carregados de perguntas, mas também de determinação. O símbolo do Coração do Véu, agora gravado no sol