OTTON Chego em casa totalmente arrependido de ter passado do ponto com Yanah. Não tenho coragem de ligar para ela, até porque seria inútil, Yanah não me atenderia, ela é muito difícil de lidar. Na minha mente só veio Késsia e sem pensar duas vezes liguei para ela, o celular dela começa a chamar incessantemente e a mesma me atende. — Irmão, boa noite — Késsia fala do outro lado da linha. — Késsia, preciso de um favor seu, localize Yanah e, por favor, me fale se ela está em casa — Falo rápido e nervoso. — Yanah?! Vocês trocaram telefone? Estavam juntos? Não estou entendendo. — Késsia começa a fazer perguntas demais. — Késsia, faça o que eu lhe mandei. Depois conversamos, está bem? Me retorna, mas não fala que sou eu que estou querendo saber. — Falo sem paciência. — Otton, que loucura é essa? — Késsia pergunta totalmente perdida do outro lado do telefone e desligo o celular sem respondê-la. Ao chegar à minha casa ando de um lado para o outro, não acreditando que estou
YANAH Deito-me na minha pequena cama e no meu celular chega uma mensagem da Késsia perguntando se estou em casa. Sem pensar respondo logo que sim e após isso fiquei questionando se não foi Otton que a pediu para sondar se já cheguei. Ruim do jeito que ele é, seria impossível o mesmo se importar comigo. Ele deixou claro que não vamos mais nos ver. É lógico que eu quero um pedido de desculpas, mas se não vier é vida que segue. No dia seguinte, sou acordada por Alina para tomar café preparado por ela com todo amor do mundo. Ykaro come o bolo caseiro satisfeito. Todo dia é assim, não sei como ela aguenta essa rotina. Perdida em pensamentos fico a imaginar se Otton verdadeiramente tem aquele gênio. — Yanah, deixa o Ykaro na escola, que vou para a igreja antes de trabalhar, clamar a Deus pela sua vida, só ele pode fazer o milagre. — Alina fala enquanto organiza a sua bolsa. — Clama também por riqueza Alina, estamos precisando. — Falo provocando Alina. — Eu agradeço mais do que pe
OTTON Após a minha conversa com Alina fico trabalhando, lendo contratos da Cruz engenharia. Alina me avisa que Malvino Cruz está na recepção e dou a ordem que ele entre. Alina abre a porta do meu escritório para Malvino, sempre de cabeça baixa. Sinto um certo desconforto dela, eu poderia estar louco, e o mesmo entra normalmente. — Prazer em revê-lo, Otton Borsi. — Malvino me cumprimenta com um aperto de mãos. — Prazer é meu. Por favor fique à vontade. Algum problema nos documentos que foram enviados pela secretária Alina? — Falo animado. — Não, nenhum. Estava passando aqui perto e resolvi dar uma passadinha para visitá-lo e lhe fazer um convite para uma festa que vou dar. Peço que leve a sua secretária junto, também — Malvino fala sério. — Malvino, não tem como, Alina não irá! Ela é muito tímida, e vem de uma família humilde, acho até que ela nunca nem frequentou uma festa desse nível, não sei nem o que falar. — Ponho as mãos na cintura. — Não importa o que ela seja, O
YANAH Sinto que Alina não está bem, ela não é muito de demonstrar as suas emoções, mas eu a conheço e sei que ela nos blinda de tudo o que de fato está acontecendo. Após chegar em casa vou preparar a mesma comida de sempre, sopa, e Ykaro vem ficar na cozinha comigo. — Yanah, acho que Alina está sentindo alguma coisa, ela já está deitada. — Ykaro fala. — Também notei isso. Sabe qual é o erro da Alina? É querer segurar o mundo sozinha. Ela sempre demonstra força, mas por trás dessa leoa de cabelos longos e ondulados existe alguém frágil que não admite que precisa de descanso. — Eu sou um peso, não é Yanah? Por ser tão doente, sei que os meus remédios são caros. — Você é a nossa estrela. Você não é peso Ykaro, jamais deixem falar isso para você. Agora vai ali, colhe umas flores na casa da senhora Zoraide que vamos levar para Alina. Ykaro sai enquanto termino de preparar a sopa, sirvo um prato e o mesmo volta com as flores nas mãos ficando parado a me olhar. — Aqui estã
OTTON Após o almoço volto para a empresa e vou diretamente para o meu escritório. Vejo que preciso viajar até a cidade de Seattle resolver alguns problemas do meu escritório de lá, aproveito e marco uma viagem para ir descansar uns dias a mais – estou precisando. Chamo Alina no meu escritório para agendar a minha viagem e organizar a minha agenda conforme os dias em que passarei longe daqui e aproveitarei darei folga a ela também. Os olhos da Alina brilham quando lhe dou a notícia. Pela tarde participo de duas audiências e mais duas reuniões remotas com os demais advogados. Libero Alina para ir para casa e fico no escritório até nove horas da noite. Após a reunião saímos para beber e nos distrair. Sentamos numa grande mesa, os garçons começam a nos servir. Algumas mulheres se aproximam e os meus amigos fizeram a festa, prefiro ficar sozinho e bebendo tranquilo. Confesso que após o meu envolvimento com Yanah fiquei meio na defensiva, lembro dela gemendo no meu ouvido e confessando
YANAH Enquanto Késsia compra os seus vestidos, ela me manda escolher umas roupas para mim, inclusive biquínis. Mesmo eu não querendo aceitar ela insiste, eu lógico aceitei e escolhi dois biquínis lindos e sexy. Enquanto escolho os vestidos, Késsia me dá praticamente uma consultoria de moda sobre qual vestido fica melhor no meu corpo, presto atenção em tudo o que ela me ensina. Enquanto andamos pelo shopping Késsia olha para mim. — Vamos jantar comigo lá em casa, Yanah? — Késsia pergunta. — Desculpa, Késsia, mas não vou. Sua mãe parece que não gostou muito de mim no baile aquele dia, Otton também não, é melhor evitar a minha presença lá. — A minha mãe viajou, só estamos em casa eu e papai. Vamos, diz que sim, Otton não anda lá em casa, por favor Yanah. — Está bem, criança mimada, só vou porque está falando que a sua mãe não está. — Cruzo os braços. Fomos para a sua casa. Enquanto Késsia dirige falo para ela o quanto tenho vontade de aprender a dirigir e a mesma diz que
OTTON Ao deixar Yanah na companhia de Késsia, nervoso porque ela tem esse dom de despertar em mim a fúria, vou diretamente para a cozinha beber água. Tento me acalmar e vou procurar o meu pai no seu escritório. — Pai, posso entrar? — Abro levemente na porta. — Pode, meu filho, pensei que não viria. Sente-se, Otton. — Pai, podemos ir jantar fora? Não quero ficar aqui. — Como quiser, Otton. Está tudo bem? Estou te achando nervoso. — Estou ótimo. — Falo sério. Meu pai e eu saímos para jantar no restaurante o qual sempre frequentamos no passado. — Otton, aqui continua lindo do mesmo jeito, tenho saudades de quando vocês eram crianças, cuidava de vocês enquanto a sua mãe almoçava. — Mamãe era sem paciência e você todo paciente, tenho orgulho de você como meu pai, amo a minha família. Fazemos o nosso pedido e o meu pai está me observando, como se quisesse adivinhar o que estou pensando ou que está se passando nesse coração. — Porque me olha assim, pai? — Pergu
YANAH Arrumei as roupas que ganhei da Késsia e lembro que tenho que estudar, tenho um propósito a ser cumprido que é estagiar na Cruz engenharia, quero fazer parte do time de arquitetos dessa grande empresa que só tem os melhores, sonho alto demais. Passo a noite toda estudando e sempre olhando para a chave do apartamento do Otton. A vontade de ir amanhã é maior, mas preciso controlar essa carência dos infernos, o meu corpo treme perto dele. Uma coisa é certa, eu preciso me afastar do Otton, se não irei me apaixonar. A pele arrepia demais, o frio na barriga já aparece só em vê-lo se aproximar e isso não é um bom sinal, mas sim um alerta. Espanto os pensamentos em Otton para longe e estudo tanto que adormeço sobre os livros. Acordo porque Alina me chama. No dia seguinte, acordo tarde por não ter aula pela manhã e nem trabalho comunitário, mas em compensação à tarde tenho um trabalho para apresentar na faculdade. Tomo o café preparado por Alina. Hoje ela fez tudo sozinha, inclu