YANAH Arrumei as roupas que ganhei da Késsia e lembro que tenho que estudar, tenho um propósito a ser cumprido que é estagiar na Cruz engenharia, quero fazer parte do time de arquitetos dessa grande empresa que só tem os melhores, sonho alto demais. Passo a noite toda estudando e sempre olhando para a chave do apartamento do Otton. A vontade de ir amanhã é maior, mas preciso controlar essa carência dos infernos, o meu corpo treme perto dele. Uma coisa é certa, eu preciso me afastar do Otton, se não irei me apaixonar. A pele arrepia demais, o frio na barriga já aparece só em vê-lo se aproximar e isso não é um bom sinal, mas sim um alerta. Espanto os pensamentos em Otton para longe e estudo tanto que adormeço sobre os livros. Acordo porque Alina me chama. No dia seguinte, acordo tarde por não ter aula pela manhã e nem trabalho comunitário, mas em compensação à tarde tenho um trabalho para apresentar na faculdade. Tomo o café preparado por Alina. Hoje ela fez tudo sozinha, inclu
OTTON Estou completamente frustrado por Yanah não vir ao meu encontro, dirijo o mais rápido que posso até a casa dela. No caminho desejo pôr as mãos nela e lhe castigar para Yanah nunca mais ousar desobedecer a uma ordem minha. Passei por cima do meu orgulho para estar aqui e ao chegar em frente à casa ligo para o seu celular. Ela insiste em não me atender, já estou perdendo a minha paciência porque ela nasceu com o dom de me enlouquecer, isso é a especialidade dela,. Observo através do retrovisor que Alina vem chegando e Yanah enfim resolve me atender. Aviso que estou do lado de fora e ela mente descaradamente que Alina está em casa para não vir até a mim, desligo o celular bufando de ódio já pensando que ela tem outro ou está saindo com algum outro homem, isso eu não aceito. Ligo o carro dando uma volta no quarteirão e paro um pouco afastado da sua simples casa. Vejo quando Yanah sai na porta e acelero fundo até chegar onde ela está. Eu só tinha uma coisa: pressa para estar a sós
YANAH Contemplo cada toque, cada beijo do Otton. Ficamos cegos e loucos de prazer, eu só quero ser consumida por esse homem e me entreguei inteiramente. Após o sexo faço carinho nos cabelos do Otton com vontade de falar o que estou sentindo nesse momento, mas não posso me passar por uma iludida, afinal tudo é só sexo e tenho consciência disso. Aproveito que estamos tomando banho e acaricio o seu rosto, porque sou apaixonada pela sua beleza e não sei quando iremos nos ver de novo. A cada vez que transamos me dou conta que estou ferrada nas mãos desse homem gostoso e confirmei isso quando aceitei passar a noite com Otton nesse apartamento a convite dele – o que me surpreendeu, o que talvez seja uma despedida nossa. Ao chegar à cozinha, Otton abre a geladeira e não se tem nada para comer. Dou a sugestão de comprar uma pizza e ele aceita, faço o pedido e acabo lembrando que tenho que avisar Alina que vou dormir fora. A mesma uma hora dessas deve estar dormindo, porque ela não me re
OTTON Yanah tem se tornado quase o meu calmante, ela me irrita com o seu jeitão devasso de ser, mas quando sou beijado por ela tudo vai se acalmando. Até conversamos civilizadamente e passamos juntos uma noite incrível, com uma entrega louca de ambos, a tive nos meus braços sem medo, e sem pensar no amanhã até porque o amanhã não me pertence. Pela madrugada me aconchego no seu corpo quente e nu deitado sobre a minha cama. Todo a vontade, cheirando os seus cabelos, penso o quanto ela está marcando a minha vida. O mundo quase desabando para ela e a mesma aqui comigo sem interesse, sem máscaras, sendo ela mesma. Pela manhã temos que ir cada um para o seu canto. Ao deixá-la em casa eu quero mais do seu beijo, a beijo como se fôssemos namorados, mas durante o caminho de volta – agora para a minha casa – mando mensagem para Késsia. Preciso falar com ela urgente e de preferência antes da sua ida para a faculdade. Estou tão cansado que aproveito que ainda é cedo e vou dormir mais um
OTTON Minha mãe olha tudo ao seu redor atentamente, como se quisesse adivinhar os meus pensamentos, e ela na sua tentativa de descobrir mais coisas sobre a minha viagem fica para almoçar. — Mãe, meu pai e Késsia vêm almoçar aqui também? — Pergunto. — Seu pai vem, Késsia já não posso confirmar. Vive agora com aquela amizade dela, não sou a favor dessa amizade porque essa garota, a tal Yanah, é pobre. Não tem nada a oferecer a ninguém. — Por favor, pare agora! Não admito preconceito na minha casa, muito menos na minha frente. Isso não vou aceitar. — Falo alto. — Otton, ela é uma garota de periferia, só Deus sabe como essa moça foi criada. — Todos nós somos iguais, independente do dinheiro que temos. Tópico encerrado. — Falo me exaltando com a minha mãe. Ainda bem que o meu pai vem para almoçar com a gente, porque não tenho paciência com a minha mãe. Quando ele chega, o levo para a sala de jogos e vamos jogar sinuca. — Pai, segui os seus conselhos e estou saindo com Yanah,
YANAH Preparo o café dos meus irmãos e Alina de repente chega na cozinha em silêncio e bebe água, não fala nada e eu chego perto dela. — Alina, não vai me dar bronca? Não vai falar que está preocupada comigo? — Pergunto. — Yanah, você avisou que dormiria fora e eu acredito em você, estou tão cansada que não tenho nem força para questionar você. — Alina fala triste. — Toma um pouco de café, Alina. Eu vou te dar muito orgulho ainda, você vai ver. — Eu creio nisso, meu amor, vamos vencer. Agora chega de tristeza, deixa eu me apressar que hoje ainda tem trabalho, amanhã é o meu “descanso” entre aspas. — Alina respira. — Vai mesmo trabalhar amanhã à noite? — pergunto. — Vou, Ykaro teve uma melhora, preciso juntar um dinheiro para realizar os exames dele. — Alina fala. O nosso príncipe acorda, vou tomar um banho para ir deixá-lo na escola, mas antes nos reunimos na pequena mesa para tomarmos café juntos. Ao voltar da rua, não demora muito e Késsia me liga avisando que viria
OTTON Malvino não sabe separar as coisas, ficou louco da vida devido a um não de uma mulher. Entendo perfeitamente que é ruim você querer muito uma mulher e ela não dar a mínima para você, também fiquei irado por que Yanah mandou me entregar as chaves naquele dia. Tudo nessa vida se consegue é só persistir. Fico mais um pouco na sua festa e uma linda mulher se aproxima de mim. Se estivesse em outra situação dessa noite ela não passava, conversamos, bebemos um pouco e a sua curiosidade está sobre a minha vida. Respondo somente o que eu quero responder, sempre fui um homem muito cauteloso em relação a mulheres. Nunca saí por aí ficando com qualquer uma, fui tão seletivo que acabei esbarrando e me envolvendo com Yanah, a garota linguaruda que me enlouquece e me satisfaz como ninguém. A festa está maravilhosa, mas decido ir para casa, pois tenho a minha viagem amanhã. Saio de fininho entre os convidados para ir embora e vou me despedir de Malvino. — Malvino, sua festa está linda, j
YANAH O grande dia da viagem está chegando e Alina me ajuda com as malas. No sábado passo a manhã inteira falando o quanto ela é a melhor irmã do mundo. E lógico, não poderia faltar Késsia para me ajudar com a escolha das roupas que devo levar, ela passa o dia comigo e Alina, me ajudando a embarcar nessa loucura gostosa, porque Otton é isso. Como Alina passou a noite toda trabalhando, no dia seguinte não quero a acordar! Abraço Ykaro, dou um beijo leve no rosto da Alina para ela não acordar e a campainha toca. Deve ser o motorista do Otton, ele me ajuda com as malas e então vou para o aeroporto. Ao chegar, vejo Otton me esperando na sala de embarque. Ele está tão perfeito me esperando. Ele é o homem mais chato e mais gostoso desse mundo, o abraço porque estava com saudades dele. O que vai ser de mim após essa viagem? Tenho certeza que voltarei mais apaixonada por ele, o que esperar do Otton? Não sei, simplesmente não sei, é a resposta que dou para mim. Quando entro no avião