Raven— É... não importa, só não se envolve em nada... é melhor fingir que não sabe de nada, e se alguém te propuser algo, principalmente pra sair à noite ou ir a algum lugar suspeito... Diz que não, não aceita! — concluiu com muita seriedade.E do nada saiu do quarto, me deixando completamente confusa.Tantas emoções e confusões estavam me deixando com a cabeça virada.O que era óbvio, é que nessa matilha estavam acontecendo coisas muito estranhas, secretas e perigosas.Será que o Alfa sabia das tramoias subterrâneas nessa área discriminada e esquecida?Como eu não era ninguém, nem podia consertar o mundo, me troquei por uma camiseta confortável e um shortinho, e fui dormir na minha cama simples.*****Alguns dias se passaram, com relativa tranquilidade, mas eu não voltei a ver o Alfa.Uma manhã, não aguentei mais. Se eu continuasse reclusa na área das escravas, meu plano de me aproximar dele ia pro caralh0.Além disso, nem consegui treinar mais, porque impuseram um toque de recolher
RavenNão consegui evitar ficar surpresa.Estávamos tão intimamente próximos que meu coração batia feito louco e eu tinha medo de que ele escutasse.Os toques úmidos da língua dele me percorriam com erotismo, e fechei os olhos sem conseguir evitar, gemendo, quando a ponta suave contornou o canto da minha boca e começou a deslizar pelo meu lábio inferior.Seus caninos afiados me roçavam de forma perigosa e sombria.Abri os lábios, desejando mais contato.Tinha dado poucos beijos na vida e só no meu ex companheiro, mas nada tão excitante e ambíguo como isso, que nem sequer era um beijo de verdade.Todo o corpo enorme e intimidador dele me prendia contra a árvore, e senti algo duro e quente se roçando constantemente contra minha coxa.Quando achei que aquela língua deliciosa fosse me invadir por completo, a voz rouca e obscura do Alfa soou no meu ouvido.— Hoje, às 7 da noite, te espero aqui.E antes mesmo que eu pudesse dizer qualquer coisa, ele se afastou com passadas largas e me deixo
RavenEu não me importava com nada, só corri pelo corredor escuro e já conseguia ver meu quarto.— Abre, caralh0! — eu girava a maçaneta com força, e minhas mãos suavam.Péssima hora pra essa porta velha emperrar de novo.— Aí está ela! — ouvi vindo do final do corredor, e quando achei que já estava perdida, consegui abrir a porta e entrei direto no quarto escuro.Bati a porta na cara de uma das lobas furiosas, que seguia me xingando e tentando entrar à força.Me encostei nela com o peso do corpo inteiro, segurando as batidas contra a madeira enquanto trancava a fechadura.Corri até a cama da Diana e a arrastei pra bloquear a porta — era o móvel mais pesado ali!Toda a adrenalina fluía pelo meu corpo suado e alerta.Boom! Boom! Boom!— Abre essa porra de porta, sua idiota! Hoje você vai pagar por todas! — os golpes eram fortes e a madeira velha já começava a estalar.Me preocupava que a porta não aguentasse. Agora sim, estava encurralada feito rato, mas também não tinha muitas opções
RavenAtravés dos olhos da minha loba, dentro daquele mesmo galpão, vi a cena mais... na verdade, nem sei como descrever em uma só palavra.Diana, minha companheira de quarto, estava de quatro no chão sujo, enquanto atrás dela, um dos guerreiros da matilha socava suas ancas, transando com ela com brutalidade.Na frente, outro homem enfiava o pau na boca dela, segurando-a pela cabeça para se enterrar fundo na garganta, com sons de engasgos e estalos molhados.Gemidos excitados e o cheiro de sexo e luxúria enchiam o velho galpão.Um rosnado gutural saiu do homem que penetrava sua boca, no exato momento em que gozou.«Cof, cof, cof»Ouvi Diana respirar ofegante e começar a tossir com a cabeça baixa, enquanto fios brancos escorriam pelos seus lábios.— Eu também tô gozando! — gemeu o que estava atrás dela, segurando-a com força, estocando fundo e se esvaziando dentro dela com um gemido grave.Vi Diana desabar exausta no chão, mas aquilo ainda não tinha acabado.— Finalmente! Já estavam de
Raven“Raven, me desculpa”, Sena murmurou dentro de mim, enquanto eu me sentava escondida em um canto da floresta chorando.De verdade, eu não queria mais chorar, mas tanta impotência ia acabar me matando.Meu ressentimento virou determinação, e no dia seguinte, assim que o sol nasceu, me esgueirei pra procurar o Alfa.Estávamos na praça central, e eu observava a vida próspera e aparentemente pacífica dessa matilha, enquanto as escravas — que facilitavam a vida deles e serviam como criadas — sofriam todo tipo de humilhação.Me perguntava: que tipo de Alfa era Cedrick Walker?Achei que, por ter nos resgatado, ele era um dos bons. Agora... já não tinha tanta certeza. Mas ele ainda era meu único caminho.“Olha, Raven, uma carroça. Parece que vai pra mansão do Alfa”, Sena me avisou, e vi que perto de mim estacionou, por alguns segundos, uma carroça carregada de cestos cheios de roupas limpas.Olhei ao redor pra ver se alguém tinha reparado em mim, mas sendo tão pequena, duvidava.Me aprox
RavenAbri a porta do armário com timidez e saí com a cabeça baixa.— Senhora... me desculpe... sinto muito por ter invadido seu quarto desse jeito...— Quem é você? Não me lembro de ter te visto por aqui — perguntou com uma voz suave, sem raiva alguma, e era isso que me deixava confusa.— Eu... eu estou procurando o Alfa — soltei, sem conseguir pensar em nenhuma outra desculpa.— O Alfa? E por que está escondida, então? Por que não pede uma audiência como todo mundo? Está com más intenções, por acaso?...— Não, não, eu não! — levantei a cabeça para encará-la diretamente, olhando em seus olhos lindos que me analisavam cheios de desconfiança.— Vim vê-lo... porque eu... quero me declarar para o Alfa, mas sou muito humilde e não iriam me dar uma audiência — falei a primeira besteira que me veio à cabeça.“Raven, você tá louca! Que tipo de desculpa é essa?”“Sena, não te ouvi dando ideias”O silêncio tomou conta do ambiente e, de repente, ouvi uma risadinha contida.Ao olhar para a mulhe
CedrickA pequena escrava, parada diante de mim, me assegurava que podia me entregar o trono do Rei Alfa.Fiquei surpreso ao saber que ela havia se infiltrado na mansão só para me ver, e mais ainda ao descobrir que um poder tão grandioso estava escondido dentro dela.— Prove isso pra mim — olhei fixamente para ela e senti seu corpo estremecer.Tenho que admitir que me dá um prazer perverso dominá-la.— Podemos ficar a sós? — sussurrou, lançando um olhar disfarçado para meu Beta, que eu havia mandado chamar e que estava parado num canto, imóvel como uma estátua.— Ele é de confiança. Seja lá o que você vai me mostrar, pode fazer na frente dele — ela me encarou com aqueles olhos lindos, não muito convencida, e como sempre, meu lobo já estava à solta, cercando sua pequena loba, tentando-a, provocando-a.Só que o clima mudou, ficando mais sério, assim que ela mostrou o que podia fazer.Senti quando ela se concentrou e fechou os olhos. Sua testa começou a suar e a expressão de dor em seu r
Cedrick— Nem preciso dizer que isso é algo que só nós, os que estamos nesta sala, podemos saber — falei, mudando de assunto, e ela levantou a cabeça e assentiu.— Ninguém mais sabe, não contei a ninguém.— Ótimo. A partir de hoje, você vai ocupar um quarto na mansão, ao lado do meu, para facilitar a encenação de casal perfeito e também por causa do ritual para liberar seu poder — comecei a pensar em todos os preparativos.— Vou precisar de um tempo para anunciar essa notícia. Como deve imaginar, vai parecer um tanto estranho que, de repente, o Alfa tenha se apaixonado perdidamente por uma desconhecida — ela assentiu, e eu gostei de estar falando com alguém inteligente.— Você vai aprender seus deveres como Luna, e só nós dois saberemos do nosso acordo.— Vai ter que se relacionar com os membros importantes da matilha e cumprir com suas responsabilidades — senti que ela ficou mais assustada e nervosa.— Não se preocupe, alguém vai te ensinar.— Entendo. Farei o meu melhor para não dec