Capítulo 5

Carioca

Quando vi a morena saindo do baile com o LC e a ruiva, instintivamente fui atrás sem que eles percebessem.

Por que fui atrás? Não sei, só fui...

Os três entraram no carro e foram, fiquei sentado na minha moto fumando e mexendo no celular, pensei em mandar mensagem pra Susana que ainda tá no baile, mas a Vanessa também tava , já peguei ela algumas vezes e hoje ela me mandou mensagem no começo da noite, agora vai ser a vez dela.

Antes de chamar, vejo a morena voltando pro baile sozinha, entrou e saiu logo novamente e foi subindo o morro.

Sem pensar muito fui atrás, conversamos poucas palavras e percebi que ela ficou com medo mas subiu na moto e a deixei em casa.

Pouco antes, eu tinha mandando mensagem pro Japah perguntando onde era a casa da mina dele, amiga da morena, com certeza ele entendeu porque eu queria saber.

Durante o trajeto ela segurou na minha cintura e eu acelerei, quando parei em frente a casa dela, ela desceu com calma e eu pude sentir como ela é cheirosa.

Fiquei cuidando até ela abrir a porta, não aguentei, eu precisava provar aquela boca.

Desci da moto sem que ela percebesse e quando foi fechar a porta, eu entrei e sem dizer nada, agarrei ela, que não teve nem tento de relutar e correspondeu ao beijo.

Conforme foi ficando intenso, eu fui ganhando o terreno, comecei a tocar ela, um dedo, depois dois e fui aumentando o movimento com a outra mão nos seios dela, que já estavam durinhos de tesã*. Ela é cheirosa e o corpo é uma delícia, ia ser ali na porta e em pé mesmo.

Quando eu tava quase colocando nela, meu rádio começa a tocar sem parar.

Porr* eu vou matar quem tá me ligando? Só podem estar de sacanagem.

Ela se soltou e eu atendi, era um dos seguranças do baile avisando que a Jéssica tava lá tocando o terror com a Susana.

Ela só pode tá maluca, cheirada ou tá querendo morrer mesmo.

Coloquei minha Glock na cintura e a morena me olhava enquanto segurava um copo com água, só falei que tinha que ir, mas avisei que no nosso assunto não terminava aqui, ela entendeu o recado mas não respondeu nada.

Beijei aquela boca gostosa dela e saí.

Quando cheguei no baile, a Susana tava toda descabelada, com parte da roupa rasgada e a Jéssica sendo contida pelos soldados.

— Tá maluca, porr*? Eu falei que tu podia vir aqui? Perdeu a pouca noção que tu tem? Falei pra Jéssica, com raiva.

Ela foi tentar se justificar, mas já meti a mão na cara dela.

— Eu disse que você podia falar? — Ela se calou.

Falei pro Vitinho contar como tudo tinha acontecido e ele explicou que a Susana tava na disciplina dançando com as amigas quando a Jéssica chegou na agressão.

Mandei a Susana pra casa, mas disse pra ela ficar esperta, ela sabe o que significa, assentiu com a cabeça e foi embora.

Peguei a Jéssica pelos cabelos e arrastei até o corredor abaixo do camarote, onde horas antes eu transe* com a Susana. Dei vários t***s e chutes, muitos mesmo, será que ela nunca aprende?

Dei um esculacho legal e falei que ela tá proibida de subir no morro até eu falar que podia voltar e se desobedecer, ela sabe que é pior.

Fui pra casa, tomei um banho, fumei meu baseado pra relaxar a mente na sacada do meu quarto, enquanto olho a vista. Minha casa é bem no alto do morro, então tenho uma visão privilegiada.

Deitei e fiquei pensando na morena, lembrando dela toda molinha na minha mão, até que peguei no sono.

Fernanda

Dani e eu acordamos quando já passava do meio dia, ela chegou em casa quando o dia estava amanhecendo.

Preparamos um almoço rápido, acordamos cheias de fome e enquanto almoçamos, contei a ela sobre o carinha que fiquei, omitindo pouquíssimos detalhes.

— Como assim você nem sabe o nome dele? Você hein, que é toda comportada, ou era né? — falou me zoando, ela estava tão chocada quanto eu com o que aconteceu.

— Ai amiga eu acho que ele nem é daqui do morro, dever ser de outro lugar e foi só uns amassos. — falei.

— Sua safada! — Mas pode ser que ele seja de outro complexo, nos bailes sempre vem pessoal de morros aliados ou ele pode ser da pista, amiga. — ela falou enquanto tomava um gole de suco.

Pensei que da pista ele não é, pois estava no camarote com os traficantes, carregava uma arma e um rádio. Mas esses detalhes não contei.

A tarde fluiu bem, Andrey e Rebeca vieram pra cá, pela carinha feliz deles a noite foi boa, Rebeca com LC e Andrey com o seu boy misterioso, ele sempre pega alguém mas nunca fala quem é.

Contei a eles como minha noite acabou, Rebeca tadinha pediu desculpas por estar com o celular desligado.

— E você acha que ela achou ruim, Rebequinha? Ela adorou a sarrada com o envolvido, essa safada. Por que tá na cara que é um, aliás, vocês três “envolvidas com os envolvidos”! — Andrey falou e nós rimos com o trocadilho, jogando nele, pipoca que estávamos comendo enquanto assistíamos uma série.

Os três estavam muito curiosos pra saber quem era o tal cara que eu fiquei, acho que estavam até mais curiosos do que eu, embora eu também estivesse doida pra saber quem era. Dani e Rebeca ficaram de tentar descobrir algo com Japah e LC.

O domingo acabou e a semana toda correu tranquila, eu já estava bem adaptada a minha nova rotina, estava vendendo bem na loja e isso é bom, pois recebo comissão.

Não houveram novidades e nada descobrimos do “meu envolvido”, como o Andrey se refere, então praticamente acabei esquecendo esse assunto.

Chegou a sexta-feira e hoje fui até o açaí esperar meus amigos saírem do trabalho, estava um calor danado e nós íamos tomar sorvete na pracinha quando o expediente deles terminasse.

No começo da noite, eu estava sentada numa cadeira daquelas altas que ficam nos balcões, próximo ao caixa e sempre que dava, a Dani e eu falávamos algo uma com a outra.

No outro lado da rua, havia um grupo de homens armados conversando, coisa de uns cinco ou seis ao redor de um deles que estava escorado numa moto enorme.

A Dani estava fazendo o fechamento do caixa quando de repente, eu olho para o grupo de homens e um deles sai do local e no meu campo de visão, estava ele, o carinha que eu fiquei na noite do baile.

Lindo, forte, posturado, de roupa preta, boné enterrado na cara, estava fumando e conversando com os caras.

— Amiga, é ele! — sussurrei para a Dani.

— Oi, Fê? Não entendi! — ela para de fazer os cálculos que fazia e me responde sem entender.

— Ele amiga, o carinha que eu fiquei na noite do baile! — Falei em um tom um pouco mais alto, mas suficiente para que somente ela ouvisse.

— Onde? Qual deles? — ela perguntou.

— Ali naquele grupinho, o cara de preto escorado na moto. — fiz um sinal com a cabeça para onde eles estavam.

— Como assim? PARA TUDO! — ela falou num tom de euforia quase gritando e chamando a Rebeca e o Andrey que já estavam vindo para irmos embora.

Dani fez um sinal para os homens e disse:

— Gente, olha lá o tal boy que a Fê pegou na noite do baile, o carinha ali da moto! — ela falou e eu senti uma certa ironia nela ao mostrar quem era ele e os dois ficaram empolgadíssimos e eu não estava entendendo nada.

— Vocês vão me contar o que tá acontecendo aqui ou tá difícil? — falei olhando pra eles.

— Amiga, tu não é fraca não, hein? —Rebeca falou me dando um tapinha no braço.

— Minha gostosa! Você pegou nada mais nada menos do que o chefe, o dono da porr* toda! — Andrey diz e eu fiquei olhando sem entender.

— É isso mesmo amiga, o Carioca, é irmão do Japah! Ah mas o Eduardo me paga se ele sabia disso e não me contou nada. — o final da frase a Dani falou meio que para ela mesmo e eu estava em uma espécie de choque, quando olhei novamente para ele, percebi que ele também me olhava.

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