Lara não esperava que Fernanda encontrasse Sandro e Maria ali.Fernanda se virou para Isabela com os olhos arregalados e indagou:— Isa, isso tudo é verdade mesmo?Lara parecia completamente perdida e atordoada. Até pouco tempo atrás, era admirada por todos, mas agora se encontrava numa situação ridícula, virando motivo de chacota.Ela não suportava aquele baque. Seu corpo vacilou, à beira de um desmaio.Caio a amparou num impulso.Lara se desvencilhou do toque do marido, tentando se defender com voz trêmula: — Vocês entenderam tudo errado! A Isa jamais se divorciaria...— Tenho fotos aqui, sim! — Disparou Fernanda, mais rápida que um raio, sacando o celular da bolsa e exibindo a foto que havia tirado de Clara amparando Sandro na rua, numa cena mais que comprometedora. — Lara, você acha que eu mentiria? Só quero o bem da Isa! Se separou, separou, ué! Por que esconder? Se tivesse contado antes, a gente pensaria em algo para te ajudar, sei lá...Lara lançou um olhar rápido para a tela.
Fernanda mostrou a foto para Isabela.— Que dedicação dessa mulher, hein?Isabela abaixou os olhos.Era uma foto de Clara cuidando de Sandro no hospital depois do acidente de carro, tirada por Fernanda.Ela já sabia disso há muito tempo, então não se surpreendeu nem um pouco. Apenas sorriu de leve, com um toque de ironia e tristeza.Tomas também olhou e comentou com desprezo:— Que sem-vergonha mesmo.— Pois é! Essa mulher é muito cara de pau. — Disparou Fernanda com desprezo. — Com certeza já tavam se agarrando antes do divórcio! Hoje em dia essas moças não têm um pingo de moral, veem um homem casado e já pulam em cima! Mas até que ela é bonita... Esse Sandro tem mesmo sorte com as mulheres...— Já chega, mãe! — Tomas a interrompeu, segurando Fernanda pelo braço. — Tem um monte de gente aqui, para de falar disso.Ele tentou afastá-la antes que a conversa rendesse ainda mais. Depois, olhou para Isabela e piscou:— Nem ligue com isso.Entre eles, os mais jovens se davam bem. O problema
Fogos de artifício estouraram no céu, soltando um estrondo que fazia o peito vibrar. Era impossível não sentir aquela alegria no ar.Os fogos eram mais pelo barulho do que pelo brilho, afinal, ainda era dia. O espetáculo de luzes estava reservado para a noite.A noiva desceu do carro, seguiu para a cerimônia, distribuiu doces aos convidados, e a celebração continuou com o banquete...A festa só terminou depois das três da tarde. Após a refeição, muitos convidados começaram a se despedir, enquanto os parentes mais próximos foram convencidos por Fernanda a ficar até o jantar.Lara não estava muito animada com a ideia, mas acabou ficando mesmo assim.Ao redor da mesa grande, estavam tios, tias, primos, primas, a recém-casada e, claro, toda a família de Isabela. Era tanta gente que mal cabiam todos.Fernanda abriu um sorriso. — Hoje é um dia especial, só faltou o Rodrigo.Rodrigo Pires era o filho mais novo do tio de Isabela. Estava estudando fora e não conseguiu voltar para a festa. Ele
O semblante de Isabela não mostrava melhora alguma. Era ela quem mais sofria com toda aquela situação. Todo mundo comentava sobre seu casamento, julgava sua vida e seu ex-marido, e ela se sentia incapaz de se defender. Seu marido tinha traído. Ela tinha se divorciado. E a vergonha, de alguma forma, recaía toda sobre ela.Lara respirou fundo, sentindo o peso da situação. Estava tão concentrada em suas próprias preocupações que nem havia considerado o quanto tudo aquilo afetava Isabela. No final das contas, era sua filha quem carregava o fardo mais pesado.— Isa... — Lara começou, com voz hesitante.— Mãe, está tudo bem, juro. Você e o pai tentem relaxar um pouco, o dia foi puxado e ainda vai demorar até chegar em casa. — Respondeu Isabela com um tom que tentava soar tranquilo.— Ah, está bom então. — Murmurou Lara, sem coragem de insistir no assunto. Ficou em silêncio, sentindo uma pontada de culpa enquanto olhava para o marido. Caio fez um gesto sutil com a cabeça, como quem dizia "de
Gabriel olhava para ela, boquiaberto.Isabela ergueu o rosto e deu de cara com Sandro. O olhar dele era tão intenso que parecia capaz de incendiar tudo ao redor.Ele a encarava de um jeito assustador. Como um predador diante da presa, pronto para atacar a qualquer momento.Desviando rapidamente os olhos, Isabela notou que Fabiano também estava ali.Os três juntos? Nada fora do comum. Sempre andavam grudados mesmo.Ela repetiu, visivelmente irritada: — Pare de me chamar assim. A gente já se divorciou, vocês sabem muito bem disso.Gabriel sorriu de leve. — É difícil se acostumar.Quatro anos de hábito não sumiam da noite para o dia.Ele lançou um olhar discreto para Sandro. A expressão do amigo estava dura, com os músculos da mandíbula travados. Parecia que ia explodir a qualquer momento.Isabela, no entanto, manteve a postura calma, como se nada tivesse acontecido. Ela sorriu para Gabriel e Fabiano. — Eu vou indo.Ninguém respondeu.Um silêncio pesado tomou conta do ambiente. Tanto
Os lábios dele tocaram os seus, macios e quentes, enviando uma onda de choque por todo o corpo de Isabela. Seus olhos se arregalaram, as pálpebras tremeram levemente e, por um instante, o tempo pareceu congelar. O cheiro único de Jorge, misturado ao aroma do álcool, a envolveu completamente enquanto seu coração martelava no peito como se quisesse escapar.Foi tudo rápido demais, tão repentino que Isabela nem sequer teve tempo de reagir, deixando sua mente em branco. Quando finalmente recobrou os sentidos, tentou se afastar, mas levantou a cabeça com muita pressa, batendo diretamente contra a moldura da porta do carro. A dor lancinante lhe arrancou um arquejo involuntário.— Doutor... Dr. Jorge... — Balbuciou ela, levando a mão à cabeça e franzindo os olhos de dor, ainda atordoada.Ele sabia o que estava fazendo?— O quê? — Murmurou Jorge, os olhos enevoados, como se nem ele mesmo tivesse controle sobre o que havia acabado de acontecer.Isabela se sentia dentro de um sonho, totalmente
Isabela freou tão bruscamente que o carro de trás não conseguiu evitar a colisão, atingindo sua traseira com força suficiente para fazer seu veículo deslizar alguns metros para frente.O motorista do outro carro desceu reclamando em voz alta e caminhou com passos firmes em sua direção. Ao perceber que era uma mulher ao volante, porém, sua expressão se suavizou ligeiramente. Reflexo daquele antigo preconceito de que mulheres seriam motoristas menos habilidosas.— Não sabe dirigir, não? — Questionou ele, num tom que, apesar de tudo, não soou tão grosseiro quanto poderia.Isabela saiu rapidamente do veículo, assumindo sua responsabilidade no ocorrido.— Me desculpe, me desculpe mesmo. — Falou ela, genuinamente constrangida, consciente de que tinha parado de repente no meio do trânsito.O homem examinou atentamente os danos. Seu parachoque e capô estavam amassados, enquanto o veículo de Isabela havia sofrido apenas um amassado na traseira e alguns arranhões na pintura.— Acionamos o seguro
Isabela se lembrava vagamente de Viviane comentando sobre o passado incomum de Jorge, mas na época não se interessou pelo assunto, assim como agora também não se sentia inclinada a investigar. Aquilo era algo pessoal e, se ninguém conhecia sua verdadeira identidade, era porque ele claramente preferia se manter longe de curiosidades e fofocas alheias.Ao entrar no carro luxuoso, teve que admitir que o veículo era realmente extraordinário. Seu acabamento interno impecável e o design sofisticado justificavam sua fama. Nunca tinha dirigido algo tão imponente e, considerando seu estado emocional abalado, temia acabar causando algum dano àquela máquina de elite.— Dr. Jorge, que tal chamar um motorista? — Ela sugeriu hesitante, sentindo o peso da responsabilidade.— Pise no freio. — Instruiu ele com naturalidade, pressionando o botão de partida. — Dirija como se fosse o seu.Enquanto Isabela segurava o volante com tensão visível, Jorge se inclinou ligeiramente em sua direção.— Aqui está o c