CLAIREA chuva lá fora acompanhava a tempestade interior que me assolava. Sentada na janela, observava as gotas escorrendo pelo vidro, cada uma como uma lágrima solitária. A campainha tocou, estridente e insistente. Era Lucas.Levantei-me lentamente, a cada passo sentindo o peso da decisão que estava prestes a tomar. Abri a porta e lá estava ele, encharcado e com os olhos vermelhos.— Claire, precisamos conversar—, sua voz saiu rouca, carregada de emoção.Assenti com a cabeça, incapaz de encontrar palavras. Ele entrou e fechou a porta, isolando-nos do mundo exterior.— Eu descobri tudo —, continuou ele, seus olhos fixos nos meus. — Sobre o Red Velvet, sobre a dançarina... sobre você.Um nó se formou em minha garganta. Sabia que esse momento iria chegar, mas não estava preparada para a intensidade de sua dor. “Eu sei que você tem suas razões”, disse ele, a voz mais suave agora. “Mas mentir para mim foi a pior coisa que você poderia ter feito.”— Eu sei, Lucas —, respondi, as lágrimas c
CLAIREOs dias passaram como um borrão, cada um trazendo uma nova onda de emoções. A dor da traição ainda estava ali, mas lentamente fui me reconectando com partes de mim que há muito tempo estavam adormecidas. Minha mãe me apoiou em cada passo, oferecendo um ombro para chorar e um ouvido para escutar, mas nunca pressionando.Voltar à casa dela foi como um retorno às minhas raízes. As praias e os sons familiares me deram uma sensação de calma que eu havia esquecido que existia. E foi em um desses dias tranquilos, enquanto caminhava pelo calçadão, que conheci Javier.Javier era o novo professor de dança na academia local. Um homem com uma energia contagiante e uma paixão pela dança que rivalizava com a minha. Ele me incentivou a voltar a dançar de verdade, não apenas pelos movimentos, mas pela expressão pura e pela liberdade que ela me trazia. Sob sua orientação, redescobri minha paixão e, aos poucos, comecei a me sentir mais confiante e segura.LUCASEnquanto isso, em São Paulo, minha
CLAIREVoltar à rotina de aulas de dança foi como renascer. Javier se tornou não só meu professor, mas também um grande amigo e confidente. Ele entendia a importância da dança na minha vida de uma forma que ninguém mais parecia compreender. Nossos treinos diários eram intensos, mas também eram terapêuticos. Cada movimento, cada batida de música, ajudava a aliviar a dor que ainda carregava dentro de mim.Comecei a dar aulas na academia local, ensinando crianças e jovens a se expressarem através da dança. Ver a alegria nos rostos deles me trouxe uma sensação de propósito que eu havia perdido. A dança se tornou minha válvula de escape, minha forma de enfrentar o mundo e, aos poucos, comecei a me sentir mais em paz comigo mesma.Certa tarde, depois de uma aula particularmente inspiradora, Javier se aproximou de mim com um sorriso enigmático.— Claire, tem um festival de dança acontecendo na cidade na próxima semana. Acho que você deveria participar — disse ele.— Participar? Não sei se es
CLAIREOs meses que se seguiram à grande apresentação foram um turbilhão de emoções e novos começos. Lucas e eu estávamos mais próximos do que nunca, redescobrindo a nós mesmos e nosso relacionamento. Cada dia parecia trazer uma nova esperança e uma nova razão para acreditar no futuro.Mas então, uma manhã, tudo mudou. Acordei sentindo-me estranha, uma sensação de náusea que não conseguia ignorar. Pensei que talvez fosse algo que comi na noite anterior, mas à medida que os dias passavam, a sensação persistia. Decidi que era hora de fazer um teste, apenas para ter certeza.Comprei um teste de gravidez na farmácia local, meu coração batendo acelerado. Voltei para casa, ansiosa e nervosa, e fiz o teste. Os minutos de espera pareceram uma eternidade, cada segundo aumentando minha ansiedade.Finalmente, o resultado apareceu. Duas linhas. Positivo. Estava grávida.Sentei-me na borda da banheira, tentando processar a avalanche de emoções que me invadiam. Alegria, medo, incerteza. Tudo mistur
CLAIREOs dias transformaram-se em semanas e, a cada manhã, a realidade da minha gravidez se tornava mais evidente. Lucas continuava a ser um apoio constante, embora eu percebesse sua preocupação crescente. Mas o medo de sua reação à notícia da gravidez me paralisava. Simplesmente não conseguia encontrar o momento certo para contar.Certa manhã, enquanto dava minha aula de dança, senti uma tontura repentina. Consegui disfarçar e continuar a aula, mas sabia que esses episódios estavam ficando mais frequentes. Precisava lidar com isso logo.No fim da aula, sentei-me no vestiário, tentando recuperar o fôlego. Javier entrou, observando-me com preocupação.— Claire, você está bem? — perguntou ele, sua voz cheia de preocupação.— Estou, só um pouco cansada — respondi, forçando um sorriso.— Sabe que pode falar comigo, certo? — insistiu ele, sentando-se ao meu lado.Respirei fundo, sabendo que precisava desabafar com alguém. Javier era um amigo confiável e sabia que podia confiar nele.— Jav
CLAIREOs dias passavam como um borrão, e a tensão dentro de mim só aumentava. A gravidez era um segredo que eu não podia mais esconder por muito tempo. Cada vez que olhava para Lucas, sentia um peso enorme de culpa e medo. Sabia que precisava contar a ele, mas ainda não encontrava a coragem necessária.Depois do encontro inesperado com Isabella, notei que Lucas estava mais distante, talvez ainda processando aquela conversa. E eu, carregando um segredo tão grande, sentia-me cada vez mais isolada.Uma noite, enquanto estávamos na varanda, decidi que não podia adiar mais. Precisava contar a verdade a Lucas, mesmo que estivesse apavorada com a reação dele.— Lucas, preciso te contar algo muito importante — comecei, minha voz tremendo.Ele olhou para mim, a preocupação evidente em seus olhos.— Claire, o que está acontecendo? Você tem estado tão distante — disse ele, sua voz cheia de preocupação.Respirei fundo, tentando reunir a coragem.— Eu estou grávida, Lucas — disse finalmente, as p
CLAIREA chegada do nosso bebê trouxe uma nova dimensão de alegria e desafios às nossas vidas. A rotina agora era preenchida com mamadas, trocas de fraldas e noites sem dormir. Cada momento era um misto de felicidade e exaustão, mas a presença de Lucas ao meu lado tornava tudo mais fácil.Nos primeiros dias em casa, Lucas mostrou-se um pai dedicado e amoroso. Ele estava sempre pronto para ajudar, fosse cuidando do bebê ou apoiando-me quando eu precisava de descanso. Apesar da exaustão, esses momentos fortaleciam nosso vínculo.Uma tarde, enquanto embalava nosso filho para dormir, decidi que era hora de escolher um nome. Lucas e eu havíamos discutido alguns nomes durante a gravidez, mas nunca chegamos a uma decisão final.— Lucas, acho que precisamos escolher um nome para nosso pequeno — disse, sorrindo para ele.Ele se aproximou, olhando carinhosamente para o bebê em meus braços.— Tem algum nome em mente? — perguntou, sua voz suave.— Bem, sempre gostei do nome Gabriel. O que você ac
CLAIREOs meses que se seguiram ao nascimento de Gabriel foram cheios de alegria e desafios. Lucas e eu estávamos mais unidos do que nunca, enfrentando juntos as dificuldades da paternidade. No entanto, a sombra de Isabella ainda pairava sobre nós, mesmo que de forma sutil.Uma tarde, enquanto estava em casa cuidando de Gabriel, recebi uma mensagem anônima no meu celular. Abri a mensagem e, para minha surpresa, eram fotos de Lucas e Isabella juntos em um café. Meu coração disparou. As fotos mostravam os dois conversando de forma íntima, e uma delas parecia capturar um momento em que Isabella tocava o braço de Lucas de maneira carinhosa.Senti uma onda de emoções me dominar: raiva, tristeza, traição. Não sabia o que pensar. Lucas tinha me assegurado que Isabella não significava nada para ele, mas essas fotos contavam uma história diferente.LUCASNaquela mesma tarde, Isabella havia me enviado uma mensagem pedindo para nos encontrarmos novamente. Relutante, mas querendo resolver qualque