POV: YULLI
— Não! — Neguei com força, a garganta apertada. Minha visão estava turva pelas lágrimas enquanto observava o Alfa Supremo avançar novamente para Keenan, que estava caído, ofegante, tentando se levantar.
Sem pensar, me lancei em sua direção, determinada a impedir Aaron de acabar com ele, mas antes que pudesse chegar perto, mãos fortes me agarraram. Virei-me, lutando com tudo o que tinha, mas era Alisson. Seu rosto estava pálido, o ombro sangrando, mas ele segurava meus braços com firmeza.
— Você não pode! — Disse ele, a voz tensa. — Ele não quer que você veja isso. Por favor, Yulli, me escute!
— Me solta! — Gritei, tentando me libertar. — Eu preciso salvar ele! Você não entende, Alisson, ele vai morrer!
— Eu entendo!
POV: YULLIApertei os olhos, tentando conter a dor, mas ela me consumia. A perda dele era algo que eu nunca imaginei que teria que enfrentar, e agora que estava diante disso, tudo parecia desabar. Toquei o rosto dele mais uma vez, meu coração implorando que ele abrisse os olhos, que me dissesse algo, qualquer coisa.Mas ele não respondeu. E isso me quebrou de uma forma que eu nunca pensei ser possível.Comecei a entoar magia, minha voz entrecortada pelas lágrimas, misturando palavras antigas que fluíam de minha alma. Eu mal sabia o que dizia, mas precisava tentar. A energia começou a pulsar em volta de nós, mas foi interrompida por um rugido ensurdecedor. Quando levantei o olhar, o Alfa Supremo, completamente descontrolado, avançava em minha direção como uma tempestade de fúria.— Não! — Meu grito se perdeu quando seu corpo colossal se apro
POV: KEENANA luz ao meu redor parecia turva, os sons abafados, como se eu estivesse submerso. Pisquei algumas vezes, tentando ajustar minha visão. Quando consegui, estava em um lugar que reconheci imediatamente: uma clareira tranquila, o céu encoberto por nuvens cinzentas. Era um cenário que eu só tinha visto nos meus piores pesadelos, o lugar onde meus pais foram mortos.Ao erguer o olhar, meu coração se apertou. Diante de mim estavam eles. Meu pai com a postura altiva, mas os olhos cansados. Minha mãe, ao seu lado, tinha um semblante tranquilo, mas algo em sua expressão me dizia que a dor nunca a abandonou.— Isso é real? — Perguntei, minha voz baixa e carregada de emoção.Meu pai deu um passo à frente, os olhos fixos nos meus.— Não importa se é real, filho. O que importa é o que precisa ser dito. — Ele ressoou imponente, com a mesma força Lycan da qual eu ainda me lembrava.Eu dei um passo hesitante em direção a ele, sentindo um nó apertar ainda mais meu peito.— Pai... — Minha vo
POV: YULLINão havia mais volta. Meu destino estava selado. Uma vida pela outra. A minha por ele.Keenan me segurava com força, mesmo que seu corpo tremesse. Ele estava exausto, mas não cedia. Seu nariz roçava meu pescoço, como se estivesse tentando se ancorar em mim.— O que você fez, encrenca? — Sua voz chegou até mim como um sussurro rouco, quase apagado. — Por quê?Senti meus olhos marejarem, minha garganta se fechava enquanto a culpa me consumia. Passei as mãos pelo contorno de seu rosto, tocando cada linha como se precisasse memorizar tudo.— Porque eu te amo demais, pulguento. — Minha voz falhou no final, mas forcei as palavras a saírem. Antes que ele pudesse retrucar, tomei seus lábios com urgência, o gosto metálico do sangue misturando-se com a nossa dor. O beijo era d
POV: YULLISenti meus joelhos fraquejarem por um instante, mas me forcei a permanecer de pé.— Obrigada, grandão. — Murmurei com a voz trêmula, mordendo os lábios enquanto sentia as mãos de Callie pousarem em meus ombros. O toque dela era reconfortante, mas trazia um peso insuportável de culpa. Quando nossos olhos se encontraram, as lágrimas que eu tentava conter escorreram livremente. — Eu sinto muito... por tudo.— Eu também. — Sua resposta veio baixa, mas cheia de emoção. Callie apertou levemente meus ombros, como se quisesse me transmitir força, embora o brilho em seus olhos revelasse o quanto aquilo também a estava destruindo.O som de rugidos e grunhidos ecoava mais forte, fazendo o ar ao nosso redor vibrar. Virei a cabeça para trás e meu coração apertou ao ver mais Alfas dominados p
POV: KEENANA escuridão me envolvia, mas eu não estava sozinho. A visão era clara e perturbadora: Yulli estava de pé, perto de uma fenda sombria que parecia se abrir no próprio chão. Sua postura era firme, mas havia tristeza em seus olhos enquanto me olhava por cima do ombro.— Eu te amo, Keenan. — Sua voz era um sussurro, carregada de uma dor que eu não compreendia.— Yulli, não! — Gritei, tentando correr até ela, mas meus pés não se moviam. Era como se o chão me prendesse.Ela virou lentamente, agarrando Drevan pela gola. Ele sorria com arrogância, mas Yulli não hesitou. Com um último olhar, ela saltou com ele para dentro da fenda, desaparecendo.Um sussurro gelado invadiu meus ouvidos.— Salve-as.Acordei com um sobre
POV: YULLIAcordei com a sensação de algo me puxando para a realidade. Minhas pálpebras estavam pesadas, e cada músculo parecia ter sido esmagado por pedras. O cheiro de ervas queimadas e umidade chegou até mim antes mesmo de abrir os olhos. Tossi, tentando limpar a garganta seca, e quando finalmente abri os olhos, vi um teto de madeira escura, marcado por símbolos antigos. Meus pensamentos ainda estavam confusos, e precisei de um momento para me lembrar onde estava.— Finalmente, ela acorda. — A voz de uma mulher mais velha ecoou, trazendo-me de volta. Ela estava sentada ao lado da cama, com olhos profundos que pareciam ver além da superfície.Tentei me sentar, mas um peso invisível parecia me prender. A mulher se aproximou e colocou uma mão firme em meu ombro, impedindo meu movimento.— Não se esforce ainda. Você
POV: YULLIO vento cortava meu rosto enquanto eu corria pela floresta, o som de galhos quebrando sob meus pés ecoava ao redor. Cada passo me aproximava da cidade central do clã das bruxas, onde o caos aguardava. O céu relampejava em tons de roxo, como se a magia estivesse rasgando a própria atmosfera. Sentia a pressão da energia densa em cada respiração, um aviso claro de que o confronto final estava próximo.Quando cheguei aos portões, vi o exército das bruxas enfileirado, rostos rígidos e olhos determinados. Elas estavam preparadas para o inevitável. Reconheci algumas das líderes, mulheres que haviam perdido tudo para os lobos e agora ansiavam por vingança. Mas minha luta não era com elas, e sim com o homem – ou melhor, a entidade – que manipulava essa guerra.As portas do templo se abriram lentamente enquanto eu subia os degraus, Drevan estava no centro, sua figura imponente contrastando com a penumbra do local. Ele me observava com um sorriso frio, como se já soubesse que eu viria
POV: KEENANMeus sentidos estavam em alerta máximo enquanto atravessava a floresta. Cada passo era guiado pelo cheiro sutil de Yulli, misturado ao aroma de sangue seco e magia que impregnava o ar. O coração batia forte no peito, e Olson, minha fera interior, rosnava impaciente, ecoando minha própria ansiedade. Cheguei à cabana escondida entre a densa vegetação, apenas para encontrar silêncio. O lugar estava vazio, mas o cheiro de Yulli era recente. Ela tinha estado aqui.— Onde ela está? — Questionei com urgência, entrando na cabana. Duas bruxas reclusas me observavam, suas expressões sérias, quase tranquilas, mas carregadas de mistério.— A sacerdotisa partiu. — Disse uma delas, sua voz calma irritando meus nervos. — Ela foi cumprir o destino que escolheu.— Escolheu? — Rosnei, minhas garras rasgando o ar em frustração. — Ela não escolheu nada! Drevan está manipulando tudo! Onde ela foi?As duas se entreolharam, como se decidindo o quanto deveriam compartilhar.— Você precisa compree