Charles avista a placa do hospital e sente um suspiro escapar, carregado de emoções conflitantes. Era um alívio saber que finalmente estava chegando, mas o peso do medo apertava ainda mais o seu coração. E se suas suspeitas se confirmassem? O pensamento de que algo grave poderia ter acontecido com seu neto e a família que ele mal começou a construir fazia seu coração disparar. Ainda assim, ele acelera ligeiramente, determinado a enfrentar o que quer que estivesse por vir.Ele estaciona o carro apressadamente e sai em passos largos, atravessando a entrada do hospital. O som constante de máquinas e vozes abafadas ecoa pelos corredores, criando uma atmosfera densa e inquietante. Na recepção, uma mulher de expressão exausta e movimentos mecânicos ergue os olhos ao notar sua presença. Seus olhos, marcados pelo cansaço, parecem habituados a emergências e incertezas. Charles para por um instante, tentando controlar a respiração e organizar os pensamentos antes de falar, o peso da preocupação
As palavras do médico parecem ecoar no vazio, batendo contra um Dominic que está fisicamente ali, mas cuja alma parece ter se retirado para um lugar distante, inalcançável. Ele não reage, os olhos perdidos em um ponto indefinido, como se o significado do que acabou de ouvir fosse simplesmente grande demais para ser processado. — Preciso que o senhor compreenda que essa é uma medida extremamente delicada, cercada de desafios e riscos significativos. Não será um processo fácil, mas pode ser uma oportunidade de dar a esse bebê uma chance de vida. É uma decisão que exige muito de todos nós, principalmente do senhor. — Declara o médico, permitindo que as palavras penetrem a profundidade da dor de Dominic, enquanto aguarda pacientemente por sua reação.A notícia paira no ar, como um golpe que parece não ter fim, reverberando em uma mente incapaz de suportar tamanha dor. Dominic agarra o lençol com tanta força que as articulações de seus dedos parecem prestes a ceder. É um gesto desesperado
O silêncio envolve o quarto, pesado e inquietante, enquanto a palavra “pesadelo” ecoa na mente de Dominic, como um sussurro distante que luta para ganhar forma e significado. Ele hesita, o coração pulsando de maneira irregular, cada batida ressoando como um lembrete de sua apreensão. Finalmente, com um esforço quase tangível, abre os olhos, mas o receio ainda o envolve como uma sombra persistente, recusando-se a abandoná-lo.O primeiro vislumbre é de rostos familiares. Seu avô Charles e seu tio Louis estão ali, seus olhares expressivos refletindo a tensão que carregaram, agora suavizada por um alívio visível. Os olhos de ambos transmitem uma calma reconfortante, como se dissessem sem palavras que tudo estava bem.Dominic pisca, os olhos ainda pesados e turvos, enquanto sua mente luta para separar a realidade do tormento vivido instantes atrás. Tudo ao seu redor parece, ao mesmo tempo, familiar e estranho, como se as peças da realidade não se encaixassem completamente. Ele sente o peso
Dominic permanece em silêncio, incapaz de encontrar qualquer resposta para as palavras do tio. Elas são verdadeiras demais, cruéis demais, atingindo-o exatamente onde ele sabe que está falhando. Não há como rebater algo tão evidente, ele está negligenciando a si mesmo, sendo insuficiente de forma que, no fundo, ele próprio não consegue justificar.— Olhe para você agora. — Louis comenta, a voz firme e controlada, como quem mede cada palavra, mas sem as suavizar. Seu olhar permanece fixo em Dominic, carregado de uma seriedade que ele sabe ser necessário naquele momento. — Como você pretende cuidar da sua família? — Continua, o tom firme, mas com um toque de decepção que atravessa o silêncio entre eles. — Você não esteve ao lado da sua esposa quando ela mais precisou. — Repreende, com uma dureza que não tenta esconder. — E agora, você mal consegue lembrar o que aconteceu. — Completa, o tom firme, mas carregado de intenção. Ele sabe que está sendo duro, talvez até cruel, mas entende que
Sob o olhar atento de Dominic, a médica para nos pés da cama, sua postura firme, mas tranquila, indicando que está ali para trazer informações importantes. Louis, percebendo a dinâmica, dá um passo para o lado, abrindo espaço para que a enfermeira se aproxime do sobrinho.Sem hesitar, a enfermeira começa o exame diário de Dominic, seus movimentos precisos e profissionais. Apesar do toque experiente e do ambiente rotineiro, Dominic mal consegue se concentrar no que está acontecendo com ele. Seu foco permanece fixo na médica, como se cada gesto ou expressão dela pudesse antecipar as respostas que ele tanto precisa ouvir.— Bom dia, senhor Wade. Sou a doutora Estelle Remy, responsável pelo seu caso. — Apresenta-se, a voz firme e profissional, enquanto verifica rapidamente as anotações na prancheta em seus braços. Seus olhos então se levantam, encontrando os de Dominic com uma expressão séria, mas atenciosa. — Antes de prosseguirmos, preciso saber, como o senhor está se sentindo hoje? — Pe
Dominic ainda tenta processar a informação, como se precisasse de mais tempo para acreditar no que acabou de ouvir. Sua mente luta para aceitar o impacto das palavras, enquanto sua expressão alterna entre surpresa e incredulidade. Incapaz de se conter, ele desvia o olhar para o tio, buscando algum tipo de validação.Louis percebe a expectativa clara nos olhos do sobrinho e, com um sorriso leve, ergue os braços em um gesto descontraído de rendição, como quem confirma: Sim, você ouviu direito. — Pois bem, esse pequeno travesso conseguiu se esconder de mim. — Louis comenta, com o tom descontraído e leve, enquanto um sorriso brinca em seus lábios. Sua tentativa de aliviar o ambiente funciona, arrancando algumas risadas suaves, incluindo uma de Dominic, embora a dele seja mais contida, quase hesitante. — Admito que ele foi mais esperto do que eu imaginava. Mas agora não há como negar, temos três! — Continua, sua voz carrega um toque de humor, mas também de genuíno entusiasmo, quebrando o
Dominic segue sentindo o peso de cada palavra da médica se acumular em seus ombros. A gravidade da situação o afeta, mas ele se esforça para não sucumbir à ansiedade crescente.Não é uma tarefa simples, mas uma necessidade vital. Agarrar-se a essa esperança, é o único caminho para se manter forte e ser o apoio incondicional de que Vivienne precisará nesse momento crucial.— Minha esposa e meus filhos são fortes, e nós vamos superar isso juntos. — Dominic declara, a voz firme e carregada de firmeza, como se cada palavra fosse uma âncora para sua determinação. Não há espaço para incertezas em seu tom, porque ele se recusa a aceitar qualquer outro desfecho. — Com certeza, senhor Wade. — Estelle responde, com um leve sorriso que carrega tanto empatia quanto profissionalismo. — A equipe está comprometida em fazer o melhor para garantir a segurança de todos.— Doutora Remy, eu preciso vê-la. — Dominic afirma, a voz firme, mas com um leve tremor que revela uma vulnerabilidade inegável, trans
Dominic permanece ao lado de Vivienne, com a respiração pesada e o coração pulsando rápido no peito, como se cada batida carregasse a esperança desesperada de que ele se recusa a abandonar. Com delicadeza, ele acaricia a mão frágil dela, os olhos fixos em seu rosto pálido, como se, de alguma forma, seu toque pudesse transmitir a força de que ela precisa para continuar lutando.O tempo parece suspenso, cada segundo se arrastando em um silêncio opressor, interrompido apenas pelo som constante das máquinas que sustentam a vida de Vivienne. O ambiente, frio e impessoal, contrasta com a intensidade das emoções que dominam Dominic.Dentro dele, uma tempestade se forma. Gratidão e medo colidem, deixando-o à beira de um abismo. Ele agradece por estar ao lado dela, por ainda haver uma chance, mas o medo de perdê-la é um peso esmagador que não consegue ignorar. Seus pensamentos oscilam entre as memórias dos momentos felizes compartilhados e a incerteza do que está por vir. — Pequena, assim que