- Não sei do que você ri tanto?- Desses vídeos da internet, Júlio. Como tem gente ingênua que cai nessas pegadinhas?- Hoje em dia, todos querem quinze minutos de fama, minha linda. A internet virou um meio lucrativo de ganhar dinheiro. Quem não quer ter fama e enriquecer?- Verdade. Por outro lado, vem a exposição, para o bem e para o mal.- Disse tudo, Estela. Acabei de lavar a louça, vou colocar o lixo lá fora.- Você é um anjo. Quem não quer um marido assim?- Nada mais justo, você fez o jantar. Por sinal, delicioso.Júlio abriu a porta da cozinha e saiu para o quintal. Estela passou por vários vídeos de humor, política, culinária, musicais e policiais. Ela viu a sua foto, sem tanta nitidez e um pouco apagada.- Mas? Essa foto é minha. O que faz nesse vídeo? Sete mil visualizações!Ela colocou o fone de ouvido e abriu o vídeo. A imagem do deputado amazonense com a repórter local.- Tudo indica que a Carmen está viva, deputado?Indagou a repórter ao parlamentar.- Exato. Autorida
Angelita socorreu Damiana, já refeita do susto ao ver Celeste recobrar a memória.- Damiana, sua bruxa. Você me empurrou da escada? Sua casa é estranha, já lhe disse pra tirar esses degraus. O que estou fazendo aqui, Endrigo?- É uma longa história, dona Consuelo.O rapaz levou um tapa no ombro.- Desde quando sou dona. Já lhe falei que gosto de ser chamada de Consuelo apenas. Dona, senhora, isso é tratamento para velhotas. Eu estava no iate com a comendadora Cacilda, em La Unión. Eu estava no convés com aquele. Deixa pra lá.- Me desculpa, Consuelo.- Eu, einh? Estão muito estranhos para o meu gosto. Já eram estranhos. Ai, minha cabeça.- A senhora, quer dizer, você bateu a cabeça ao cair da escada. Felizmente, era de poucos degraus.Consuelo encarou Angelita.- Que moça linda! É médica?- Sou sim. Damiana e Endrigo me contrataram pra cuidar da, de você.- Está bem. Temos um ótimo convênio na fundação Hermann. Onde está a Cacilda, Endrigo.- Ela? Não sei, sinceramente. Eu não sei de
Jheniffer entrou no escritório. - O edifício de vidro!Apollo tomou um susto e saiu da frente do notebook.- O que? O que tem o edifício de vidro, querida?- Estela estava no edifício de vidro, foi sozinha para o passeio, lembra? Temos que comparar os horários de seu passeio com a hora aproximada das mortes de Ronald e esposa.- Está suspeitando que a Carmen pode ter relação com as mortes em Nova York?- Se ela for realmente a guerrilheira, por quê não? Ronald deixou escapar que ela e Velasco estariam de olho no capital liberado a fundação. Talvez ela temesse que Ronald os delataria?- De fato, faz sentido.Jheniffer puxou uma cadeira para ficar perto dele. Apollo acessou a galeria de fotos da equipe em Nova York.- Aqui estão, as seis fotos enviadas por Estela. Pode anotar os horários?- Pode mandar.Jheniffer anotou os horários das fotos. Apollo entrou nas páginas dos jornais americanos que noticiaram a morte de Ronald. Ele entrou nas páginas da ACNUR e da ONU.- Os jornais estampa
Jheniffer foi ao quarto dos pais.- Preciso de ajuda com a gravata.- Não olhem pra mim. Vou interfonar e chamar o Apollo.Disse ela ao pai, com a gravata no ombro.- O senhor está um gato, papai.- Obrigado, Jheniffer. Apollo insistiu para que eu usasse terno e fosse bem trajado ao casamento de Stefany.- Sim. É o sogro do CEO da fundação Hermann. Um homem importante e especial na América Latina. Por sinal o meu noivo. Apollo está vindo.Minutos depois, Apollo entrou.- Me chamou, amor? Olá, senhor Roberto.- Chamei. Meu pai precisa dar o nó na gravata. Eu sei mas não igual a você.- Opa. Será um prazer ajudar o meu futuro sogro.Apollo pegou a gravata. Em segundos, Roberto estava com a gravata colocada.- Pronto. O senhor pode regular o nó assim.- Muito obrigado, Apollo.Helena veio até eles, com um vestido marsala.- Uau. Mamãe está linda.- Não posso discordar de Jheniffer. Estão maravilhosos.Jheniffer tirou foto dos pais.- Celeste foi cedo para o spa, para se produzir e ajudar
São Paulo, inverno brasileiro.- Hora de voltar a realidade, bebê.Jheniffer saiu da cama, dando as costas para Bruno, o rapaz de ombros largos e abdômen trincado, esparramado na cama. Ele admirou o corpo dela. Uma perfeição. Uma grande tatuagem se destacava nas costas da moça. - Linda essa tattoo. O que significa?Ela se virou.- É um nó celta, um amuleto. Significa trindade, unidade e eternidade.- Que profundo.Ele abraçou o travesseiro.- Quero fazer um mantra no braço direito, Bruninho.Jheniffer esvaziou a taça de champanhe. Em seguida, vestiu a lingerie preta.-Seria capaz de ficar a vida inteira aqui, Jheniffer.Ela sorriu.- A vida não é só prazer e glamour.- Seus treinos têm dado resultado. Você está com um corpo incrível.- Sei disso. Você não é o único que repara. Tenho que voltar ao trabalho. Vou passar no fórum pra recolher uns documentos.Ela sentou-se na cama pra calçar as sandálias. Bruno a abraçou.- Foi mara. Teremos um replay?Ela colocou o relógio, a pulseira e
- Sou Alfredo Nascimento, advogado e fiscal do concurso. Que Deus lhe dê em dobro o que fez por mim.Jheniffer estendeu a mão.- Amém. Prazer, sou Jheniffer Stuart, estudante de Direito e, se passar nessa prova, talvez uma funcionária do INSS.Nascimento riu. Ela bateu no ombro dele com a palma da mão, uma de suas manias.- Pode rir. Sei que meu nome remete a personagens de livros de romance americano ou daquelas séries policiais. Acho que foi de onde meus pais tiraram meu nome.- É um nome forte, diferente. Você se expressa muito bem. Já comprovei que é uma pessoa gentil e bondosa. Trabalha onde?-Era garçonete mas fiz um acordo. Forneci o traseiro, a empresa forneceu o pé. Fui despedida por me atrasar. Estou desempregada. Preciso de um emprego pra ajudar meus pais a pagarem minha facul.Nascimento tirou um cartão do bolso.- Nascimento e Gomes Advocacia. Passe lá, na segunda feira. Temos uma vaga de secretária, se quiser. Poderá também me auxiliar nos processos. Ela tremia ao pegar
- Terminei minha rotina, Stefany. Faria uma aula de pilates, se não tivesse que pousar no hospital, como acompanhante do Nascimento.Como de praxe, o movimento da academia aumentou no fim da tarde. Jheniffer e Stefany foram até a área das bicicletas ergométricas.- Vamos pedalar um pouco. Apreciar o movimento e a música.- Você quer dizer paquerar.- Isso, Stefany. Ver se tem carne nova no açougue. Um boy magia ou um novinho.- Esse é o horário dos bombados. Disfarça, Stefany. Tem três deles nos secando, na prancha abdominal. Melhor olhar para a recepção. O próximo que entrar, é seu. Se for um gato, é meu.Stefany lidava bem com o fato dos rapazes terem mais olhos pra Jheniffer, que realmente era linda e chamava muito a atenção.- Jheniffer, você é terrível. Passa o rodo geral. Tirando os instrutores, que são gays por imposição do Michel, todos pagam pau pra você.- Esqueceu das mulheres. Não é minha praia mas respeito. Por enquanto, não.- Olha. Novidade isso. Ficaria com outra mul
Tempo depois, após um banho e um lanche rápido, Jheniffer chegou ao hospital Redenção. Preferiu ir num carro de aplicativo, pra não ter que deixar o seu veículo na rua. Estava de tênis, calça jeans e camiseta. Tinha uma sacola com cobertor e toalha de rosto. Levou um livro, maçãs, uma caixa de bombons e duas tupperwares. Numa delas, torradas com geléia de mirtilo. Noutra, frango grelhado com batata doce e quinoa.- Marcela. Cheguei.Ela abraçou a esposa de Nascimento, na recepção do hospital.- Que bom que veio, Jheniffer. Fred, meu sobrinho, ficou com ele um pouco. Nascimento ainda está dormindo. Já está no quarto, o que é ótimo. Eu entrei pra vê-lo, rapidinho.- Está bem. Que boa notícia. Ele vai se recuperar. Vim de máscara contra o Covid19, ainda que as medidas de proteção tenham diminuído, estamos num hospital. Trouxe até meu álcool gel. Eu assumo o turno da noite. Precisarei de carona, amanhã cedo.- Sem problemas. Eu virei, às seis da manhã, na troca de turno. Eu a levarei, c