O dia amanheceu cinzento, como se o próprio céu estivesse de luto. Aurora vestiu-se de preto, o tecido pesado cobrindo seus ombros enquanto ela encarava o espelho. O rosto pálido refletido ali parecia pertencer a outra pessoa. Os olhos fundos, a expressão vazia, os lábios apertados para conter tudo o que insistia em transbordar. Ainda não parecia real, ainda não fazia sentido. Os procedimentos para o sepultamento foram rápidos. Ela não teve tempo de pensar, apenas seguiu o protocolo, assinou os papéis necessários, lidou com as formalidades como se estivesse no automático. O hospital, a funerária, o cemitério. Tudo aconteceu como uma sequência de eventos sem controle, e antes que pudesse processar, ali estava ela, diante do túmulo aberto, segurando uma rosa branca entre os dedos gelados. Poucas pessoas compareceram. Apenas algumas amigas, que a abraçaram e tentaram oferecer conforto, mas ninguém poderia preencher o vazio que crescia dentro dela. Seu pai não era um homem de muitos la
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