Hoje era um daqueles raros dias ensolarados em que a cidade parecia mais animada que o habitual, mas para mim, dentro da pequena floricultura, o contraste era quase cruel. A luz entrava pela vitrine, iluminando as flores perfeitamente arrumadas, mas não fazia nada para atrair os olhares dos pedestres apressados.Eu estava ajustando o laço em um arranjo de tulipas amarelas, meu olhar fixo nos detalhes, tentando ignorar o sentimento de inutilidade. As tulipas eram vibrantes, suas pétalas ainda com o frescor do orvalho matinal, mas havia algo em mim que sabia que ninguém se importaria.Os clientes pareciam nunca se importar.— Bom dia! — chamei, me esforçando para parecer animada, quando vi uma mulher de meia-idade passar pela vitrine.Ela hesitou, os olhos brevemente repousando nas flores, mas seguiu em frente sem sequer olhar para dentro da loja.Eu senti meu rosto esquentar.— Obrigada por nada! — murmurei para mim mesma, a voz carregada de frustração.Fe
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