《Matteo》 Felix pigarreia, tentando suavizar o clima. - Então... - Ele tosse discretamente antes de continuar. - Devia nos contar como foi a viagem. Você deixou a cidade do nada, e Melyssa comentou que foi estudar na Inglaterra. Fico aliviado por ele ter tomado a iniciativa de guiar a conversa para esse rumo. Sempre tive curiosidade sobre o tempo que Phani passou fora, sei muito pouco. Melyssa nunca foi do tipo que fala sobre a vida da amiga, e o que descobri foi apenas por coincidência ou por trechos soltos de conversas que acabei ouvindo. Sei que Phani conseguiu uma bolsa na universidade dos seus sonhos, mas nada além disso. - Sim, consegui uma bolsa de estudos lá. - Sua resposta é breve, como se quisesse encerrar o assunto antes mesmo de começar. Me inclino levemente para frente, interessado. - Fiquei sabendo que foi aceita na Queen Mary University of London. - Meu tom é genuíno. - Lembro que sempre foi seu sonho estudar lá. Catarina, que até então escutava em silêncio,
《Matteo》 Deixo minha mãe em casa e, assim que chego ao prédio onde Melyssa e Phani moram, percebo que ambas estão dormindo. O silêncio dentro do carro só é interrompido pela respiração tranquila das duas. Melyssa insistiu para que Phani ocupasse o banco do carona comigo, mas ela se recusou, dizendo que minha mãe deveria ir à frente. No entanto, minha mãe também recusou e insistiu para que Phani fosse. Observo Phani por um instante. Seu rosto sereno, levemente iluminado pelos postes da rua, me prende mais do que deveria. Suspiro, afastando esses pensamentos, e finalmente decido acordá-las. - Meninas, chegamos. - Minha voz soa firme, mas não alta o suficiente para assustá-las. Phani desperta lentamente, piscando algumas vezes antes de me encarar com uma expressão sonolenta. Já Melyssa apenas resmunga algo incompreensível e se aninha ainda mais no banco, completamente alheia ao que acontece ao seu redor. Phani me olha e sorri. - Acho que você vai ter que subir com ela. Você sa
《Sthephania 》 Matteo me observa intensamente, dando um passo à frente, diminuindo perigosamente a distância entre nós. - Do que você tem tanto medo? - Sua voz soa baixa, quase um sussurro, carregada de algo que não consigo decifrar. Engulo em seco, sentindo meu coração disparar. Tento manter minha compostura, mas minhas palavras saem trêmulas. - Eu... eu não tenho medo. - Gaguejo, traindo minha própria mentira. Ele dá mais um passo, e eu me vejo incapaz de recuar. Meus pés parecem presos ao chão, enquanto o calor do seu corpo ameaça consumir o pouco de sanidade que me resta. - Você ainda sente algo por mim? - A pergunta vem carregada de um misto de curiosidade e provocação, e sua proximidade me deixa tonta. Meu instinto grita para fugir, mas quando tento me afastar, tropeço desajeitadamente nos próprios pés. O impacto iminente me faz arregalar os olhos, mas antes que eu atinja o chão, Matteo age rápido e tenta me segurar. O problema é que ele também perde o equilíbrio, e,
《 Sthephania》■ Manhã SeguinteLevanto-me tarde. O sono foi inquieto, repleto de pensamentos que se recusavam a me deixar em paz. O peso das lembranças ainda se faz presente quando, finalmente, decido sair da cama. O relógio já marca depois do meio-dia.Ao sair do quarto, encontro Mel na sala. Ela está sentada no sofá, descalça, folheando uma revista qualquer. Assim que me vê, sorri radiante.- Bom dia, flor do dia! - Sua voz animada preenche o ambiente.- Na verdade, boa tarde. - Minha tentativa de sorriso é forçada.Ela me observa por um instante, inclinando a cabeça de lado. Seu olhar analítico percorre meu rosto, e eu sei exatamente o que vem a seguir.- O que aconteceu com você? - Ela se levanta e se aproxima, estreitando os olhos. - Seus olhos estão inchados.Tento não desviar o olhar. Não posso permitir que ela descubra a verdade.- Eu estou bem, deve ser alguma alergia. - Minto, mas minha voz vacila levemente.Mel cruza os braços, desconfiada.-
Estou saindo do banho quando alguém bate à porta e, ao atender, me deparo com Catarina. — O que você quer? — pergunto, sem esconder minha surpresa. — É assim que você recebe sua melhor amiga? — Ela me olha feio e entra sem esperar convite. Suspiro, fechando a porta atrás dela. — Só não estava esperando sua visita. Achei que fosse Melyssa, já que ela esqueceu a chave de novo. Eu preciso me vestir. Você espera até eu... Ela me interrompe. — Você faltou à aula hoje. Queria saber se está tudo bem e trouxe as anotações. Além disso, temos um trabalho para terminar juntos. Você esqueceu? Passo a mão pelos cabelos ainda úmidos e solto um suspiro cansado. — Podemos fazer esse trabalho outro dia. Não estou com cabeça para nada hoje.Meu telefone começa a tocar sobre a mesa da sala. Vou até ele e, ao ver o nome de Phani na tela, ignoro a ligação. — Você quer alguma coisa para beber antes de ir? Catarina cruza os braços e me encara com um beicinho indignado. — Você realmente está me ex
《Sthephania》Quando completei dezoito anos, decidi estudar em Londres.A convivência com meu pai se tornava cada vez mais insuportável, especialmente por causa de Selma, minha madrasta. Além disso, ele jamais apoiou minha escolha profissional, insistindo para que eu cursasse Direito a fim de, um dia, herdar seu prestigiado e renomado escritório de advocacia em Nova York. Por dois anos, vivi presa a uma graduação que nunca desejei, até que, finalmente, fui aceita na Queen Mary University of London — a universidade dos meus sonhos. Essa foi minha chance de partir.Londres me acolheu exatamente como eu esperava. Longe da sombra do meu pai, pude, enfim, seguir meu próprio caminho. Formei-me em Engenharia de Software e Hardware, um campo que sempre me fascinou. Conquistar esse diploma por mérito próprio me proporcionou uma satisfação indescritível.Agora, anos depois, estou de volta a Nova York.---O som abafado das rodinhas da minha mala deslizando pel
《Sthephania 》 Chegamos ao meu apartamento. Fico parada por um instante, observando cada detalhe. Eu havia me esquecido de quanto esse lugar carrega lembranças. Minha mãe sempre contava, com orgulho, sobre como conseguiu adquiri-lo com muito esforço e trabalho. Vinda de uma família simples, sua realidade era completamente diferente da do meu pai, que nasceu em berço de ouro. Ela precisou economizar e se dedicar muito aos seus projetos para finalmente comprá-lo. Lembro-me do dia em que decidi morar aqui, no início da minha faculdade de Direito. Eu tinha apenas dezesseis anos, e meu pai ficou furioso, afirmando que jamais concordaria com essa mudança. Mas, determinada, peguei minhas coisas e vim do mesmo jeito. Apesar de não gostar nem um pouco, no fim, ele acabou aceitando. Passei momentos incríveis aqui e agora percebo o quanto sinto falta de cada um deles. Enquanto desfazemos as malas, Wendy conversa animadamente. — Estou tão feliz que finalmente foi transferida para mais perto
《Sthephania 》 Acordo sobressaltada com o barulho de algo caindo. Ainda sonolenta, abro os olhos e vejo Matteo xingando baixinho um móvel contra o qual bateu, derrubando algumas coisas no processo. Meu coração dá um salto. Eu já havia visto algumas fotos dele no perfil da Mel, mas, pessoalmente, a diferença era gritante. Ele tirou os óculos, ganhou ainda mais músculos — não que antes não tivesse, mas agora estavam ainda mais definidos. O cabelo, que antes caía até os ombros, foi cortado curto, e uma barba rala delineava seu rosto. Embora eu adorasse seus cabelos longos, preciso admitir: ele continua perfeito. Seus olhos cor de avelã me encaram em silêncio, e, por um momento, me pergunto se ainda estou sonhando. Sou arrancada desse devaneio quando meu despertador começa a tocar. — Desculpa, não queria te acordar — diz ele, com um sorriso sem jeito que faz meu coração derreter por dentro. — Na verdade, eu já ia acordar… Seriam só alguns segundos depois, mas ia — brinco, tentando a