Enquanto vê Marina com os olhos incrédulos, Rodrigo assente, com o olhar pesado.— Aparentemente, ela planejou tudo com o Xavier. Mas as coisas saíram do controle. Agora ela vai ter que enfrentar as consequências.Enquanto isso, Joana continua a protestar, seu orgulho ferido fica mais evidente do que nunca.— Vocês estão cometendo um engano! Sou inocente! — clama, com a voz ecoando pelo corredor.Marina observa a cena, seu coração fica dividido entre o alívio de saber que a justiça estava sendo feita e a tristeza de ver o que a ambição e o ódio tinham feito àquela família. Valentina aperta levemente sua mão, oferecendo um apoio silencioso.— Senhora Joana Ferraz, a senhora está sendo presa sob a acusação de ser a mandante da tentativa de assassinato contra Victor Ferraz — anuncia um dos policiais, com voz firme e autoritária. — A senhora tem o direito de permanecer em silêncio. Tudo o que disser poderá e será usado contra a senhora em um tribunal.— Isso é um absurdo! — ela protesta,
As horas passam, arrastando-se como se o tempo estivesse conspirando contra eles. Cada segundo parece uma eternidade, e a incerteza se torna um peso insuportável. O silêncio no corredor é interrompido apenas pelo som ocasional de passos apressados ou de vozes murmuradas. Marina, Rodrigo e Valentina permanecem ali, em uma vigília tensa e silenciosa, aguardando qualquer sinal de mudança no estado de Victor.Finalmente, após o término da cirurgia e o controle da hemorragia, Victor é transferido para a UTI. A notícia traz um pequeno alívio, mas o fato de ele ainda estar em estado crítico mantém todos em alerta. Desesperada para ver o marido, Marina segue o médico responsável enquanto ele atualiza uma enfermeira sobre o caso.— Doutor, por favor… — diz ela, emocionada. — Preciso vê-lo. Ele é o meu marido… Não posso ficar sem saber como ele está.O médico a olha com compaixão, mas também com profissionalismo.— Senhora Ferraz, entendo a sua angústia, mas o momento agora é muito delicado. Vi
Na delegacia, o caos é evidente. A entrada de Joana Ferraz atrai uma multidão de jornalistas e curiosos. Repórteres cercam a viatura que a trouxe, enquanto câmeras e microfones se estendem em sua direção. O barulho é ensurdecedor, e as perguntas vêm de todos os lados:— Senhora Ferraz, a senhora planejou realmente tirar a vida de seu filho? — O que tem a dizer sobre as acusações? — É verdade que a senhora confessou no hospital que o alvo era a noiva?Joana mantém a cabeça erguida, mas o olhar é gélido. Ela não responde nada, apenas segue em direção à delegacia, escoltada pelos policiais. Entretanto, sua postura de altivez começa a desmoronar à medida que os flashes das câmeras iluminam seu rosto e o som das palavras “mãe assassina” ecoam ao seu redor.Enquanto isso, a notícia ganha proporções avassaladoras. Manchetes surgem em todos os portais de notícias e redes sociais:“Socialite encomenda assassinato do próprio filho no dia do casamento.” “Joana Ferraz: A mãe que quis ver o fil
Na delegacia, ele é recebido pelo delegado:— Senhor Ferraz, sei que este é um momento delicado, mas precisamos de sua colaboração. Sua mãe está negando envolvimento direto, mas temos provas contundentes que apontam o contrário.— Auxiliarei no que for preciso. Tudo o que quero é que o Victor sobreviva e que os responsáveis paguem pelo que fizeram.O delegado assente, admirando a determinação no olhar de Rodrigo, apesar do sofrimento evidente.— Sua mãe revelou que um voo programado para fora do país, usando o nome dela, na verdade, foi organizado por seu pai. Entramos em contato com a empresa responsável pelo voo e descobrimos que o avião já decolou com destino a Singapura. Estamos coordenando com as autoridades locais para interceptá-lo assim que pousar — informa o delegado, enquanto ajusta alguns papéis sobre a mesa, com um semblante grave.Fechando os olhos por um instante, Rodrigo tenta conter a raiva que pulsa em suas veias. Ele abre os olhos lentamente, encarando o delegado com
Enquanto programa uma transação milionária para sua conta no exterior, Xavier faz um movimento repetitivo de abre e fecha com as mãos, uma tentativa involuntária de aliviar a tensão que corria por seu corpo. A sala ao seu redor está mergulhada em um silêncio inquietante, interrompido apenas pelo som rítmico das teclas do computador. Ele sabia que aquele era o momento de agir, a oportunidade perfeita que aguardara para se livrar de Joana e de toda a farsa que havia se tornado sua vida.Desde a última conversa com a esposa, percebeu que Joana estava mais vulnerável do que nunca. Suas emoções, antes contidas e estrategicamente calculadas, estavam agora à flor da pele. Isso o fez enxergar uma brecha, um caminho para sair daquele casamento sufocante, mas não sem garantir que sairia por cima.Ele revisa os números na tela, confirmando cada detalhe da transação. Cem milhões de dólares seriam transferidos para uma conta estrangeira, estrategicamente localizada em Singapura. Uma parte do dinhe
Vinte e quatro horas depois, Xavier está a poucos minutos de aterrissar em Singapura, o local que escolheu meticulosamente para dar início à sua nova vida.— Finalmente… — murmura, ajustando o relógio no pulso.Durante aquelas horas no ar, ele revisou seus planos, conferiu a movimentação de suas novas contas no exterior e relembrou os passos que o levariam a uma vida de anonimato e luxo. Tudo parecia exatamente como ele havia planejado.“Singapura é perfeita”, pensa. “Ninguém me encontrará aqui, e com o dinheiro que consegui transferir, viverei muito bem.”Após o pouso, enquanto a tripulação se movimenta, preparando-se para desembarcar, Xavier sente o celular vibrar no bolso. A mensagem que chega é de um número desconhecido. Ele hesita por um momento antes de abrir.“Sr. Ferraz, bem-vindo a Singapura. Estamos monitorando o desembarque. Assinado, Polícia Internacional.”Seu coração dispara. A sensação de controle absoluto que ele tinha há poucos minutos é substituída por uma onda de pân
Quando Xavier chega ao Brasil, está praticamente irreconhecível. Seu rosto está inchado, com marcas visíveis que denunciam a “conversa” severa que teve com os policiais internacionais antes de ser extraditado. Cada hematoma e corte é um testemunho silencioso do nervosismo e do desespero que viveu nas últimas horas. Mesmo assim, ele mantém o semblante rígido, tentando esconder o desconforto físico e a humilhação de estar naquela situação.Entretanto, o que mais o incomoda não são as dores espalhadas pelo corpo, mas a lembrança de como foi forçado a assinar um documento afirmando que havia sido tratado humanamente bem enquanto esteve sob custódia. Ele não assinou por vontade própria, claro; o fez apenas para pôr fim às agressões e ser finalmente enviado de volta ao Brasil, onde acreditava que poderia retomar o controle da situação.No aeroporto, a recepção está longe de ser calorosa. Jornalistas e câmeras de diversas emissoras aguardam do lado de fora, famintos por imagens do homem que
— Me tirem daqui, não sou obrigado a escutar um monte de baboseira de uma pessoa insignificante — Xavier diz, com a voz de desdém, tentando mascarar qualquer resquício de remorso. Seu olhar é frio e calculista, enquanto tenta se livrar da energia que o olhar de Marina deixou em sua consciência.Um dos policiais que o acompanha para e se vira para ele, claramente irritado pela atitude.— Insignificante? — o policial repete, com um tom seco e firme. — Insignificante é quem tenta matar o próprio filho e ainda tem coragem de agir como se fosse a vítima.Se remexendo na cadeira de rodas em que havia sido colocado, Xavier tenta parecer superior, mas o comentário do policial o deixa ligeiramente desconfortável.— Não é o seu trabalho me julgar, seu imbecil — retruca, elevando a voz. — Faça o seu papel e me leve para onde tenho que ir.O paramédico que empurra a cadeira lança um olhar de reprovação, mas mantém-se em silêncio. Já o segundo policial, que está ao lado de Xavier, cruza os braços