Um amor Quase perfeito
Um amor Quase perfeito
Por: Celmesquita
Wendel/Wendy

Wendel/Wendy

Wendy acordou e pulou rápido da cama. Hoje seria o primeiro dia de trabalho com o novo proprietário da empresa onde ela trabalha há dois anos. Em hipótese nenhuma poderia se atrasar.

Se vestir era um tanto complicado e colocar toda aquela Parafernalha para disfarçar seu belo corpo era muito cansativo, o enchimento era bem apertado. Mas, servia bem ao propósito, fazer seu corpo parecer masculino.

Quarenta minutos depois estava perfeito, nem uma sombra de seios ou cintura fina, mas não dava tempo de tomar o café da manhã. Com um pouco de sorte compraria algo na cafeteria próximo a empresa.

Deu um beijo rápido em sua mãe e saiu apressada.

- Toma café filha.

- Não dá tempo mãe. Hoje não posso me atrasar. Vou indo.

- Bom trabalho meu amor.

Débora sente pena de sua pobre filha. Tão responsável, abriu mão da beleza e da juventude para assumir a família. Wendy tinha uma vida de atleta antes de perder o pai e o irmão gêmeo em um acidente fatídico. Com um metro e setenta e quatro e mais alto que a maioria das mulheres. Cabelos pretos, olhos castanhos e um corpo bem delineado principalmente por fazer exercícios, podia se dizer que ela era uma mulherão. Mas infelizmente ninguém poderia apreciar sua beleza. Meiga, formada e inteligente ela é o orgulho da mãe. Já a outra filha Walquíria não queria nada com a dureza.

Walquíria era dóis anos mais velha que Wendy, nunca teve um trabalho na vida e vivia de balada. Raro passar uma noite em casa.

Fora de casa agora ela é Wendel, identidade do irmão que ela herdou há dois anos para entrar nesse trabalho.

- Bom dia Liz!

- Bom dia Wendel, saiba que logo o novo exército já está chegando.

- Liz não tive tempo para o café da manhã, se arrumar um tempinho pega alguma coisa para mim?

- Deixa comigo, eu mando para você.

- OK. Vou ficar te você devendo essa.

O Prédio da Solar Empreendimento fica na região da Pampulha, em Belo Horizonte. Área nobre da capital mineira que guarda grande acervo da cidade.

Sua posição privilegiada de frente para a lagoa dava uma sensação de paz e Wendel adorava trabalhar ali. Praticamente todos os escritórios tinham vista para a lagoa.

Wendel abriu o andar da presidência e pouco depois o novo dono chegou com sua equipe, Homens de ternos pretos e mulheres elegantes em saltos altos.

- Bom dia senhoras e senhores! Sejam bem vindos, meu nome é Wendel Marques, secretário assistente da presidência.

Alguns responderam e outros apenas o olharam sem interesse.

-Bom dia! Eu sou Rui Castilho. Por favor, aloque meu pessoal.

O Dono dessa voz poderosa era um belo exemplar do sexo masculino. Um metro e noventa de altura embalado em um elegante terno cinza claro, o que o diferenciava dos pinguins à sua volta. Rosto marcante, bem barbeado e cabelos castanhos bem cortados sem um único fio fora do lugar. Os olhos verdes folha seca lembravam um gato fofo. Por um segundo, Wendel se perdeu naquela visão quase divina.

Após orientar o jovem assistente, entrou em seu escritório, acompanhado de seu advogado e melhor amigo, Leonardo.

- Pode deixar o Sr Castilho. Srs, por aqui, por favor.

Wendel os conduziu ao salão de reunião onde a mesa de café estava postada e os convidou a sentar. Seu estômago reclamou diante da farta mesa, mas ela ignorou e se colocou a trabalhar.

- Senhores organizamos as chaves de cada setor. Vamos começar com os engenheiros. O andar de vocês e o décimo nono.

Entregou as chaves para quatro das dezoito pessoas à sua frente.

- Os arquitetos vão para o décimo oitavo andar.

Duas mulheres e um homem receberam as chaves.

- O gerente de compras décimo sétimo andar.

- Gerente de RH décimo sexto andar.

- Departamento de vendas..

E por fim sobraram duas mulheres.

- Desculpa, não identifiquei a posição de vocês.

- Vamos ocupar sua vaga. Somos secretárias da presidência.

Heloísa falou com um certo deboche.

- Certo Sra. Vou verificar e já retorno.

- O que tem para ser verificado? E só desocupar sua mesa e a gente começa.

Wendel fez de conta que não entendeu e se retirou fechando a porta atrás de si. Porém, estava tenso com a possibilidade de perder o emprego pelo qual sacrificou sua identidade.

- Com licença Sr Castilho.

Bateu e entrou no escritório do novo presidente.

- Pode entrar.

- Gostaria de saber onde o Sr quer que eu coloque as duas secretárias.

- Que pergunta é essa?

- O antigo dono não tinha secretárias mulheres nesse andar. Devo dar a elas uma sala ou o Sr quer que fiquem em uma mesa na sua sala?

- De jeito nenhum. Dê uma sala a elas.

- Certo Sr Castilho. Só mais uma pergunta.

Rui falou sobre os ombros impaciente.

- Diz.

- Qual é minha posição agora?

- A mesma coisa que tem. Só que em vez de um assistente, serão dois.

-Entendido. Achei que seria dispensado.

- Você foi muito bem recomendado pelo Queiroz e conhece toda a rotina da empresa. Preciso de você aqui. Se você estiver pensando em sair, preciso que treine alguém para seu lugar.

- Não senhor, não pretendo deixar a empresa.

Wendel estava aliviado.

- Então ao trabalho.

- Certo, obrigado Sr Castilho.

Saiu e providenciou uma sala ao lado da sua para as duas secretárias. Desde já sentia que essas duas iriam dar trabalho. Eram arrogantes e autoritárias.

O dia foi puxado para Wendel, o telefone em sua mesa não parava de tocar. Cada departamento tinha seus funcionários, mas todos ligavam para ele até para reservar o lugar para almoçar. No final do dia ele mal estava se aguentando em pé.

Quando finalmente desceu para o estacionamento em busca do seu carro, um gol prata de modelo popular, ele estava preso pelos belos carros caros dos novos funcionários.

Sem saber a quem pertenciam e sem ânimo para esperar a chegada deles, resolveu ir embora de Uber seria mais rápido e menos cansativo.

Chegou em casa já eram mais de oito da noite.

- Boa noite mãe!

A mãe sempre o esperava na sala e depois iam jantar. Na maioria das vezes, Walquíria não estava em casa.

- Boa noite meu amor. Como foi o dia com o novo patrão?

- Nunca trabalhei tanto. O pessoal só me acha para tudo. São incapazes de se virar.

- Normal, quando se acostumarem, vão se arranjarem melhor.

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