Lorenzo recebeu o café da manhã das mãos do mordomo e foi abrindo cada pote com cuidado, arrumando tudo na mesinha de cabeceira. O gesto deixou o mordomo de queixo caído.— Senhor, deixa que eu sirvo. — Disse o mordomo, querendo confirmar se Michele era mesmo namorada do Lorenzo ou só estava fazendo charme pra enganar a matriarca da família.Lorenzo percebeu a intenção e, com um olhar sério, respondeu: — Ué? Não posso cuidar da minha namorada? Ou será que depois desse tempo fora de casa, você está esquecendo como as coisas funcionam aqui? — Jamais, senhor. Só queria ajudar, masse o senhor prefere assim, vou voltar pros meus afazeres. — O mordomo enrolou, recuando devagar.Lorenzo fez que sim com a cabeça e sentou na beirada da cama, pegando a colher para dar a canja pra Michele. — Vai devagar que está quente. Essa canja é boa pra recuperação. Se gostar, posso pedir para fazerem sempre que você quiser. Pode pedir o que quiser. — Fala sério? Não está me enganando, né? — Michele entro
Michele lançou um olhar de reprovação para Marcelo. Percebendo o constrangimento da tia após o encontro às cegas, Esther deu um tapinha solidário no ombro dela.— Relaxa, vai. O Marcelo só queria ajudar, mas acabou metendo os pés pelas mãos. Você deve estar exausta, vai descansar um pouco. Quando der meio-dia, preparo uma comidinha especial pra você. — Você é um anjo, sabia? — Michele deu um beijo carinhoso no rosto de Esther antes de subir as escadas com passos ligeiros.Esther não deixou de notar algo peculiar no olhar de Marcelo. Aquele brilho característico de quem guarda um segredo, como um predador astuto à espreita. Ela se aproximou dele com sutileza, enlaçando seu braço e se recostando em seu corpo. — E aí, Sr. Marcelo, está escondendo alguma coisa boa de mim, é? Com uma mulher deslumbrante em seus braços, como poderia Marcelo resistir? Ele se inclinou e a beijou com tamanha paixão que Esther quase perdeu o fôlego. — Fala logo, que história boa é essa? — Insistiu Esthe
O olhar penetrante de Esther fez com que Bruno sentisse calafrios percorrendo sua espinha. Se não fosse pelos longos anos de experiência no ramo de vendas, certamente teria perdido o controle da situação.Após instantes de visível indecisão, ele finalmente se aproximou de Marcelo, forçando um sorriso nervoso e adotando uma postura quase suplicante:— Confio no senhor para resolver essa questão da remessa, Sr. Marcelo. Estou realmente sem saída neste momento.Marcelo se inclinou ligeiramente para frente, apoiando os cotovelos na mesa, e questionou com firmeza:— Se não me engano, você mantinha negócios com o Grupo Andrade regularmente. O que aconteceu para interromperem essa parceria? Seu rosto empalideceu enquanto tentava, sem sucesso, articular uma resposta coerente. Após várias tentativas frustradas, deixou escapar um profundo suspiro pesado.Algo claramente não estava certo. Relacionamentos comerciais não costumavam terminar daquela maneira tão abrupta. Com um gesto sutil, Marcelo
Ao chegar em casa, Esther ligou para Marcelo e logo depois instruiu seu advogado a fazer contato com a Sra. Andrade. Na cabeça dela, o caso já estava encerrado.Ela subiu as escadas até o quarto onde o filho descansava e, ao encontrá-lo aparentemente adormecido, voltou para baixo a fim de preparar o jantar. No instante em que a porta se fechou, Estélio se ergueu na cama e, com a voz baixinha, murmurou:— Vovô, você escutou nossa conversa de antes? — Escutei, sim. Tem alguém enchendo o saco de vocês? — Tem sim, vovô! A gente precisa da sua ajuda. Não podemos deixar ninguém prejudicar a mamãe. Quem mexe com a mamãe está mexendo com você também. — Antes mesmo de ouvir uma resposta, Estélio continuou. — Vovô, você é rico? Tipo, muito, muito rico mesmo? Dá para me emprestar uma grana?— Claro que tenho dinheiro, meu neto. Você não precisa se preocupar. Seja dinheiro ou qualquer outra coisa, vou dar um jeito. Fica tranquilo que eu cuido de tudo.Num piscar de olhos, o Faraó mandou seus hom
— Não é isso... Apenas... Não estou habituada a este tipo de situação. — Gaguejou Michele, sentindo o rosto arder de vergonha.Ela não conseguia compreender por que motivo Marcelo havia solicitado, tão repentinamente, que ela, funcionária do departamento publicitário, se encontrasse com Lorenzo. Deu voltas e mais voltas em sua mente sem identificar qualquer possível parceria de publicidade com o Grupo Andrade. Até que, num lampejo súbito, uma terrível suspeita invadiu seus pensamentos. Seu coração gelou em um instante.Com o peito oprimido pela ansiedade, entrou na sala de reuniões apenas para constatar que Marcelo não se encontrava na empresa. Naquele instante, um desejo incontrolável de matar alguém tomou conta dela.— Aceita um chazinho, Srta. Michele? — Indagou Lorenzo.Ele tinha plena consciência de que ela havia sido enganada para comparecer àquele encontro, mas optou por não expor Marcelo. Se o homem havia arquitetado aquilo, provavelmente já intuía as intenções de Lorenzo. Send
A secretária se encontrava mais aflita que a própria Michele e, dominada pelo pânico, tentou contatar Marcelo, porém só conseguia ouvir o sinal de ocupado.— Deixa para lá, não precisa mais ligar. Chama uma ambulância imediatamente e informa que alguém foi drogado! — Ordenou Michele.— Srta. Michele, quem foi drogado? O que está acontecendo? Fui eu mesma quem preparou o chá, juro pela minha mãezinha que não coloquei nada! Acredita em mim, por favor, não fiz absolutamente nada! — Suplicou a secretária, agarrando a mão de Michele em desespero total.Contudo, Michele a repeliu com um empurrão brusco.Do outro lado, na sala de reuniões, se escutou o estrondo de algo desabando. Michele correu até lá, escancarou a porta e se deparou com Lorenzo se contorcendo de dor no chão, com uma cadeira tombada ao seu lado.— Não se aproxime! — Alertou ele. — Caramba... Marcelo exagerou, colocou uma substância forte demais. — Eu... Eu vou chamar uma ambulância agora mesmo! Aguenta aí! — Gritou Michele.
O silêncio do escritório foi interrompido quando Esther empurrou a porta, a fechando com cuidado atrás de si.— Aconteceu alguma coisa com Lorenzo por aqui? — Indagou ela, preocupada. Ao perceber Marcelo concentrado nas imagens das câmeras de segurança, baixou instintivamente o tom de voz. — O que está havendo? Não me diga que foi você...Sem tirar os olhos da tela, Marcelo ergueu uma sobrancelha, respondendo com um tom levemente ofendido:— Sério mesmo que você pensou nisso?Na tela, a cena se desenrolava. A secretária saía da copa quando uma sombra misteriosa surgiu no canto. Com um gesto rápido, Marcelo chamou a atenção de Esther.Nem precisava. Os olhos dela já estavam magnetizados pela imagem, enquanto uma inquietação incômoda crescia em seu peito. Aquela silhueta tinha algo perturbadoramente familiar.Aquela pessoa parecia conhecer exatamente os pontos cegos das câmeras. Era verdade. O invasor deixava apenas um vulto de costas visível. Com o boné estrategicamente posicionado, imp
— Essa é sua esposa, não é mesmo? — Indagou Lorenzo com um sorriso caloroso, olhando de um lado para o outro. — Dá para perceber de longe que são marido e mulher. Não é à toa que se entendem tão bem!Ao ouvir aquilo, Esther teve uma ideia repentina. Depositou a cesta de frutas sobre a mesa com cuidado e, puxando um banquinho próximo, se acomodou ao lado da cama hospitalar.— Ter harmonia não significa necessariamente ter aparência de casal. — Retrucou ela com delicadeza. — O que realmente importa é o sentimento verdadeiro entre duas pessoas. Quanto ao senhor, sendo tão extraordinário como é, certamente vai encontrar alguém especial.Ela evitou mencionar nomes propositalmente, na esperança de que Lorenzo revelasse por conta própria seus sentimentos por Michele.Longe de ser ingênuo, Lorenzo deu um leve sorriso antes de responder:— Acho que essa sorte me escapou. Na juventude, fui obstinado demais, competitivo demais... Acabei desperdiçando minhas chances. Agora estou apenas colhendo o