— Não! — Duarte recusou sem hesitar, falando com seriedade. — Você já cresceu, não é mais uma criança. Eu sou um homem feito, e agora é tarde da noite. Se ficarmos sozinhos assim, que tipo de situação será essa? Naiara, no entanto, retrucou: — Entre um irmão e uma irmã, qualquer pessoa normal não pensaria nada demais. A menos que essa pessoa seja suja e cheia de desconfianças! Ou será que você tem medo de que a Lorena fique brava? Duarte a repreendeu com um tom frio: — Lorena? Desde quando você a chama assim? Ela é sua cunhada! O coração de Naiara se encheu de ciúmes de Lorena, mas ela não podia demonstrar. Se sentia sufocada de tanta frustração. Ainda assim, naquela noite, Naiara estava determinada a permanecer naquele quarto e não arredou pé: — Não quero saber! De qualquer jeito, eu não tenho coragem de dormir sozinha! Vou dormir com você! Ela fez birra como uma criança. Pelo menos, aos olhos de Duarte, Naiara não passava de uma garotinha manhosa. Duarte não via nel
Lorena só conseguiu armar uma espreguiçadeira e se recostou nela para descansar um pouco. A dor de cabeça não havia diminuído; pelo contrário, seus ossos doíam cada vez mais, como se uma fadiga exaustiva a consumisse por inteiro. Ela levou a mão à testa e sentiu o calor anormal em sua pele. Parecia estar com febre. Soltando um suspiro, murmurou para si mesma: — Que azar! Com dificuldade, Lorena se ergueu e caminhou até o posto de enfermagem. — Com licença, poderia me dar um comprimido para febre? Acho que estou com febre. A enfermeira deu a ela um olhar compreensivo, mas recusou com delicadeza: — Sinto muito, mas este é o setor de internação. Todos os medicamentos daqui são exclusivos para os pacientes hospitalizados. Você pode encontrar uma farmácia em frente ao hospital ou ir ao pronto-socorro para um exame. Lorena sentia o corpo inteiro dolorido e sem forças. Só de pensar em sair para comprar remédio, seu ânimo desmoronava ainda mais. Sem alternativas, agradeceu
Por isso, Lorena explicou: — Não é como você está pensando. Sou a mãe de Domingos, um paciente do seu setor. Ontem eu só estava com febre. O Dr. Ademir achou que eu não tinha onde dormir e, por isso, me deixou passar a noite aqui temporariamente. Após a explicação de Lorena, o jovem médico sorriu ainda mais: — Não precisa se explicar, cunhada! Ouvi dizer que ninguém nunca viu o pai do Domingos! A implicação era clara: Lorena era mãe solo, Ademir era pai solo... Os dois formavam um par perfeito. Foi nesse momento que Ademir entrou na sala dos plantonistas. Ao ver que ainda havia gente ali, ele pareceu um pouco surpreso e, raramente, uma expressão ligeiramente constrangida surgiu em seu rosto. Isso não passou despercebido por seus colegas, que sorriram, se divertindo com a situação. Ademir logo recuperou a compostura e perguntou com naturalidade: — Marco, por que chegou tão cedo hoje? Afinal, ainda eram apenas seis e meia da manhã. Marco sorriu e respondeu: — Minha
Lorena voltou apressada para o quarto de hospital de Domingos, sem nem se dar ao trabalho de medir sua própria temperatura. No entanto, não sabia dizer se era por causa da febre ou por outro motivo, mas seu rosto estava quente. Talvez fosse porque nunca teria imaginado que Ademir, o pai da teimosa Alice, a acolheria por uma noite justamente quando ela mais precisava. Lorena apenas esperava que os colegas de Ademir não entendessem tudo errado e acabassem trazendo problemas para ele. Pela manhã, quando Domingos passou pelos exames de rotina, Ademir apareceu. Depois da noite anterior, Lorena se sentia um tanto constrangida ao encará-lo. Domingos já estava acordado quando Ademir se aproximou e lhe disse que, no futuro, deveria ser um bom filho e cuidar bem da mãe. — Sua mãe teve febre alta ontem à noite e, mesmo assim, ficou aqui para cuidar de você. Quando ela envelhecer, você também vai cuidar dela assim? — Perguntou Ademir. Domingos respondeu com seriedade: — Vou, sim.
Afinal, Natacha tinha visto com seus próprios olhos os sentimentos profundos e a obsessão de Duarte por Lorena. Ela simplesmente não acreditava que Duarte usaria uma viagem de negócios como desculpa para ficar com outra mulher, muito menos se essa mulher fosse Naiara. No entanto, Lorena apenas curvou os lábios em um sorriso sarcástico e disse: — Que história é essa de irmão e irmã? Irmão e irmã sem nenhum laço de sangue? Você acredita nisso? As palavras de Lorena deixaram Natacha momentaneamente confusa. "Será possível que Naiara e Duarte realmente tenham esse tipo de relação?" Com esse pensamento, Natacha decidiu: — Vou ligar para o meu irmão. Ela pegou o celular e rapidamente discou o número de Duarte. Naquele momento, Duarte acabava de voltar para casa depois de resolver alguns assuntos do lado de fora. Enquanto isso, Naiara ainda estava irritada porque, na noite anterior, Duarte não havia dormido com ela. Trancada no quarto, se recusava a ver qualquer pessoa.
Naiara levou um susto. Quando Duarte havia falado com ela em um tom tão duro antes? Sem ousar continuar fazendo birra, ela abriu a porta e olhou para Duarte com medo. O rosto dele estava sombrio. — Duarte, o que houve? Entra para a gente conversar! Mas Duarte não deu um passo sequer para dentro. Ficou parado na porta, sem se mexer. Ele a encarou com seriedade e questionou: — Por que você atendeu o meu telefone? Lorena me ligou, por que você não me avisou? Naiara, você passou dos limites! O coração de Naiara deu um pulo. Então era isso... Lorena havia corrido para reclamar com Duarte. Rapidamente, ela fez uma expressão de injustiçada, e seus olhos ficaram vermelhos na mesma hora: — Duarte, ontem você estava no banho e eu vi que era a Lorena ligando. Achei que fosse algo importante, então atendi para você. Depois que você saiu, acabei esquecendo de te contar. Me desculpa... O tom de Duarte se suavizou um pouco, mas ainda havia um traço de irritação em sua voz: — E Lor
Duarte achou que Naiara estava se sentindo insegura, então disse: — Eu prometi ao seu irmão que cuidaria de você por toda a vida, e isso nunca vai mudar. Embora eu goste da Lorena, ninguém pode fazer você sofrer. Nem mesmo a Lorena! Ao ouvir essas palavras, Naiara ficou radiante. "Isso não é, de certa forma, uma declaração de amor? Isso significa que, no coração do Duarte, minha posição ainda está acima da Lorena." Num impulso, ela se jogou nos braços dele, abraçando ele e fazendo manha: — Duarte, você é o melhor! — Já chega, olha a sua idade. — Duarte, de repente, se lembrou de algo e acrescentou: — Ah, tem mais uma regra que precisamos adicionar! De agora em diante, você não pode mais me abraçar desse jeito, ouviu? Você não é mais uma criança, e isso pode dar a impressão errada, como se eu estivesse tirando vantagem de você. Naiara mostrou a língua, fazendo graça: — Tá bom, tá bom, eu faço tudo que você disser! — E, em seguida, fingiu desinteresse ao dizer: — Agora va
Depois de dizer isso, para acalmar o pequeno, Lorena pegou o celular e disse: — Mas eu posso comprar para você um modelo de avião que você goste. Se for rápido, ele pode chegar já amanhã. — Sério? — Os olhos de Domingos brilharam. Com o consolo de Lorena, ele acabou desistindo da ideia de receber alta. Nesse momento, a voz de Duarte veio da porta: — Rena, voltei. Lorena ficou surpresa e se virou abruptamente. De fato, Duarte estava ali, vestido com um longo casaco de caxemira preto, com uma expressão visivelmente cansada. Talvez por estar chocada demais com a volta repentina de Duarte, Lorena ficou um bom tempo sem conseguir dizer nada. Foi Domingos quem quebrou o silêncio, exclamando animado: — Papai! O chamado do menino tirou um pouco o clima constrangedor do ambiente. Duarte imediatamente se aproximou e perguntou ao filho: — Você está se sentindo melhor? Domingos assentiu e respondeu com obediência: — Estou muito melhor. Continuo o mesmo de sempre, não vo