KARINA
Foi difícil me despedir de Kayla quando a deixei no jardim de infância esta manhã. Esta separação era diferente, uma nova fase da nossa vida iria iniciar.
Cheguei no trabalho e fiz o possível para não me deixar afectar. Fiquei na loja até mais tarde que o habitual. Queria saber da Kayla e a única forma era ligando para Marcos. Por várias vezes peguei no celular mas não tive coragem. Para minha salvação o celular tocou e no ecrã o nome de Marcos chamava minha atenção.- Alô. Esta tudo bem com Kayla?- Falei ansiosa.
-Oi. Esta tudo bem. Achei que quisesses falar com ela.-Sim. Obrigada.- Um instante só.Ele passou o celular para Kayla. Estava aliviada por ouvir a voz da minha filha. Não precisei fazer nenhuma pergunta, kayla relatava ao detalhe a emoção d
MARCOSQuando acordei esta manha sabia que meu dia seria repleto de surpresas, mas em nenhum momento pensei que estaria com Karina.Logo que recebi a mensagem do Isaac saí de casa e conduzi como um louco para chegar aqui. Não podia perder esta oportunidade, talvez não teria outra tão cedo.E aqui estávamos , frente a frente, meus lábios nos seus e não ha outro lugar onde eu gostaria de estar neste momento.-Vamos sair daqui.- Murmurei entre seus lábios.Afastei-me e a segurei pela mão indicando o caminho. Ela me seguia sem questionar. Chegamos onde estava o meu carro e ela parou por uns segundos soltando a minha mão.-Passa-se algo?-O que estamos a fazer ,Marcos?-Pensei que podíamos ir a um lugar mais
KARINAEstava em um sonho do qual não queria acordar. Mas o mundo fora destas paredes se preparava para nos receber de volta a realidade.Me sentia protegida coberta pela seu abraço e em paz ouvindo o som dos batimentos do seu coração.Ele carregou-me da sala pro meu quarto com todo cuidado, como se eu fosse um tesouro valioso, uma relíquia. Ficamos deitados em silencio pois tudo foi dito pela maneira como nos amamos.- Marcos...- Sim...- Tens que ir embora.- Karina, me deixe ficar.- Kayla não pode acordar e não te encontrar em casa. É a primeira noite dela em tua casa. É importante que estejas.Senti ele soltar um longo suspiro e depois levantou-se ficando sentado na cama.- Precisamos convers
MARCOSO fim de semana foi cheio de emoções. Ter Kayla comigo foi uma experiência sem igual. Não fui o único que ficou completamente rendido ao seu encanto. Minha mãe não saiu do meu apartamento o fim de semana todo. Ela e Kayla se amaram instantaneamente.Mas a cereja no topo do bolo foram os momentos que pude estar com Karina. Não sei como fui capaz de resistir a tentação de procura-la até esta manhã.Cheguei ao trabalho e reparei que havia um alvoroço. Havia grupinhos de pessoas na recepção e nos corredores . Passei por vários mas não parei até chegar a minha sala.Não tive tempo nem de tirar o celular do bolso quando a secretária bateu em minha porta e entrou.-Bom dia , Marcos. O sr Lázaro pediu que fosse a sua sala assim que chegasse.
MARCOSAlgo me dizia que o silêncio de Karina era o inicio do meu inferno na terra. Estava a um passo de derrubar a porta que me separava dela. A única razão de ainda não o ter feito era não querer assustar minha filha.Liguei-lhe várias vezes e ela não atendeu. Não respondeu nenhuma das minhas mensagens. Eu devia ter contado tudo na sexta-feira. Tive minha chance e desperdicei. Se Lia chegou primeiro, a versão que Karina deve ter ouvido foi a pior possível.Depois de horas sem sucesso liguei para Isaac .-Alô!-Preciso de um favor.- Falei logo a seguir.-Quando é que não precisas?- Ele perguntou entre risos- Acho que Lia contou tudo para Karina. Ela não atende minhas chamadas nem responde minhas mensagens . Preciso que ligues para Diana para saber o que esta a passar-se.- Não. Não vou meter-me ,
KARINAPassaram dois dias desde a última vez que vi Marcos. Sentia-me melhor e pronta para minha vida voltar a normalidade.Fui ao trabalho e a primeira metade do dia passou sem sobressaltos. Ao meio-dia saí, havia combinado encontrar-me com Diana para almoçar.Fui a primeira a chegar no local e alguns minutos depois ela entrava pelo restaurante.-Olá miuda. Como estás ?- Ela falou enquanto puxava a cadeira para sentar.- Estou bem. E tu? Kayla não te deu muito trabalho , pois não?-Claro que não. Divertimo-nos imenso. Vou sentir saudades.Um garçon aproximou-se e fizemos os nossos pedidos. Quando ele afastou-se toda atenção de Diana estava em mim.- Queres falar no assunto?
MARCOSToda minha vida eu achei que tinha tudo que precisava para ser feliz, para me sentir realizado. Até ter conhecido o sabor da paternidade. Minha vida deu uma volta e me vi ter que reavaliar as prioridades. A proximidade com Karina me fez olha-la e pela primeira vez em minha vida eu disse a uma mulher que a amo. Infelizmente minhas palavras não tiveram o impacto que pensei que fossem ter.Estava a pagar por todos erros que cometi. E a dor era insuportável.Atingiu seu pico quando a vi sorrir enquanto outro a abraçava. Não imaginava que um dia fosse sentir tamanha dor. Entrei no bar e pedi uma cerveja enquanto esperava por Isaac. Ele chegou eu já estava a meio do copo.Desculpa pelo atraso. - Ele falou sentando no banco ao meu lado.Se pagares a conta estarás perdoado.
KARINAOs dias passaram e Marcos tornou-se uma presença constante em nossa vida. Kayla estava feliz e era o que importava.Ele levava Kayla ao jardim de infância todos os dias. E aos fins de semana saímos sempre os três . Com excepção dos dias em que ficava com os meus pais ou com a mãe de Marcos. Nesses eu aproveitava para estar com Diana , arrumar casa ou resolver pendentes da loja. Claro que Marcos tentou por várias vezes que fizéssemos algo juntos. Educadamente rejeitei todos os convites por ele feitos que não incluíam Kayla.Estava cada dias mais difícil ignorar a presença dele, não sei se conseguiria me manter firme se ficássemos sozinhos, sem Kayla.Este fim de semana Kayla esta com a Diana. Decidi aproveitar o sábado para trabalhar. As meninas ficaram comigo até ao meio-dia e depois as dispensei. Continuei sozinha a arrumar o novo stock de bij
MARCOSCheguei a casa mal humorado .As portas e os móveis foram as vítimas da minha indisposição. Tinha vontade de ir atrás de Karina e beija-la até ao último resíduo daquela teimosia que começava a irritar-me. Mas eu prometi ser paciente, custe o que custar.Atirei-me no sofá e permaneci deitado a olhar para o tecto por vários minutos. Meu celular tocou e não tive vontade nenhuma de me levantar para ir atender. Mas a pessoa que ligava era insistente.Rendi-me e levantei. A chamada cortou antes que pudesse atender. Olhei para o ecrã e vi várias chamadas da Lia. Foi bom não ter atendido. Ela deve estar louca se pensa que depois de tudo eu ainda ia querer alguma coisa com ela.Meu celular vibrou e no ecrã apareceu uma notificação de mensagem da Lia. Ela não desiste. Abri e era uma foto. Estava demasiado es