Quando o Amor Vira Assassinato
Quando o Amor Vira Assassinato
Por: Marina Alencar
Capítulo 0001
Presos um ao outro como se fossem uma só criatura, Luciano e Violeta ajustavam o paraquedas duplo em seus corpos. No semblante de Violeta transbordava uma certeza inabalável. Com Luciano ao seu lado, parecia que nenhuma ameaça neste mundo seria capaz de alcançá-la.

Enquanto isso, minhas mãos trêmulas seguravam o único paraquedas restante, e um calafrio de horror percorreu minha espinha.

No tecido esticado, se escancarava um rasgo imenso, com a agulha da sabotagem ainda cravada ali, qual sentença de morte sussurrando: "Não há salvação para você!"

O balão deslizava preguiçosamente sobre o abismo rochoso. Contemplei a queda vertiginosa abaixo, onde o vento cortante uivava como uma fera escarnecendo da minha desgraça.

Como eles planejaram, saltei daquela altura aterradora, carregando no ventre uma vida que mal começava.

A queda livre me sugava a essência. Minha alma pairava suspensa, contemplando impotente enquanto meu corpo despencava qual boneco de pano através da cerração densa, rumo ao encontro com o fim.

Lembranças me inundaram feita enxurrada de verão.

Mal tinha aprendido a saltar de paraquedas quando descobri a gravidez.

Planejava contar a Luciano no dia do seu aniversário, mas agora estava claro que isso não significaria nada para ele.

Momentos antes, eu ainda implorava:

— Estou grávida mesmo, Luciano. Por favor, me leve com você.

No entanto, ele franziu o cenho irritado e retrucou:

— Violeta tem medo de altura e problemas cardíacos. Não posso deixar ela sozinha. E você inventa essa história de gravidez agora? Logo agora?

— Não estou inventando nada!

Explodindo de raiva, ele replicou:

— Daniela, por que você não consegue ser bacana que nem a Violeta? Para de fazer drama!

Me ignorando completamente, Luciano voltou a ajustar com cuidado as fivelas do paraquedas em Violeta.

Enquanto eu estava à beira da morte, desesperada como formiga em uma panela quente, os dois planavam serenamente pelos ares. Luciano até reduzia a velocidade da descida, como se quisesse que Violeta saboreasse cada segundo daquele panorama de tirar o fôlego.

A morte eu poderia encarar, mas a ideia de que meu filho, ainda em meu ventre, jamais conheceria este mundo era insuportável.

Sem hesitar, disquei para o serviço de emergência com mãos trêmulas.

— Srta. Daniela, mantenha a calma. Antes de tudo, precisamos aliviar o peso do balão. Jogue tudo que não for essencial para reduzir a velocidade da queda. — Orientou o atendente.

Com movimentos desesperados, segui as instruções e lancei ao vazio diversos objetos.

— Estamos tentando contato com os balonistas da região. Por favor, não desligue.

O hélio, porém, escapava numa velocidade muito além do que eu havia imaginado.

Entre soluços, implorei:

— Pelo amor de Deus, se apressem! O tempo está acabando. Estou quase sobrevoando o penhasco.

Não demorou para que um funcionário do parque retornasse minha chamada.

— É Daniela mesmo? Luciano não está com você?

— Ele saltou com Violeta. Meu paraquedas está com defeito. Preciso de socorro urgente!

O funcionário deixou escapar um suspiro pesado.

— Que azar danado. Logo hoje os dez balões estão todos ocupados, com os pilotos em pleno voo. E justamente na Zona A, onde vocês estão, quase ninguém costuma passar. — Enquanto tentava me acalmar, ele sugeriu. — Você consegue localizar a válvula de gás? Libere um pouco para diminuir a altura.

O balão flutuava sobre o abismo que parecia não ter fim abaixo de mim. Liberar o gás naquele momento só apressaria meu encontro com a morte.

— Impossível soltar o gás agora. Estou em cima do penhasco, a altura é assustadora.

O funcionário também parecia sem saída.

— Não se desespere. Luciano já saltou, não foi? Assim que ele pousar, vou mandar ele te buscar imediatamente.

A angústia tomava conta de mim, sem saber se Luciano já havia chegado ao solo. Ele era minha única esperança de salvação.

Resolvi arriscar uma ligação para ele. Somente após o terceiro toque, Luciano finalmente atendeu ao telefone.

Entre soluços desesperados, implorei:

— Pelo amor de Deus, Luciano... Preciso que você venha me socorrer!

Nem tive chance de explicar sobre o paraquedas danificado. Com tom cortante, ele me interrompeu:

— Ah, claro! Primeiro inventou aquela história de gravidez, e agora vem com essa de medo de altura? No parque de diversões, você adorava a montanha-russa radical enquanto os caras todos ficavam brancos de medo! Tudo isso é só para disputar atenção com a Violeta, né? Que papelão, viu? Salta logo de uma vez e para com essa enrolação!

Ao fundo, consegui distinguir a voz melosa de Violeta:

— Luciano, estou me sentindo mal. Meu peito está apertado.

Com frieza cortante, ele disparou seu último recado:

— Tenho que correr com a Violeta para o hospital. Quando você pousar, se vira para voltar sozinha para casa.
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