1 mês depoisOs dias passaram tão rápido, que quando notei, já se foram 30 dias desde que cheguei em Londres e conheci Oliver e Archie, sua família, fiz amizade com a Liv. É uma diferença tão grande de como eu me sentia antes, que estou começando me acostumar com a rotina. Ainda mais agora que já não tenho mais nada me impedindo. Finalmente recebi alta do ortopedista, do fisioterapeuta e do neuro.Mas conhecendo o Dr. Alexander, nunca vou estar 100% de alta, até por que, ainda moro na casa do filho dele. Ele me informou que eu precisava evitar bater a cabeça por pelo menos 03 meses pós acidente. Lógico que ia seguir à risca o máximo possível para não voltar ao hospital.Comecei a buscar por apartamentos para alugar nos arredores de Londres, precisava me movimentar logo e não ficar dependendo dos meninos. Não podia tocar nesse assunto com eles que ficavam bravos, alegando que não havia necessidade de me mudar, sendo que a casa deles era enorme e comportava nós 03 muito bem. O que eles
Eu enrijeço o corpo toda vez que estou perto de um e o outro chega, involuntariamente fico preocupada deles quererem que eu escolha algum deles e não consigo fazer isso. Nunca tive esse problema, nunca fui questionada, mas sempre espero esse momento chegar, por que eu sei que alguma hora irá chegar. Esses dois homens fantásticos em algum momento podem exigir mais do que temos agora e isso vai impactar a amizade que construí com ambos.É desesperador.Por isso, sigo nas pesquisas de um apartamento urgente, assim vamos modificar nossa rotina e a nossa amizade vai prevalecer.Só preciso me preparar para a falta que vou sentir deles.Estava distraída no notebook que ganhei de Oliver, quando ouvi como se tivessem entrado na casa, mas não ouvi as vozes dos meninos nem de Liv, estranhei. Eram os únicos que podiam aparecer no meio do dia durante a semana para visitas surpresas porque alegavam que sentiam minha falta. Isso me aquecia por dentro, me fazia sentir importante.Como não identifique
— O que está havendo? Senhorita, está bem? — Um dos seguranças questionou vindo na minha direção e entrando na frente me protegendo.— Por que está perguntando isso para ela? Ela é a invasora que te falei. — Emilly ralhou com o segurança. — Não mora nessa casa seu idiota, está tentando dar um golpe nos seus chefes, mas isso acaba agora. Saia de perto dela.Não notei seu próximo movimento tamanha agilidade que foi utilizada, de alguma forma, ela conseguiu passar pelo segurança que me protegia, me puxou novamente pelos cabelos e me arrastou até a beirada da varanda de entrada, ficando bem na ponta próximo dos degraus. Agora eu entendia a preocupação do Dr. Alexander, minha cabeça já estava doendo muito por causa da primeira seção de puxões e agora, estava começando a latejar muito forte. Comecei me debater tentando me livrar das garras da maluca, mas não fui ágil o suficiente, quando consegue me desvencilhar, ela me empurrou da varanda. Eram poucos degraus, mas não consegui evitar a pa
Qual momento Archie acionou a viatura me passou despercebido, só percebi a presença deles quando o ouvi direcionando os policiais e informando que logo se apresentaria no DP para esclarecimentos, mas que no momento tinha outra situação urgente para resolver.— Oliveeeer. — Emilly gritou.— Levem-na daqui, antes que eu perca a cabeça.Os polícias se retiraram e ouvi Archie no telefone.— Tio, preciso de uma ambulância urgente, a Emilly jogou a Pand da escada, são poucos degraus, mas se foi pega de surpresa, deve ter batido a cabeça durante a queda, fora a pancada no chão. — Ele ouviu atentamente o que meu pai falava do outro lado, quando me olhou. — Ela... está… desacordada… Oliver, consegue ver se a cabeça dela está sangrando? Inchada? — Ele me questionou e estava tão nervoso a ponto de perder o fôlego e não conseguir falar com fluidez. Compartilhava daquela sensação. — Não. — respondi. Ele repassou a informação ao meu pai.Estava inconformado olhando para o corpo inerte da Pand, ess
O alívio rápido que passou pelo rosto dele me deixou perceber que ele compartilhava dos mesmos pensamentos que estavam batucando na minha cabeça. A gente se entendia como ninguém, ainda mais nesse aspecto.— Vai dar tudo certo cara. A Pand é forte... ela tem que ser. — Ele disse.Suspirei.— Sim cara, ela tem que ser forte, por ela e ... por nós.Ele se aproximou e ficamos os dois plantados na sala de espera, aguardando que meu pai ou alguém subordinado a ele viesse nos dar alguma luz, antes que meu estado de espírito piorasse e eu colocasse aquele hospital abaixo em busca de informações.Odiava ficar no hospital, mas, fora isso, odiava mais ainda ficar no aguardo quando alguém importante para mim estava sendo atendido às pressas.A espera ia ser longa.***ArchieA espera parecia interminável, porém, logo fomos surpreendidos pelo tio Alexander, que entrou na sala de espera e veio imediatamente em nossa direção.— E então pai? Como ela tá? — Oliver exigiu.— O quadro dela é estável, n
Oliver soltou uma gargalhada inesperada.— Cara, o Kindle dela é sagrado. Devíamos busca-lo e começar a ler pra ela algumas das páginas, certeza que ela acorda rapidinho pra tomá-lo de nós. — Ele disse rindo. — Boa estratégia aliás.— Armamento pesado aqui pequena, que tal abrir logo esses olhos? — brinquei. Mesmo aliviando um pouco o clima tenso que estava no quarto, ainda sentia o desespero me sufocando pouco a pouco. O celular de Oliver tocou e ele se retirou para atender a ligação, enquanto isso, fiquei velando o sono de rainha da deusa deitada na cama.— Vou te esperar pequena, horas, dias ou meses. Espero o que for pra ter você de volta. — Disse baixinho. — Mas tenha dó desse pobre homem que descobriu em uma garota de 19 anos tudo o que ele mais sonhou na vida. Como pode um ser humano praticamente 15 anos mais novo, me deixar rendido dessa forma? É perturbador pra falar o mínimo.Continuei meu monólogo por aproximadamente 2 horas, quando me dei por satisfeito e segui atrás de O
— O que? — ela balbuciou. Assim que ela me viu, ouvi o som do bipe diminuindo gradativamente, sinalizando que sua frequência cardíaca estava normalizando.— Como você está se sentindo? Alguma dor? Lembra do que aconteceu? — Enchi ela de perguntas. — Caralho, lembra de mim? — Continuei despejando inúmeros questionamentos e só parei quando ouvi ela rindo.— Archie, pare de falar um pouco, está me deixando tonta. — Ela riu ainda mais quando viu minha cara emburrada.— Não acredito nisso. — Bufei. — Eu todo preocupado com a senhorita e é assim que me retribui? Me mandando calar a boca? O mundo está perdido mesmo.— Deixa de ser bobo. Estou com uma dorzinha de cabeça.— Vou chamar o médico. — Nem dei tempo de ela retrucar, quando menos esperou já tinha pressionado o botão que avisava que era necessário a presença da equipe no quarto e poucos minutos depois tio Alexander irrompeu pela porta, suspirando aliviado quando a viu desperta.— Pandora, que susto deu na gente mocinha. — Ele sorriu.
É triste saber que mesmo tendo fugido do Brasil da forma que foi, mesmo aqui em Londres, me deparei com uma situação dessa. A diferença, é o suporte que tenho agora, não só dos rapazes, mas da sua família toda que me cercaram durante esses dias que estive hospedada na casa deles.Dr Alexander chama minha atenção informando que é necessário refazer alguns exames agora que acordei e que vou ficar em observação por dois dias, somente para evitar quaisquer sequelas que podem se apresentar tardiamente.Me sinto muito bem e louca para ir embora desse hospital.De novo.(Uma semana depois)A vida estava seguindo seu rumo perfeitamente, depois de uma luta árdua com Oliver e Archie, eles concordaram — emburrados — a me auxiliar na procura de um lugar para morar. Já no âmbito profissional, Oliver me convidou para trabalhar como sua assistente no escritório, depois que falei do meu histórico estudantil.Segundo ele, eu tinha muito potencial para virar uma ótima advogada. Meu sonho mesmo, lá no f