LuaVocê já sentiu o ar fugindo dos seus pulmões? Era assim que me sentia em uma sala, sentada com as pessoas que mais odiava e que também me odeiam no momento. Todos estavam em silêncio e a única coisa que fazia era olhar fixamente para Gabriel Petrovic, o ser que estava fazendo da minha vida um verdadeiro inferno todo esse tempo. Tudo o que ele tocava destruía. Como uma pessoa acaba se tornando tão amargurada e ambiciosa como ele? Ele me olhava com a mesma intensidade, sem ao menos tentar disfarçar o quanto estava irritado com tudo isso. De todos os que estavam presentes, ele era de longe o maior dos nossos problemas. Todos os outros eram apenas marionetes em suas mãos, desde o prefeito até os policiais que diziam nos proteger, mas encobriam qualquer uma de suas atrocidades.Assim como eu, Dominic também não desviava o olhar um segundo dele, apenas aguardando o momento de agir. Gabriel estava sentado em uma poltrona bem à nossa frente quando decidi a
Lua Gabriel e minha mãe eram namorados; isso é o que está rondando minha cabeça desde que essa maldita reunião acabou. Noah e Calebe saíram para resolver alguns assuntos relacionados ao restaurante, então não voltariam tão cedo. Queria ficar junto com Margô e Rosa nesse momento, mas Nate e Dominic me convenceram a ficar aqui e descansar. Amanhã, cedinho, buscaríamos as duas para trazer em nossa casa. "Nossa casa" é uma palavra que achei que nunca sairia da minha boca; achava impossível chamar de lar o lugar onde minha vida mudou drasticamente. Estou deitada na cama, rolando de um lado para o outro. Será que Nate e Dominic ainda estão acordados? Jogo o edredom para o canto e calço meus chinelos, descendo cuidadosamente as escadas. A casa está totalmente escura e silenciosa. Vou ao escritório e me deparo com os dois sentados, cada um em um lugar, bebendo, quando sua atenção é direcionada a mim, ao abrir a porta de supetão.— Aconteceu alguma coisa
Lua Depois da noite de ontem, só tive certeza de que quero ficar com meus meninos; eles são as pessoas com quem quero passar o restante da minha vida. Olho para o lado e vejo Dominic grudado em minha cintura, e sinto a respiração de Nate em meu pescoço. Eles estão dormindo profundamente. Quero ficar ao lado deles todas as noites. Hoje dormimos no quarto de Dominic. Levanto-me calmamente, tentando não acordá-los, e tomo um banho rápido. Coloco uma camisa de Dominic, desço e faço um café, deixando na cafeteira para quando eles acordarem, principalmente para Nate. Como uma pessoa consegue ingerir tanta cafeína? Sorrio ao lembrar que ele pode até acordar de mau humor, mas quando o café entra em suas veias, seu humor muda rapidamente.Fico sentada em silêncio em frente à bancada enquanto tomo meu café e leio meu livro, quando sinto mãos me abraçando por trás e percebo um cheiro de menta amadeirado. — Bom dia, minha princesa — diz Noah, beijando meu pescoço,
Lua Depois da conversa tumultuada de hoje, decido passear com Margô no parquinho da praça. É a primeira vez que ando por aqui em três anos. Olho ao redor e vejo que quase nada mudou; os comércios continuam os mesmos, as pessoas também. Só muda um pouco com a ida e volta dos jovens por causa da faculdade. Fico pensando se eu não tivesse ido ao encontro de Nick naquela noite, como estaríamos agora? Eles estariam no penúltimo ano da faculdade. Será que Dominic estaria aqui comigo ou teria me deixado com Margô enquanto ele estudava? Sou tirada de meus pensamentos quando uma pessoa assopra meu ouvido, me fazendo pular de susto.— Olá, pêssego. — Travis diz e senta ao meu lado no banco da praça, enquanto vejo Margô brincando na grama, sentada com seus brinquedos.— Travis, o que faz aqui? — Pergunto intrigada.— Eu moro aqui, esqueceu! — Ele sorri sarcasticamente. Quando Margô vê que ele está ali, se levanta com um pouquinho de dificuldade e vem correndo co
Calebe Ao entrar no meu quarto e fechar a porta, percebo que não encontrei Margô e Lua quando cheguei. Como desejamos ser uma família unida e queremos que Lua confie em nós novamente, decidimos que cada um de nós passaria um dia com elas, para que não se sentissem sozinhas. Queremos mostrar a Lua que estamos comprometidos com a criação de nossos filhos e que não deixaremos essa responsabilidade apenas para ela e Rosa. Como os outros três tinham uma reunião, decidi vir hoje.Pegando meu celular, digito o nome dela na tela. Sei que poderia rastrear seu celular pelo GPS, mas não quero que ela pense que estamos a perseguindo. O telefone toca algumas vezes até que ela atende, sorridente.— Olá, abelhinha! Está tudo bem? Não encontrei você e Margô quando cheguei em casa!— Ah, nós duas fomos à praça brincar no parquinho e agora estamos indo tomar um sorvete antes de voltar para casa! — ela responde.— Puxa, nem me convidou! — digo, fazendo um pouco de drama.— Desc
Lua Abro os olhos e sou tomada pelo desespero. A última coisa que lembro é de estar no carro com Travis e Margô. Tento olhar ao redor, mas só encontro escuridão. Algo está amarrado ao redor dos meus olhos, e minhas mãos estão presas atrás de mim. Movendo-me, percebo que estou deitada em algo macio, que se parece com uma cama.Preciso sair daqui, encontrar minha filha e pedir ajuda o mais rápido possível. Ouvindo um barulho de porta se destrancando, fico em silêncio, tentando me mover o menos possível. O medo toma conta de mim e minha respiração se torna ofegante. Sinto um peso ao meu lado e mãos que começam a mexer nos meus pés, tirando meus tênis. Ele faz movimentos como se estivesse me acariciando.— Quem é você? — pergunto, sentindo uma lágrima escorregar pelo meu rosto. A pessoa não responde.— Onde estão minha filha e Travis?— Fico feliz em saber que você está preocupada comigo, pêssego! — ouço a voz de Travis e, então, me lembro de que no carro ele est
Lua Encontro-me de costas para a porta do box, tentando manter a calma e ignorar a presença de Travis logo atrás de mim, observando-me. Ele não me permite fechar a porta, enquanto deslizo o sabonete pelo meu corpo. De repente, a porta do box se abre.— Desculpe, amor, mas não consegui resistir a ver você assim na minha frente. — Ele toma o sabonete da minha mão e envolve seus braços em minha cintura, beijando meu pescoço enquanto desliza o sabonete delicadamente pelo meu corpo. — Porra, você é tão linda, não sei como consegui resistir por tanto tempo. Você é perfeita, tão minha! — Ele me vira contra a parede fria, pressionando seu corpo contra o meu, e sinto sua ereção abaixo do meu umbigo. — Travis... por favor! Podemos fazer isso outra hora. Eu realmente quero ver nossa filha, ela deve estar assustada. — Digo, tentando ao máximo escapar de suas mãos.— Claro, amor, temos a noite toda para isso! — Ele se aproxima para me beijar, mas viro o rosto, faz
LuaApós alguns dias, a pressão de estar dentro daquele navio se torna insuportável. Já procurei em todos os lugares, mas não encontrei nenhum meio de comunicação. A maior parte do tempo, Travis permanece ao meu lado, e eu só consigo estar com Margô algumas horas por dia. Agradeço a Deus por ele não ter tentado nada comigo durante esses dias; meu ciclo já está quase acabando e sinto que preciso inventar uma desculpa. Aproveito os poucos momentos sozinha e me sento na proa do navio, tomando sol enquanto olho para o vasto oceano à minha frente. Será que ainda estão me procurando ou pensam que os abandonei por causa do Travis? Não é possível que me deixem aqui por tanto tempo. Observo ao redor, mas não consigo ver nada além de água. Subo para a cabine de direção e pego os binóculos, tentando ter uma visão melhor da imensidão. Ao descer de volta para a proa, avisto o que parece ser uma lancha bem distante. Será que eu conseguiria pedir ajuda sem que Travis perceba?