Capítulo 37

Valentina

Senhorita, ficamos felizes em saber sobre o interesse em auxiliar a ala da pediatria em nosso hospital. Ter escolhido Rio das Pedras para usar como cidade teste é um orgulho para todos nós.

O meu encontro com Silvia, a diretora-geral do hospital e maternidade São Vicente foi proveitoso e tenho a certeza que o meu pai vai se orgulhar do trabalho que estou fazendo e de como eu consegui conduzir a reunião.

— Garanto a você que teremos uma boa parceria de trabalho. E falo isso como a neta do doutor Ricardo Martinez e não como a filha do presidente.

Disse com sinceridade para a mulher.

— Só em saber do interesse, em colocar em prática o projeto do governo é algo que nos alegra bastante.

Verifiquei a hora no meu relógio de pulso. Passava um pouco das onze da manhã. Eu teria uma reunião com a coordenadora do CRAS do município. Ela é quem me levaria até o orfanato da cidade, para que eu pudesse conhecer e assim repassar para a minha mãe o conversado. Mamãe, tem em mente um projeto para ampliar a ajuda de custo para orfanatos mantidos por centros religiosos. É um dos projetos que nasceu no segundo governo do papai e que agora ela deseja levar para todo o Brasil. A escolha de Rio das Pedras, foi justamente por saber que uma líder religiosa, mantém uma casa que cuida de crianças abandonadas há mais de trinta anos. O local foi criado por sua mãe e após a morte da mulher, sua filha passou a cuidar.

— Preciso ir agora. Mas saiba que gostei muito de conversar contigo e anotei tudo que achei necessário para começar a organização. Preciso apenas conversar com o diretor do hospital, o doutor Marcos é quem dá o aval para tudo. Mas de verdade, pelo pouco que vi, acredito que a parceria para os residentes sendo feita aqui, será interessante, pois dessa forma podemos ter convênio com mais hospitais e os municípios com poucos habitantes, acaba sendo favorecido para cirurgias importantes que precisam muitas vezes ser feitas na capital.

— Concordo com a senhorita. Até mesmo cirurgias simples, muita das vezes precisamos encaminhar os pacientes para Piracicaba. O hospital geral de lá, tem um aparato maior do que o nosso em questão de cirurgias.

— Acredito que muito em breve, mudará muitas coisas por aqui. Agora preciso ir. Tenho mais uma reunião marcada às quinze horas com a Thais.

Comentei, guardando a minha agenda e o meu celular dentro da minha bolsa. O ogro deve estar me esperando do lado de fora e dane-se por isso. Ainda não consegui engolir o que Diego fez ontem a noite e eu nem mesmo entendo o motivo disso. Eu não deveria ficar chateada por dormir sozinha, sem a presença do meu segurança. Na verdade, ele é apenas um funcionário do meu pai, nada além disso. Entretanto, senti-me incomodada no instante em que ele avisou que dormiria na caminhonete a ter que dividir um quarto comigo.

— Vou ficar no aguardo da sua visita em São Paulo, pode avisar a minha secretária da data, que ficarei feliz em te levar para um almoço.

Respondi sorrindo, pegando as minhas coisas, despedindo-me dela e seguindo em direção ao estacionamento. Para minha sorte, papai não ligou para mim, mas tenho a certeza que o Diego havia passado todo o relatório ao presidente. Eu poderia muito bem voltar amanhã mesmo para São Paulo após visitar o orfanato, porém ficaria até domingo, dessa forma posso descansar um pouco e também aproveitar para conhecer melhor a cidade. Não desejo uma visita médica e sim conhecer melhor as crianças e todo o trabalho feito no lugar. Enquanto caminho até o estacionamento, penso em como será a noite de hoje. De certo aquele ogro dormirá outra vez no carro e se ele quer ficar com dor no pescoço é problema dele e não meu. Parei para olhar o meu celular que vibrou na bolsa. Ao pegar o aparelho, vi o nome do Mateus na notificação de mensagem. Li o que ele havia enviado, sem responder. A reclamação por viajar com o segurança e que Natália estava reclamando por ele aceitar um absurdo desses. Guardei o celular, pois não quero ter que ficar lidando com o meu namorado e suas birras infantis, enquanto estou viajando a trabalho. Deparei-me com Diego do lado de fora da caminhonete, os braços cruzados sobre o peito, a calça jeans justa, as coxas e a camisa polo preta e os óculos de sol ocultando os olhos dele. Parei por um segundo, sentindo as pernas bambas e o coração acelerar ao olhar aquela visão.

— Pare de ficar olhando para ele. Além de ser um chato, mal-humorado e ogro de carteirinha. O homem é muito mais velho do que você e o funcionário de confiança do seu pai.

Falei para mim mesma, enquanto me aproximo dele. Ao notar a minha presença, descruzou os braços, mantendo sua pose de durão como sempre.

— Vamos almoçar agora!

É a primeira coisa que o homem diz ao me ver chegar. Ele nem mesmo quer saber como foi a reunião para relatar ao chefe dele?

— Não estou com fome ainda. Daremos uma volta pelo centro da cidade primeiro e depois encontraremos um restaurante para almoçar. A reunião com a coordenadora é somente às quinze horas. Temos tempo mais do que suficiente para um passeio e o almoço.

Enquanto entro no carro, confesso que senti vontade de dizer que eu iria dirigir, contudo, estava sem vontade alguma e não faria isso apenas para deixar Diego irritado. Coloquei o cinto, observando de lado ele entrar no carro, fazer o mesmo e depois ligar o veículo dando partida. O silêncio no carro me deixa inquieta, porém eu não falarei nada além do necessário com ele. Enquanto ele segue em direção ao centro, pego o celular da bolsa, enviando uma mensagem no grupo que tenho com os meus irmãos. Ignorei a chamada de vídeo do Mateus, arquivando a conversa. Responderia depois que eu resolvesse o que vim fazer aqui.

Valentina: Oi, meus amores. Como vocês estão?

Digitei, esperando um dos dois responder primeiro. Vejo que Leandro é quem está digitando.

Meu lindo: Estou bem e você? Sofia se encontra em aula, eu estou em casa porque acordei com dor de cabeça hoje.

Leandro respondeu. Esperava que não fosse nada grave com meu irmãozinho.

Valentina: Tomou medicação? Avisou a mamãe que você passou mal?

Meu lindo: Avisei sim. Sabe que a vovó está sempre fazendo os escândalos dela. Antes que a Sofia vá te contar, avisarei logo. O Mateus jantou aqui, conversou com o vovô e disse que não concordou com a sua viagem ao lado do segurança.

Agora tá explicado a insistência dele.

Valentina: Ele me mandou mensagens e ligou, porém, não quero comentar sobre isso agora. A gente conversa quando eu voltar.

Respondi, recebendo um emoji de coração. Guardei o celular na bolsa, tentando controlar a raiva que estou sentindo no momento.

— Aconteceu algo?

Viro o rosto para o lado, vendo Diego me olhando preocupado. Quis dar uma resposta malcriada, porém apesar de tudo, o homem não tem culpa do meu namoro fracassado, então não é justo descontar nele a raiva que estou sentindo.

— O meu irmão não acordou muito bem hoje. Estava conversando com ele por mensagem.

Respondi, virando o rosto de lado, vendo a paisagem das ruas através do vidro fumê.

— Você tem um local específico para ir, ou posso estacionar o carro em qualquer lugar?

Diego perguntou.

— Pode estacionar em qualquer rua. Quero apenas dar um passeio, antes do almoço. Apesar da reunião ter sido tranquila, quero conhecer um pouco a cidade, visto que amanhã terei um dia cheio lá no orfanato.

Comentei, com um sorriso para ele, que automaticamente voltou sua atenção para o trânsito. Não consigo entender, porque sempre que sou legal com esse ogro, ele se fecha de tal forma que parece até que sorrir para o homem é sinônimo de ofensa. Quer saber, que ele fique com essa cara fechada, aproveitarei o tempo que tenho antes do almoço e quem sabe andando pelas ruas do centro, acabe encontrando um restaurante legal para comer e descansar um pouco, antes de entrar em reunião novamente, mais tarde.

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