Os sons que vinham do andar de cima ecoavam por toda a casa, incluindo as vozes alteradas dos rapazes que se encontravam em um dos quartos infantis da casa. Para quem não conhecia aquelas pessoas, acreditariam que era briga feia, mas na verdade, era implicância da parte da grande maioria para com um só. E enquanto havia discussão junto de sons de martelos entre outras coisas — nas quais pareciam que estavam quebrando uma parede ou outra —, as mulheres que se encontravam na cozinha fazendo a refeição, se divertiam; principalmente quando o único loiro do grupo reclamava ou ria alto de algo que elas não podiam escutar. Felicity já sabia que seria uma bagunça durante todo um dia — como havia sido nos últimos três dias —, e por mais que estivesse extremamente curiosa, ela não subiu uma única vez. Na verdade, ela sentia-se mais curiosa porque o marido havia feito questão de modificar algumas coisas que haviam escolhido para a decoração do quarto dos ruivinhos deles, e insistiu em fazer uma
Felicity viu quando o marido se levantou para tomar um banho e sair para ao trabalho. Aquela era a primeira vez depois de tantas semanas que ele ia trabalhar, e apenas porque um casal fazia questão de tê-lo como advogado. Era sobre a filha na qual havia sido dada como morta, mas que descobriram, estava viva. Felicity sentiu-se penalizada pelos pais da menina e mais ainda pela criança, que havia passado os três primeiros anos em um orfanato, e por isso insistiu para que o amado pegasse aquele caso. Ela poderia ficar alguns dias sozinha em casa, mesmo que não estivesse nada bem. E ele só aceitou após sua cunhada aceitar cuidar de sua amada até sua volta. Não que acreditasse que ela poderia fazer uma besteira, ambos já estavam lidando muito melhor com a perda de Lívia, o fato era que ela vinha sentindo-se indisposta a alguns dias e não gostaria de deixá-la sozinha, principalmente quando algo poderia lhe acontecer e não ter ninguém com quem contar para ajudá-la. Saiu após deixar o café-
Naquele momento estava deitada sobre a maca, com o amado ao seu lado, à espera da única médica que Felicity aceitava cuidar de si, adentrasse aquela sala e finalmente lhe desse o resultado de seu exame. A mulher havia insistido também em um ultrassom, e era esse o motivo de estar deitada e não sentada em uma das poltronas em frente a uma mesa a poucos passos de onde estava naquele momento. Suas mãos estavam suadas e ao mesmo tempo sentia-se com tanto frio, mesmo que a sala não estivessem assim tão fria. Era o nervosismo, e o medo; principalmente o medo de estar realmente acontecendo aquilo. Não que rejeitaria aquele bebê. Nunca, jamais faria isso, mas ainda assim, tinha pavor de se apegar aquela esperança, se apegar aquela criança que provavelmente estava já dentro de sua barriga e então perder. Como perdeu Lívia. E ela tinha certeza de que não conseguiria lidar com mais uma perda, ainda que tivesse todos ao seu lado, em especial o homem que amava. De repente sentiu sua mão direita
Felicity se sentia completamente feliz. Vendo aqueles três anjinhos a sua frente, parecendo maravilhados com tudo, era emocionante, principalmente quando ela já sentia em seu ser que eles eram seus filhos. Já teve esse sentimento antes mesmo de decidir que iria adotá-los. Ao menos foi o sentimento que sentiu ao conhecer a ruivinha, sua garotinha. Quando a conheceu sentiu que fosse destino. A olhou, e sentiu que era sua filha. Mágico. Não passou mais do que dois segundos com ela e ainda assim, sentiu lá dentro que era ela. Com os irmãos dela, não foi diferente. Ela sentiu o mesmo por eles. Eram seus filhos. Podiam não ter seu sangue, ou seu sobrenome ainda, mas eram seus filhos. Era destino. Ela os conheceu e os amou ali mesmo, naquele mesmo dia. Amou mais que tudo no mundo. E os quis. E os desejou. E sonhou. E agora era realidade. Ela era mãe de trigêmeos. Seus pequenos observavam tudo com um olhar brilhante. Eles viam uma coisa, e comentavam, viam outra, e comentavam de novo, e qua
Felicity estava tão entusiasmada, que havia deixado os pequenos e seguido para a cozinha — mas só depois de pedir para que ficassem no jardim. Queria deixar a mesa preparada para os pequenos com tudo que havia feito para eles mais cedo. Havia ficado tão ansiosa, que mal havia dormido, e acabou despertando as 4h da manhã decidida a fazer tudo que uma criança gostava de comer. Havia feito dois tipos de bolos com recheios diferentes, dois sabores de suco, alguns cupcakes com recheio e chantininho por cima, brigadeiros enrolados com perfeição — principalmente por ela ser tão perfeccionista —, havia também alguns salgados que ela havia colocado para congelar, montou alguns mini cachorros-quentes e fez mini churros, e havia também dentro do congelador alguns sabores de sorvete que ela havia compro após deixar o hospital — mais especificamente no mesmo dia em que descobriu que estava grávida. Aquele era um dia especial, e ela queria que fosse perfeito. Quando Oliver despertou e encontrou to
Estavam todos reunidos na casa dos novos papais do grupo, incluindo os amigos, que já estavam sabendo sobre o quarto dos pequenos estar sendo inutilizados. Liam ficou tão chateado, principalmente porque sabia que era sua culpa — não que os amigos tivessem o culpado por isso — e pediu desculpas várias vezes ao casal de amigos. Já fazia três dias que os pequenos estavam dormindo com seus pais, e por saber disso, o loiro se sentir pior ainda. Mas claro que Oliver e Felicity se apressaram em dizer que estava tudo bem. Apesar de no começo ambos terem se chateado também, no final, foi até bom. Ter os pequenos com eles naqueles dois diz havia sido bom; puderam conhecê-los ainda melhor, e descobriram coisas novas que não haviam descoberto antes, mesmo depois de visitá-los tantas vezes no orfanato. E claro que contaram isso aos familiares, deixando o amigo Valentim mais aliviado, ainda que continuasse um pouco chateado. Claro que o casal sabia que ele não havia feito de propósito, e por isso
A primeira coisa que os trigêmeos fizeram após abrir cada um dos presentes que havia ganho dos amigos de seus pais — que agora eram seus tios — e seus avós e tios — que mesmo sendo um tanto estranhos para eles por enquanto, eles haviam os adorado —, foi insistir para que os pais os deixassem se fantasiar. As fantasias haviam sido os presentes que mais haviam gostado, assim como Théo e Alexander — que haviam dado de presente a eles — haviam dito que aconteceria. Seus filhos e os filhos dos amigos também gostavam. Todo dia uma fantasia nova, isso quando não estavam na creche. Os pequeninos haviam se encantado com as escolhas de seus “tios”, o que fez Thomy brincar sobre não estar gostando nada do que estava acontecendo, temendo perder o posto de “melhor tio do mundo”. E suas palavras acabou causando risadas de todos. Felicity, com seu jeitinho calmo e meigo de sempre, conseguiu convencê-los a deixar para mais tarde. Explicou que os amigos deles não estavam fantasiados e que se fossem
O relógio na parede de uma das crianças — no caso, Benjamin —, dizia que já passava das 23h, o que queria dizer que estavam naquele quarto a quase duas horas e meia. Havia levado um tempo para que as crianças adormecessem finalmente. E como haviam prometido, ficaram mais um pouquinho até que tivessem a certeza de que eles estavam em um sono tão profundo que nada os acordaria. Haviam se deitado no canto da cama após os três se deitarem e Felicity contou uma história, como os pequenos haviam pedido. A escolha havia sido “Peter Pan”. Eles adoravam histórias de contos de fada e de super-heróis. Até mesmo Pérola, ainda que os preferidos dela fosse os das princesas. Quando acharam que podiam deixá-los, ligaram ambos os abajures e antes de deixar o quarto — com a porta totalmente aberta como haviam prometido — desligaram a luz central, mesmo que ambos tivessem uma criança em seus braços. Oliver levou Pérola para o quarto da frente enquanto Felicity levava Samuel para o quarto ao lado, deix