O Homem da Minha Vida
O Homem da Minha Vida
Por: Ieda Lemos
Capítulo 1°

O Homem da Minha Vida

Parecia uma história de contos de fadas, um príncipe rico, poderoso e uma princesa linda e sonhadora!

Mas, como em todos contos de fadas, havia um inimigo capaz de esmagar quem ameaçasse os seus planos."

"Antonio Queiroz era conhecido pela frieza nos negócios e o seu filho primogênito era parte do seus planos para que os negócios prosperassem."

"Mel, não era o tipo de moça que ele esperava entrar na família, e estava sempre mandando seguranças seguirem os passos de Rodolpho, que por sua vez, estava longe de se apaixonar por alguém e vivia só para o trabalho nas Usinas de Cana de Açúcar, apesar de muito jovem."

"Mas naquela noite, especialmente, o destino traçou um caminho para que o seu filho perfeito, agora frio, preparado por ele, cruzasse o caminho de uma bela jovem, que apesar de muito humilde, não via distância para o amor e sonhava encontrar um príncipe e dizia sempre que lutaria por ele até a morte! E por falar em morte, nenhum obstáculo a faria desistir, mesmo que a vida quisesse lhe arrancar a própria pele, ela estava disposta a cair muitas vezes sangrando, mas de seu coração não sairia a vontade de viver o seu primeiro amor "

***

Quando aquele homem passou, Mel ficou tonta. Sim, era o amor da sua vida. Aquele que ela jamais esqueceria, mas ela ainda não sabia disso. Ela o acompanhou com o olhar e sentiu que o seu corpo queria ir junto.

"O que Mel não sabia, era que aquele rapaz dono de um charme irresistível, era filho de um empresário riquíssimo e poderoso, capaz de qualquer coisa para afastar moças humildes como ela da vida do filho. "

As pernas ficaram bambas, Mel segurou no peito e percebeu que o seu coração batia forte. Mas, afinal de onde saiu aquele Deus grego? Sim, era assim que ele se parecia.

As amigas o acompanharam com o olhar e sorriam zombeteiras.

— E aí Mel? Se apaixonou pelo Rodolfo?— Era Iara que perguntava.

Mel virou-se assustada. O rosto ruborizado.

"Descontraidas, as três não tinham noção do quanto aquela noite mudaria a vida daquele casal e quantas lutas teriam que enfrentar se insistissem naquele amor impossível! "

Mel era extremamente tímida e acabava de ser flagrada olhando com interesse para o filho do homem mais rico da cidade vizinha.

Aquela pequena cidade onde Mel vivia, tinha uma área litorânea e era a festa da padroeira.

Além de Iara, Nice também era sua amiga e as três estavam sempre juntas.

— Ele é um gato, não é Mel? — Nice disse isso e sorriu voltando a olhar na direção do rapaz, que inocente, se dirigia a uma mesa de bar, ali nos arredores, onde podia-se pisar na areia.

Ele vestia uma calça branca e uma camisa estampada, nos tons de amarelo. Ele jogava os cabelos finos e sedosos para trás sem perceber que cada gesto seu era cuidadosamente observado.

Mel se voltou e ficou de costas para o rapaz. Ela era muito bonita também. Os cabelos negros e lisos caíam na altura da cintura, era magra e de estatura mediana. O corpo sempre bronzeado e os olhos castanhos escuros pareciam brilhar muito com a luz do luar. Ou será que estava apaixonada. Amor à primeira vista?

Nice era a mais baixinha, tinha os cabelos curtos e cacheados e os olhos vivos. Era bonita e muito simpática.

Iara era magra e elegante e também tinha os olhos pretos e alegres. Os cabelos caíam sobre os ombros em cachos bem definidos.

Formavam um trio. Chamavam a atenção por onde passavam. Havia música e muitos casais dançando.

Mel negava dançar à vários rapazes, enquanto as amigas iam e voltavam sorridentes.

— Mel, você adora dançar! Porque está aí nesse canto isolada?— Iara quis saber.

— Aposto que cismou com Rodolpho!– Nice disse irônica.

Mel engoliu em seco e olhou de rabo de olho na direção do seu príncipe.

— Gente ele é lindo! Eu queria dançar com ele!— Mel disse subitamente e pensativa em voz baixa.

Iara ergueu as sobrancelhas e disse sorrindo:

— É só isso que deseja amiga? Vou dar um jeito!

— Não Iara! Por favor!— Mel implorou assustada olhando para Rodolpho que olhava em volta um tanto impaciente. Parecia não querer estar ali.

Iara esperou o rapaz se afastar na direção do bar para pegar umas bebidas e se precipitou a correr para a mesa onde ele deixou uma garota.

Havia uma garota, que aparentava cerca de dez anos, esperando por ele sentada, observando o movimento das pessoas. Ela sabia que se tratava da sua irmã.

— Oi garota, tudo bem? Pode dar um recado para o seu irmão?— Iara falava apreensiva, enquanto prestava a atenção no rapaz de costas no balcão do bar.

A garota era linda, parecia com Rodolpho. Ela sorriu e os olhos escuros se iluminaram.

— Eu dou sim. Pode falar!— ela disse se sentindo importante.

Iara inclinou-se para falar e apontou para Mel no meio dos casais que dançavam.

— Sabe aquela garota de short preto e camiseta branca? Aquela de cabelos longos!

A garota olhou curiosa e respondeu:

— Sim, estou vendo! O que tem ela?

Iara arrumou o corpo voltando à posição normal e sorriu dizendo:

— Ela quer dançar com o seu irmão!

A garota ergueu as sobrancelhas e se ajeitou na cadeira dizendo:

— Darei o recado! Pode deixar.

Iara sorriu satisfeita e viu Rodolpho se aproximando curioso, então ela se afastou depressa.

— Quem é essa garota? O que queria com você?— Rodolpho questionava aborrecido.

Ele não queria estar ali. Tinha menos de dezenove anos, trabalhava com o pai e estava particularmente cansado naquele dia, mas por insistência da irmã, veio parar naquele lugar.

Rodolpho sentou-se e fechou o semblante, enquanto a garota sorria lhe olhando pensativa.

— Não vai se arrepender de ter me trazido aqui. — Ela disse misteriosa.

Rodolpho a olhou impaciente.

— Rose, está se divertindo, não está? Isso basta!— ele respondeu seco.

Eles eram irmãos por parte de pai e Rodolpho era um irmão querido. A pequena Rose estava veraneando naquela praia e queria passear pela orla, pois tinha um parque de diversão. Mas Rose gostava mesmo de ver as pessoas dançarem e o pai só a deixaria sair se algum adulto a acompanhasse, então ela apelou para o coração mole do irmão. Ele não sabia dizer não para ela, mas prometera que voltaria logo para casa.

Rodolpho não via a hora de pegar a estrada de volta a sua pequena e acolhedora cidade.

Enquanto tomava um drink, ele observava os casais dançando de rosto colado.

— Tem uma garota querendo dançar com você, mano!— Rose disse procurando por Mel.

Rodolpho franziu as sobrancelhas e fechou o semblante dizendo:

— Como assim? Eu cheguei agora! Está brincando!

Rose ficou excitada e levantou-se da cadeira apontando para Mel.

— Aquela mano, aquela moreninha de cabelos longos!

Rodolpho se levantou curioso e correu os olhos procurando até que viu Mel distraída conversando com as amigas.

— Fique aí quietinha que vou tirá-la para dançar então! — ele disse decidido.

Enquanto caminhava, se perguntava se tinha mesmo que fazer aquilo, mas o desejo de ver aquela garota delicada de perto, era maior que ele.

Passou pelas três sem olhá-las, mas pôde sentir um burburinho e então sorriu, voltando-se rapidamente, ficando diante de Mel que quase desmaiou de susto.

— Quer dançar comigo?— ele disse sorrindo malicioso.

Ela não respondeu, mas deixou-se conduzir até onde os casais dançavam e então se abraçaram.

Rodolpho segurou a cintura fina de Mel e a trouxe para perto do peito e pôde sentir que ela tremia de desejo.

Ela enlaçou o seu pescoço e descansou a cabeça no seu peito.

A respiração deles estava ofegante enquanto dançavam.

Iara e Nice aplaudiam baixinho.

Rose observava da sua mesa enquanto tomava um refrigerante.

Rodolpho segurou a mão de Mel quando a música parou. Foi anunciado um pequeno intervalo.

Os dois ficaram se olhando ansiosos e desesperados por não se separarem.

Mel fez menção de voltar para perto das amigas, mas Rodolpho a puxou e ela voltou-se com os olhos brilhando de emoção. Ele também a queria.

— Não vá! — ele disse num fio de foz.

Mel engoliu em seco e nervosa, se afastou livrando-se da mão que lhe segurava.

Rodolpho a viu sumir e ficou parado como um garoto perdido. Queria aquela mulher. Era como se ela lhe pertencesse.

Ele virou-se para Rose que lhe observava sorrindo numa parte mais alta do bar. Sacudiu a cabeça e subiu os poucos degraus.

Enquanto isso, o trio comemora a vitória de Mel. As três se uniam num abraço.

— Mel, você conseguiu!— Iara dizia feliz.

Mel se afastou e mordeu os lábios dizendo pensativa:

— Foi tão maravilhoso!

— Por que não tascou logo um beijo nele Mel?— Nice falava animada.

Mel se afastou assustada falando:

— Ficou louca? Nem conseguia falar nada! A língua enrolava. Queria saber tudo a respeito dele, mas não conseguia falar!

Iara ficou pensativa e um tanto preocupada, então disse:

— Mel, ele é muito cobiçado! Não vai se apaixonar, você é muito romântica!

Mel fez uma careta e disse:

— Amiga, tarde demais!

As três se abraçaram. Iara suspirou. Ela conhecia bem Rodolpho, sabia que era um rapaz disputado e Mel era extremamente sonhadora. Não sabia mais se havia feito certo em facilitar-lhe dançar com aquele príncipe. E se a amiga sofresse?

Iara se afastou e olhou para Rodolpho que tinha o pescoço esticado na direção delas.

Ela virou-se para Mel e pensou que precisava ajudar os dois a ficarem juntos, mas como? Ele era filho do poderoso empresário, dono da cana de açúcar de todo aquele lugar e Mel era uma moça humilde, apesar de encantadora.

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