Voltando ao presente porém... Assim que Malú e Ravi saíram da biblioteca, onde estavam reunidos com os outros, ele tocou suavemente no cotovelo dela e a conduziu até a varanda. O ar noturno estava fresco, e o silêncio entre eles era denso, carregado de algo não dito. Ravi se aproximou, seu olhar fixo nela, como se tentasse decifrar cada pensamento que cruzava a mente de Malú. Ele ergueu a mão, e segurou seu queixo com delicadeza, mas sua expressão era intensa. Porém, se arrependeu imediatamente, pois era impossível se concentrar ao encarar aquele olhar doce e aquela boca tão tentadora sem sentir o desejo de beijá-la. Ele no entanto se controlou, e sorrindo com carinho, lhe falou: Malú sentiu o coração acelerar, mas não desviou o olhar. A proximidade dele a fazia querer ficar, mesmo sabendo que deveria se afastar. Ravi, porém, parecia lutar contra si mesmo. Seus dedos tremiam levemente ao tocar seu rosto, e ele respirou fundo antes de falar, sua voz um pouco mais rouca do que o n
Malú ainda estava sorrindo, maravilhada com as palavras de Ravi, quando ele continuou, sua voz firme e carregada de uma intensidade que fez seu coração acelerar: — No entanto, também quero que entenda uma coisa — disse ele, segurando seu rosto com as mãos, seus olhos queimando com determinação. — Jamais aceitarei que qualquer outro homem se aproxime de você. Porque, infelizmente, nós, os Castellani, não somos apenas ciumentos. Somos possessivos. É um defeito da família, eu sei, mas é parte da nossa natureza. E nada pode mudar isso. Malú sorriu, seus olhos brilhando de afeto e compreensão. Ela pegou o rosto dele com as duas mãos, aproximando-se lentamente. — Sempre tive muito medo da possessividade de Viktor, porém com você é diferente, não sinto medo e nem desejo que mude, o que você chama de possessividade eu sei que se trata únicamente de proteção Ravi — sussurrou ela, antes de beijá-lo suavemente nos lábios. Quando se afastou, seu sorriso era tranquilo, mas seus olhos estavam
Para Malú, foi difícil convencer Ravi. Ele estava decidido a não deixá-la ir com eles, mas Malú provou ser ainda mais teimosa do que ele imaginava. Olhando para toda a família de Ravi, ela falou com uma determinação que surpreendeu a todos: — A menos que você queira me amordaçar, não vai conseguir me fazer ficar aqui. Eu irei com você, Ravi, e ninguém vai me convencer do contrário. Além disso, percebi que esse homem é mil vezes mais determinado do que o próprio Viktor. Se ele disse que não entregará sua irmã a menos que eu vá com você, ele vai cumprir o que prometeu. E se essa for a única chance de resgatar sua irmã, então eu irei sim! — Maldito seja! — Ravi explodiu, sua voz carregada de frustração e preocupação. — Você não percebe que isso pode ser uma armadilha de Viktor para te levar de mim? — Sei disso, Ravi — respondeu Malú, sua voz firme, mas carregada de emoção. — Mas o perigo que corro é o mesmo que você. Acha que conseguirei ficar aqui, aflita, sabendo que posso estar a
Ele olhou seriamente para Eduardo, sua expressão agora mais grave. — Acredite, senhor, não fiz nada para a sua filha que não faria de novo, quantas vezes fosse necessário, para garantir que ela estivesse fora de perigo, como está agora. Gabriel cheirou os cabelos de Miriã, um gesto que fez Eduardo e os outros homens trocarem olhares desconfiados. Ele então continuou, sua voz calma, mas firme: — Agora, será que poderiam baixar as suas armas? Acreditem, eu realmente estou sozinho e desarmado. Vim de peito aberto porque sei que estou entre uma família de bem. Mas essas armas apontadas para mim estão me deixando um pouco nervoso. Além disso, a garota realmente precisa de ajuda médica. Acredito que ela sofreu uma concussão quando aquele idiota a arremessou contra a parede. Os homens hesitaram por um momento, mas, aos poucos, começaram a baixar as armas Gabriel olhou para Ravi por um momento, como se estivesse avaliando-o. Depois, com movimentos lentos e cuidadosos, entregou Miriã
O silêncio naquele momento se tornou pesado, cortado apenas pelo som irregular da respiração de Malú, que tremia como uma folha ao vento. Seus olhos, cheios de lágrimas, fixaram-se no peito de Gabriel, enquanto suas mãos hesitantes puxavam a blusa para cima, revelando um sinal peculiar abaixo dos seios, próximo à costela. Um coração vermelho, pequeno e perfeito, marcava sua pele como uma assinatura do destino. O mesmo sinal que Gael carregava no peito. — É... é igual... — sussurrou Ravi, mas se calou, como se não desejasse quebrar aquele momento. Malú balançou a cabeça, negando, como se pudesse apagar a realidade que se impunha diante dela. As lágrimas escorriam sem controle, e suas pernas pareciam prestes a ceder. Gabriel, com passos firmes, mas cheios de emoção, aproximou-se dela. Sua mão, quente e segura, envolveu a dela, e ele falou com uma voz que misturava dor e alívio: — Sim, Malú. Sou eu. Sou seu irmão. Aquele que você acreditava estar morto. Aquele que, por mais de vinte
Olga então pegando nas mãos dela começou a explicar: — Naquela noite quando saiu, percebi que os homens Viktor estavam me seguindo, ele tentou me sequestrar para saber onde você e sua mãe estavam escondidas. Eu corri, mas eles atiraram em mim. Quase morri, mas ele... — ela apontou para Gabriel, que observava a cena com um olhar sério. — Ele me salvou. Passei muitos meses em coma, e quando acordei... — ela fez uma pausa, as lágrimas escorrendo pelo seu rosto. — Desculpe, Malú. Desculpe por não ter conseguido ajudar sua mãe. Malú abraçou Olga novamente, apertando-a com força. — Por favor, não chore, Olga. Você não tem culpa de nada. A única pessoa culpada de todas as nossas desgraças é Viktor. E sobre a minha mãe... — ela fez uma pausa, engolindo em seco. — Nós a perdemos, mas ela nos deixou a minha irmãzinha, May. Ela é tão linda, saudável e inteligente. E agora, ela precisa de nós.
Enquanto falava isso Eduardo descia a escada de mãos dadas com Diana, acompanhado de Luna e do doutor Rangel. Luna estava com o bebê de Natália no colo, que havia acordado e já procurava os braços da mãe. — Obrigado, jovem, por salvar a minha princesinha — disse Eduardo, com uma voz carregada de emoção. — Nem tenho palavras para agradecer. Da minha parte, você terá sempre a minha eterna gratidão. Afinal, os meus filhos são a coisa mais importante na minha vida. E, por favor, perdoe-me por tudo o que lhe disse anteriormente. Ele apertou a mão de Gabriel com firmeza, enquanto sorria para seus filhos com aquele sorriso paternal que todos já conheciam. — Não precisa se desculpar, nem me agradecer, senhor — respondeu Gabriel, com um sorriso humilde. — Eu não fiz mais que a minha obrigação. E como está a sua filha? Eduardo olhou para o doutor Rangel, que respondeu: — Bem, a senhorita Miriã agora só precisa mesmo é de um pouco de descanso. Por incrível que pareça, seus reflexos estã
Naquele momento, Gabriel sorria enquanto tomava banho, lembrando o quão delicioso era o perfume dos cabelos de Miriã. Ele sorriu, imaginando como desejava conhecer aquela garota que todos diziam ser de personalidade forte. — Eu duvido — pensou ele, com um sorriso nos lábios. — Para mim, ela parece um anjo. Na verdade, quando a carreguei nos braços, a sensação que tive foi de estar carregando a pessoa mais doce do mundo! Ele continuou a se lembrar do momento em que a segurou, sentindo o calor do corpo dela contra o seu. Ao sair do banheiro e vestir uma roupa para dormir, seu telefone tocou. Ele não precisava ver o número para saber quem era. Antes de atender, apertou o cronômetro do seu relógio. Ao ouvir a voz firme e compassada de Viktor, ele sorriu novamente, desta vez de forma sarcástica. — Então, Hernández, devo dar-te os meus parabéns? — perguntou Viktor, com um tom de ironia. — Como queira, senhor! — respondeu Gabriel, de forma debochada. — É incrível como conseguiu me