Melissa Ribeiro Uma semana depois... É mais um dia que troco de lugar com Jennifer para cuidar de Milena, nada mudou desde o dia que veio para o hospital. Os médicos não optaram por fazer a cirurgia dela mesmo após o tratamento para a infecção que foi um sucesso, seu traumatismo craniano estava ainda sendo avaliado a cada dia e não viam necessidade de cirurgia já que progredia com os dias que se passavam. Para mim e Jennifer era um pesadelo ver nossa amiga assim, não podia contar para família de Milena sobre isso porque eu sabia que assim que acordasse e se ela imaginasse que procurei sua família, ia querer me esfolar viva. A mãe do Leandro fazia constantes visitas para Milena e eu já tinha compreendido que seu filho a usava para vigiar a recuperação dela. Então, nós ficávamos de olho nela, não que fosse fazer algo contra a vida da minha amiga, mas para não falar ou influenciar ela com palavras sobre seu filho. Quando Milena acordasse seria ela a decidir se denunciará ou não LC,
Milena Fernandes Acordo meio desnorteada com a cabeça prestes a explodir numa dor latejante, sinto meus olhos cheios de lágrimas não derramadas e quando tento abrir uma luz forte invade meu campo de visão me cegando, aperto meus olhos com força e tento falar, mas minha voz não sai. Puxo na memória o que aconteceu para ter alguma ideia de onde estou e os flashes vem com força. Leandro me batendo, xingando e cada vez mais violento. Minha nudez aos seus olhos que passearam em todo meu corpo exposto, sua voz soando mais grossa e a dor constante de cada agressão que me causou. Me sinto agitada e tento respirar mesmo sentindo o ar se esvair dos pulmões, é em uma última tentativa que noto mãos no meu tronco juntamente com vozes agitadas me pedindo para me acalmar. Eu juro que tento, mas é difícil quando parece ter uma mão sufocando seu pescoço a ponto de não dar para respirar mais. Não sei quanto tempo leva para que eu vá afundando em completa confusão até uma calmaria profunda, entã
Leandro Caio (LC) Recebo a informação que Milena acordou do coma e não penso em mais nada que não seja ver ela com meus próprios olhos, saber como está frente a frente e não por recados da coroa, mas o que eu não esperava era chegar no hospital e ver minha mãe sendo acompanhada por seguranças até a porta de saída. Eu aumento meus passos com certa preocupação do porque está sendo retirada do hospital e assim que dona Glória me vê, sorri debochada para os dois homens que caminham do seu lado. — Filho, que bom que chegou. Estou sendo convidada a me retirar do hospital e esses brutamontes não quiseram que eu fizesse isso sozinha. — desvia o olhar me encarando seriamente. — Do qual foi que mandaram tu sair da parada? — questiono curioso por uma explicação decente. — Nem eu tô sabendo filho, o médico conversou comigo e pediu para que eu me retirasse, caso contrário chamaria os seguranças. Fui atrás dele para saber o motivo, mas ele só chamou eles que me trouxeram até aqui fora. — im
Milena Fernandes Eu conseguia me lembrar de tudo com exatidão, mas só contei a verdade para as minhas amigas quando tive a certeza que aquela mulher tinha ido embora de uma vez. Melissa conversou comigo no caminho das salas de exames explicando tudo o que aconteceu para que ela fosse para o hospital e falasse tudo que disse, eu não esperava saber que aquela era a mãe do Leandro. Fiquei pensativa por horas até decidir uma melhor saída para me livrar do LC. O apoio da Mel nessa história toda foi essencial para dar certo o plano que bolamos, mas quando ela saiu para conversar com ele e voltou toda sem jeito eu soube que alguma coisa tinha saído do combinado. — Fala logo o que deu de errado! — bufo impaciente e ela senta na poltrona ao meu lado. — Ele não te quer na boate, disse que se for lá não vai cumprir com a promessa de se manter afastado. — abro a boca para xingar e reclamar disso, mas ela não deixa — Ele vai te arrumar um emprego no morro para não te ver na boate! — revir
Leandro Caio (LC) Verificando as mercadorias que chegaram no galpão enquanto colocava os menor pra trabalhar quando minha mãe me ligou e me afastei para atender. Ligação on: — Fala dona Glória! — falo caminhando para longe dos menor. — Leandro, acabei de saber que a garota saiu do hospital. Porquê não me avisou? — estranho a rispidez na voz e balanço a cabeça incrédulo com a audácia. — Como assim? Tá de tiração?! O que tu tá querendo se meter no assunto coroa? Já não disse pra ficar de boa?! — sou grosso mermo e ainda pude escutar seu resmungo no fundo. — Eu só queria saber porque não me avisou, vim no hospital trazer algumas coisas para ela e perdi a viagem! — retruca brava e xingo baixo sem paciência. — Porra coroa, não tô te entendendo, o que tá querendo indo atrás a mina. Já te falei que tô resolvendo a parada e o que precisasse ia te acionar, mas parece que não entendeu isso ainda. Qual teu interesse nisso tudo? — pergunto na moral. — Leandro! — ralha — Se essa ga
Milena Fernandes Dois dias depois... Não dava mais, eu precisava sair de casa e respirar um ar puro. Fiquei trancada dentro do quarto durante dois dias e Melissa não me deixava sair para nada, nem mesmo ir ao banheiro sozinha. Estava sendo monitorada vinte e quatro horas por dia, parecia estar na casa mais vigiada do brasil, mas dentro da favela e cercada por traficantes. Fui avisada que agora Leandro tinha colocado seus guardinhas por todos os lados para acompanhar meus passos onde quer que eu fosse. Tinha certeza que ele não ia arriscar me deixar tão livre por aqui após saber de quem eu era irmã e qual a minha intenção com ele. Não ia dar o braço a torcer e pensaria bem no que fazer antes de agir com impulso. Jennifer tinha acabado de sair de casa para ir no mercadinho comprar algumas coisas que precisava para casa enquanto eu fingia que dormia. Meu corpo doía muito ainda, andava meio desajeitada e os roxos eram bem visíveis, mas eu precisava sair até na calçada para respirar
Leandro Caio (LC) Aguardo ansioso sentado na poltrona do quarto de hospital, o mesmo em que a trouxe da primeira vez e onde ia fazer o acompanhamento pós cirúrgico. O médico já tinha falado comigo e com a amiga dela, a que me odiava mais que a Melissa, e agora só restava esperar ela acordar para saber como estava a dor. Não havia nada de errado com Milena, se não tivesse ficado em pé e caminhado sozinha, esse desmaio pela dor sufocante que sentiu não ia ter acontecido. Sua teimosia foi suficiente para sair do quarto, que eu tinha mandado deixar todo equipado com livros, filmes, comidas de fácil acesso e até mesmo um frigobar para ela, não foi suficiente tudo que tinha ao seu alcance e isso me deixou putø pra caralhø. O que adiantaria eu explodir com a mina que realmente nem lembrava quem eu era, e o que fiz?! Minha vontade era de encher a pørra do saco da Melissa, onde deu sua palavra da melhora de Milena e garantiu os melhores cuidados oferecidos por ela, e a outra mina que ta
Milena Fernandes Tinha acabado de sair de uma loja com meu primeiro emprego no Rio garantido, era uma vida totalmente nova que estava levando aqui e justamente no segundo dia que chegamos já estava de carteira assinada. Precisava pegar um único ônibus que me deixava perto do Complexo da Maré onde atualmente morava com minha irmã, Mirela. Foi difícil sair do interior de Maceió para tentar uma vida nova aqui, nossos pais foram contra e queriam nossa permanência lá na cidade junto de todo restante da família. Eu bati o pé porque queria ter uma vida boa e lá eu sabia que não conseguiria ter, Mirela me apoiou nesse sonho e por isso a trouxe comigo, fora outros motivos. O trabalho foi dobrado como garçonete e atendente de padaria para poder pagar nossa viagem e moradia para uns meses. [...] Fazia uma semana que estávamos morando na Maré, não por escolha minha e sim, de Mirela que disse ser barato e que não teria riscos para nós duas. Eu confiava na minha gêmea e por isso não me opus.