05. O pacote

Joshua

Não é a primeira vez que sou contratado por alguém que tem alguns problemas, mas uma que se recusa a acreditar que pagou pelo serviço, essa é a primeira que enfrento.

Com uma mão na cintura enquanto a outra tenta organizar o cabelo bagunçado me encara. Me mantém na soleira da porta, está desconfiada demais para me dar qualquer espaço.

Pelo cheiro de álcool vindo dela imagino que tenha feito o pedido enquanto estava bêbada, por esse motivo não se recorda de como aconteceu. No entanto, assistir enquanto ela tenta com todas as forças não surtar é muito engraçado e não deixo de sorrir, notando que tomo a sua atenção sinceramente com isto.

— Pode repetir? — Rio mais uma vez, enfio a mão no bolso do jeans, me encosto contra a soleira e ela sente a necessidade de tomar algum espaço. Por ser a primeira vez que lido com alguém que não tinha ideia de que apareceria cada uma de suas reações se tornam divertidas de ver.

— Me chamo Joshua e faço parte da namoro.com, uma empresa onde homens e mulheres são alugados para fazerem do dia do contratante uma ocasião feliz, no seu caso, quer um mês inteiro de felicidade. — Bato palminhas e isto a irrita ao ponto que penso que a porta será fechada na minha cara novamente. — Acha que alguém fez uma brincadeira com você quando me contratou?

— Acredito que você está brincando comigo, não é possível — fala com a voz soando estranha pela vergonha se misturar com a raiva. — Já fiz muitas coisas ao beber, muitas delas loucuras que não repetiria, mas comprar um homem.

— Alugar, você me alugou Kendra. — Cessa seus movimentos, fica vermelha de raiva. O som de uma pessoa saindo de sua casa após abrir a porta faz com que ela se mova para longe da porta, mesmo que não me sinta como um convidado honroso, entro.

— Pode se sentar em qualquer lugar, mas, caso seja aquele tipo de homem escroto, é bom saber que a minha casa é cheia de câmeras que vão gravar todas as merdas que fizer. — Sorrio por sua personalidade ser bem diferente do que aparentava nas fotos perfeitinhas que inseriu em seu perfil.

— Não ousaria machucar minha contratante — profiro e falar em questões de contratos sempre faz com que ela fique mais nervosa. Some indo em direção a algum cômodo e volta com o notebook em mãos pondo-o para ligar assim que se senta na poltrona.

Enquanto espera pega um pacote de batata chips e começa a comer sem se importar com as vestimentas em seu corpo. Apenas me olha esporadicamente para ter certeza de que não me mexi.

Não sei o que pensa que pode fazer se por um acaso fosse realmente uma invasão quando tudo que pegou foi um pacote de batatas. Acompanhei cada uma das suas mudanças e sua expressão parecia a ponto de explodir enquanto o dedo move-se ligeiro para lhe mostrar mais informações.

— Merda — xinga elevando a cabeça ao me encarar. — Olá meus cem mil dólares. — Sorrio e não a agrada que esteja sendo simples lidar com a sua mercadoria. — O que merda eu estava pensando?

— Não tenho ideia — declaro e ela coloca a mão em cima dos olhos com os lábios mexendo-se sem parar para ter uma conversa solo com a sua mente.

— Pode me reembolsar? Não estava no melhor momento da minha vida, como pode imaginar — diz, coloca o notebook de lado.

— O reembolso pode ser feito, mas o valor integral não será devolvido, pode olhar o contrato melhor, caso queira ter certeza. — Me olha, lança em mim um tipo estranho de poder de descobrir coisas e deixa os ombros caírem em derrota em seguida.

— Não acho que esteja mentindo — fala, coloca a cabeça para trás olhando para o teto e suspira. — Meus cem mil dólares. — Choraminga antes de tampar o rosto com o antebraço. — Não acredito que meu inconsciente é tão burro e pervertido. — Sussurra, somente para colocar os olhos em mim de novo. — Pelo menos tem bom gosto.

Rio, pois sua sinceridade, apesar da vergonha, não some.

O modo como seus olhos se apertam quando sorri é incrivelmente divertido, além de a personalidade ser muito melhor do que esperava de alguém que gasta tanto dinheiro por uma companhia.

— Tudo bem. — Coloca o pacote de batatas de lado e se ergue. Se aproxima e com a mão estendida na minha frente mantém um sorriso no rosto. — Sou a Kendra, espero que você realmente vale o preço pago.

— Farei de tudo para não decepcionar. — Puxa a mão da minha ligeiro, quase como se um choque a atingisse no momento em que deixei de falar. — Serei o seu namorado perfeito por um mês.

— O que? — Sua voz soa esganiçada antes que se afaste, recua quase sentando-se novamente.

— Me contratou para ser o seu namorado. — Pisca várias vezes, ergue um dedo aponta para o meio do meu rosto como se precisasse me acusar.

— Não é um garoto de programa? — Gargalho por ver que está sendo séria, que acreditava que tinha contratado esse tipo de serviço.

— Não, acho que clicou na categoria errada. — Desaba na poltrona, encara o teto novamente. B**e a ponta dos indicadores uma na outra, pondera sobre o que tem que fazer em seguida. — Quer repensar sobre a situação?

— Não, só não pensei que lá no fundo pensaria em ter um namorado de novo. — Com essas poucas palavras deixou claro que alguém a machucou, que feriu seu coração ao ponto de não desejar ter relacionamentos de novo, até que esse pequeno deslize aconteceu. — Minhas palavras são as mesmas, não quero jogar uma quantia tão grande fora.

— O meu trabalho continua sendo o mesmo Kendra. — Já tinha notado que seu sorriso é muito mais bonito do que a maioria, mas vê-la se ajustar para exibir um outro tive certeza de quem quer que tenha sido aquele a machucá-la, é um babaca completo, pois ninguém com um sorriso tão encantador pode ser ruim.

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