AISHAAo perceber que podia mudar o tratamento direcionado a lobos como eu, que não passaram pela transformação, uma onda de esperança e determinação tomou conta de mim. Sentia que, finalmente, poderia fazer a diferença na vida de outros que, assim como eu, eram considerados defeituosos.Martín não era um lobo ruim. Ele apenas havia sido mal influenciado. Isso me fez entender que as mudanças precisavam começar de dentro, e eu estava disposta a lutar por isso. Pensando em tudo que estava por vir, sabia que algumas normas eram essenciais para criar uma matilha respeitosa.Quando chegamos ao hall do hotel, encontramos com meu antigo alfa, Sr. Joseph, acompanhado de outro lobo que já tinha visto, inclusive esse lobo era amigo de Collin e em um determinado dia foi quem me defendeu dos amigos idiotas de Martín.— Bom dia a todos! É bom saber que você está bem, Aisha. — Sr. Joseph disse, e no mesmo momento farejou o ar, olhando-me intrigado.— Antes de seguirmos para o escritório, Joseph, qu
KIRONLamentava que Aisha tivesse que passar por tudo aquilo, mas queria que ela tivesse a total certeza de que eu estaria ao seu lado em cada passo. Não sabia distinguir ainda qual o sentimento mais predominante dela… se alívio ou se raiva, mas tinha total certeza de seu amor pelos pais que escolheram amá-la.— Você sabia disso, Sr. Joseph? — Ela perguntou para aquele lobo na sala.— Nunca desconfiei disso. Seus pais, quando voltaram da alcateia de seus avós maternos, voltaram com você recém-nascida nos braços de sua mãe. Ela amamentava você e a protegia como uma loba que havia terminado de ter seu filhote.Percebi a admiração no rosto daquele senhor, mas não só ele tinha aquele olhar, minha Aisha e Maximus também tinham a mesma admiração. Percebi, naquele momento, que certas situações não podem acontecer em doses homeopatas. Era como tirar um curativo… você arranca de uma vez só.— Acredito que já podemos encerrar essa reunião. Sinta-se à vontade para visitar seu filho, Sr. Joseph.
AISHAAcordei no dia seguinte mais disposta. Sabia que não adiantaria ficar remoendo tudo que descobrir em minha mente. Esquecer, sei que seria algo impossível, mas precisava superar e olhar para o futuro.Kiron não estava ao meu lado, nem sei se, em algum momento durante aquela noite e madrugada, ele esteve ali. Sentia que nossa ligação ficara mais forte após sua marca, mas nada mudou em minha condição. Eu era uma lycan ou uma vampira, já que não era uma simples loba? Eu precisava conversar com ele a respeito disso.O encontrei assim que saí do quarto, conversando com Petrus e Maximus na sala. O teor da conversa — Kathy, Black e Martín. Não queria saber o que ele faria com Kathy e Black, mas me importava com o que ele faria com Martín.Meus sentimentos pelo atual alfa não eram românticos, mas sabia que ele não era uma pessoa ruim. Talvez um pouco influenciável, mas acreditei que ele havia aprendido sua lição, sem mencionar que todos os lobos de minha alcateia estavam ligados a ele e
Não sabia o que pensar sobre tudo aquilo. Parecia que minha vida estava entrando em um turbilhão de descobertas e eu precisava de tempo para lidar com cada uma delas. Assim que alcancei a calçada em frente ao hotel, respirei fundo. Tudo que eu precisava naquele momento era de um pouco de normalidade e de minha amiga.Antes que eu pudesse solicitar um Uber, um carro parou diante de mim e um rapaz desceu do banco do passageiro.— Bom dia, Sra. Aisha, o Sr. Kiron nos colocou à disposição da senhora e nos deu ordem para levá-la onde desejasse.Olhei para aquele homem e para aquele carro sem acreditar nisso. No entanto, aceitei. Talvez, aquela fosse a maneira de Kiron me dar um pouco de liberdade, além de ter paz de espírito, sabendo que eu estaria protegida pelos seus homens.Eles me deixaram em frente ao edifício de Maitê, mas observei que não saíram mesmo após eu descer e entrar na portaria. Não tinha dúvidas de que, quando eu saísse, eles ainda estariam lá.Quando abri a porta do apart
Enquanto providenciava o nosso café da manhã, debatíamos banalidades, e somente após estarmos alimentadas é que Maitê olhou em meus olhos e perguntou o que estava acontecendo. E dessa vez relatei toda a história que havia se desenrolado, as minhas descobertas e minha relação com Kiron.— Aisha, é muita coisa para processar.— Nem me fale…— Você conheceu seu pai biológico?— Não, Maitê. Eu não o culpo. Dizem que a dor por perder seu companheiro é terrível. Nem todo lobo resiste a ela. Meu pai Jacob sempre me falava sobre isso. Kiron disse que a dor do lycan que é o meu pai, foi tão profunda quando ele perdeu minha mãe e a mim que ele desistiu de sua humanidade, mas, ao que parece, seu animal nunca desistiu de mim.— Nem consigo imaginar o que seriam 18 anos, procurando uma pessoa que nem tinha certeza se estava viva. Isso é loucura, Aisha.— Somos ferozes protegendo nossos filhotes, Maitê. Um lobo não esquece cheiros, isso faz parte de nossa natureza, uma forma de reconhecer e identif
KIRONApós a saída de Aisha, meu lycan ficou inconformado. Minha vontade era destruir tudo naquela sala, mas eu não podia agir com irracionalidade, entregando o poder a ele. Me preparei para ir atrás dela, mas fui parado por Maximus.— Saia da minha frente, Maximus, ou não responderei por mim. — Disse, muito irritado.— Kiron, eu nunca ficaria contra você e estou mais do que feliz por você ser o companheiro predestinado de minha filha. Não a conheço bem, mas conheci minha companheira, a mãe dela, e as semelhanças são incríveis. Se você tentar subjugá-la, encontrará uma adversária à altura. Dê o espaço de que ela precisa e você a terá de volta em breve, sem precisar forçá-la.— Concordo com o Maximus, Kiron. Após tudo que a rainha passou, vai ser bom ter um pouco de normalidade, como ela disse.— Seja paciente, Kiron. Confie no processo, você não come o fruto no mesmo dia que planta a semente, meu amigo.Precisei respirar fundo algumas vezes para me controlar. Eles estavam certos. Aish
Saímos da sala e fomos em direção à enfermaria improvisada naquele andar. O cheiro de antisséptico era forte, contrastando com o usual aroma de madeira e requinte que impregnava o resto do lugar.Quando entramos, Martín estava sentado na beirada da cama, parecendo bem melhor do que o dia anterior em que o vi. Seus olhos brilhavam com um misto de gratidão e apreensão.— Martín, como está se sentindo? — Perguntei, parando a uma distância respeitosa.— Melhor, graças a vocês. — Ele respondeu, levantando-se com cuidado. — Agradeço por terem cuidado da minha saúde, rei Kiron. Sei que não era obrigação de vocês.Assenti, cruzando os braços.— E eu agradeço pela sua ajuda no combate com os outros lobos. Sem você, poderia ter sido muito pior.Martín fez um gesto de concordância, mas havia algo em seu olhar que indicava satisfação, um certo alívio.— Darei seu recado a Aisha e, se ela se sentir à vontade de conversar com você, ela avisará.— Não será necessário, nós já nos falamos. Ela me ouvi
Pensar em Maximus me fez lembrar que precisava conversar seriamente com minha tia sobre mantê-lo em minha guarda pessoal. Não me importava se ela fosse contra isso, eu confiava em Maximus, ainda mais agora sabendo que ele era o pai de Aisha.— Espero que você não esteja envolvido com nenhuma qualquer. Lembre-se de que você é o rei. Não envergonhe nossa família com envolvimentos com mulheres aleatórias.— Ainda bem que a senhora frisou bem… eu sou o rei. Não preciso dar satisfação de nada em relação à minha vida, tia Miranda. A senhora tem uma data para retornar ao castelo?— Eu mal cheguei e você já quer que eu vá embora? Você tem se demonstrado muito ingrato após tudo que fiz por você e pelo reino. Renunciei ao meu luto para servir a você.— Eu nunca pedi isso à senhora. A senhora o fez por vontade própria, não queira colocar essa bagagem em minha conta, tia. Sempre deixei claro que a senhora teria as mesmas regalias caso quisesse se afastar do castelo. Isso era compreensivo após a mo