Meu Noivo Substituto
Meu Noivo Substituto
Por: Sabrina
Capítulo 0001
Do outro lado da linha, a voz de Gustavo travou como se tivesse levado um soco no estômago. Demorou três batidas cardíacas para responder, com um tom carregado de descrença:

— Você está maluca? Vai cancelar o casamento mesmo?

— Não, ele é que vai casar com outra. — Retruquei deixando escapar um sorriso ácido que misturava desalento com ironia na dose certa.

Para ficar com Roberto, eu tinha enfrentado meus pais numa guerra particular que durou meses. Até a coleção de joias "Série do Amor Verdadeiro" estava programada para lançar no dia da cerimônia.

Tudo desmoronou feito castelo de areia na maré alta.

O silêncio do Gustavo foi tão denso que quase dava para ouvir os neurônios dele fumegando. Quando finalmente falou, a voz vinha embaçada:

— Então só resta o Ricardo. Seus pais estão pressionando para arrumar um casamento.

Arqueei as sobrancelhas após ouvir esse nome. Ricardo era meu inimigo. No dia do noivado, o infeliz tinha brincado que meu casamento não duraria nem a lua de mel. Maldito Nostradamus de butique.

— Que seja ele então. — Cortei com voz seca. — Pergunta se topa. Se não rolar, a gente pensa em...

Gustavo me interrompeu com uma risada rouca:

— Nem precisa perguntar. O cara aceita de olhos fechados.

— Como assim? — Eu estava prestes a retrucar quando fui interrompida por um grupo que surgiu como pipoca no estacionamento.

— Você é a noiva do Roberto, né? Nossa, que arraso!

— Veio buscar ele depois do trabalho? Já está descendo, que casal mais fofo!

Apertei o volante até os nós dos dedos ficarem brancos, baixando os cílios para disfarçar o sorriso amargo que me vinha. Há tempos Roberto me apresentava aos colegas e amigos, e diante de todos éramos aquela dupla de novela das oito, o casalzinho perfeito que dava vontade de odiar.

Contudo, quem diria que o príncipe encantado estava a três dias de desfilar no altar com outra?

Mal o grupo se dissipou, Roberto entrou no carro e me jogou um colar como quem descarta embalagem de salgadinho.

— Lúcia pediu para te dar. Você deixou ela sem graça no velório ontem. Tenta se desculpar quando der.

Dei uma olhada lateral ao colar e senti um riso ácido subir pela garganta. Era daqueles brindes de promoção de farmácia, igualzinho ao que eu havia visto no carrinho virtual dele semana passada.

— Não quero. — Respondi com frieza.

Ele franziu a testa como sempre fazia quando eu o contrariava.

— Qual o problema agora? Você que apareceu lá falando que eu não era noivo dela. Ela ainda teve educação de te mandar presente. Nenhuma gratidão?

O Roberto que antes me defendia até de barata voando já não existia. Agora era cavaleiro andante de outra donzela.

Baixou o vidro com um trancinho brusco, deixando o vento cortante invadir o carro. Depois de um silêncio que durou três sinais vermelhos, vendo que eu não daria o braço a torcer, amaciou a voz:

— Deixa para lá. Hoje tem prova do seu vestido. Não vou brigar por bobagem.

Era a primeira concessão em meses, mas o gosto na boca era mais de derrota que de vitória.

Ao entrarmos na butique de noivas, a atendente veio com aquele sorriso de quem acabou de ganhar comissão.

— Sr. Roberto, Srta. Sabrina, os vinte modelos sob medida estão prontinhos! Conjuntos completos para vocês dois!

Porém, os olhos do Roberto nem piscaram para os vestidos de seda francesa. Ele estava grudado no celular que vibrava a cada dois segundos, a mandíbula tensa como quem espera notícia de UTI.

Percebendo meu olhar espetado nele, enfiou o aparelho no bolso feito criança pegada colando na prova.

— Sabrina, a Lúcia está numa enrascada. Preciso ir agora. Escolhe seu vestido e pega um terno para mim. Confio cegamente no seu gosto.

Nem esperou minha resposta. Já estava acenando para um táxi na rua, desaparecendo na rua. Me deixou sozinha no salão de espelhos.

A atendente chegou de lado, fingindo que não estava vendo o circo pegar fogo, e tentou perguntar:

— A senhora vai querer selecionar o terno pessoalmente?

Virei o rosto para o manequim vestido de noivo e acenei com a cabeça. Claro que ia escolher um terno. Só não era para o Roberto.

Afinal, o noivo já tinha placa de "ocupado".

Quando cruzei a porta de casa, imaginei que ele só apareceria no dia seguinte. Mas eis que o príncipe chegou antes do Globo Repórter, trazendo uma sacola que cheirava a culpa.

Entrou como tufão, erguendo o troféu plástico.

— Andei a cidade inteira para te trazer isso. O jantar especial da Casa do Mar.

Abri o pacote sob seu olhar expectante. Os bolinhos de camarão tinham cara de dia seguinte de festa. Três faltando na fileira, e um deles com a dentada perfeita de quem experimenta antes de presentear.

Meia hora antes, os Stories da Lúcia havia piscado no meu feed: [Meu amor não esquece meu lanchinho noturno, mesmo tarde! Obrigada, meu protetor.]

Empurrei o prato com o garfo, o estômago embrulhado de ironia.

— Não quero. Pode jogar.

O queixo dele endureceu, mas a voz saiu melosa:

— Você não viu o que a Lúcia passou hoje. Meus pais foram lá esculhambá-la, falando que ela não tem dote decente. Ela chorou que até eu fiquei com o coração na mão. Como ela está recém-chegada... Pensei em usar seu dote para ajudar.

A firmeza na última frase me fez engolir seco. Virei para ele devagar e questionei com frieza:

— Então quer dizer que tenho que bancar o dote da sua esposa?
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