A chama da lareira dança, um espetáculo hipnótico que não consegue disfarçar a frieza que me envolve. O uísque, forte e amargo, queima minha garganta, mas não consegue aquecer a angústia que me consome. Emma. O nome dela, sussurrado em meus pensamentos, provoca um tremor que se espalha pelo meu corpo. Ela é a luz, a pureza, tudo aquilo que eu não sou, ou pelo menos, tudo aquilo que eu tento desesperadamente não ser. E o medo, esse monstro silencioso, me devora.O medo não é de punição, não é de justiça. É o medo da rejeição. O medo de que Emma descubra a minha pior face, aquela que habita nas sombras, a face que eu escondi por tanto tempo, enterrada sob camadas de autocontrole e afeição. A face do Alfa Supremo, sim, mas também a face do homem que se afogou na violência, que se tornou um instrumento de sua própria vingança.Eu me lembro daquela noite, com uma clareza cruel. A traição, a dor, a fúria que explodiu em meu peito como um vulcão. A perseguição implacável, a caçada sem
A alcatéia estava em silêncio, mas o tipo de silêncio pesado, que precede uma tempestade. A lua cheia iluminava a casa central da alcatéia, mas o clima era qualquer coisa menos tranquilo. O ar estava carregado de tensão. Algo estava prestes a acontecer, e ninguém sabia exatamente o que, mas todos sentiam.Damian estava no comando, mas, por algum motivo, sua intuição nunca o abandonara. Algo estava se mexendo nas sombras da alcatéia, algo que não deveria. O Supremo sentia que não podia confiar em todos, como antes.Era difícil de acreditar, mas a descoberta chegou como um soco no estômago. Um dos seus próprios, alguém que havia passado por todos os testes, alguém que ele julgava leal, havia traído a alcatéia. O traidor estava em uma posição chave, alguém com informações cruciais, e tinha se aliado a uma facção rival. A traição estava tão enraizada que a dor de descobrir não foi apenas pela ameaça imediata, mas pelo fato de que alguém dentro de sua própria casa estava tramando contra tu
A alcatéia estava em um estado de alerta constante, com os ecos da traição ainda ressoando nos corredores. Damian e os outros membros mais altos da hierarquia estavam tentando restabelecer a ordem, mas o dano já estava feito. A confiança foi rompida, e as sombras da incerteza pairavam sobre todos. Entre os membros leais, havia um consenso: Emma estava em risco.Emma observava as reações de todos ao seu redor. Ela conhecia o olhar de medo em seus olhos, a forma como as conversas eram sussurradas, o modo como todos estavam evitando fazer contato visual com Damian. O caos estava apenas começando. Ela sabia que, no centro de tudo aquiloAo procurar por Luna, Sophia sabia que ela seria a chave para salvar Emma. Luna era uma mulher de ação, mas também de mente estratégica, uma das poucas pessoas na alcatéia em quem Sophia confiava completamente. Elas se conheceram há muito tempo, e o vínculo entre elas foi sempre forte, apesar das diferenças. Era o tipo de amizade que ninguém entendia compl
A casa de Luna estava envolta em um silêncio profundo, um silêncio que parecia pesar mais à medida que a noite avançava. As sombras dançavam nas paredes, alimentadas pelas chamas da lareira. Emma, Sophia e Luna estavam ali, sentadas em uma mesa grande, com um ambiente tenso que só aumentava a sensação de que algo grande estava prestes a acontecer. Cada uma delas sentia a ansiedade no ar, mas ninguém sabia o que exatamente esperar.Henrique, com seu semblante grave e os olhos penetrantes, estava sentado em frente ao antigo manuscrito, o mesmo livro que ele tinha mantido guardado por tanto tempo. Ele parecia como um homem à beira de uma revelação — e sua presença era a prova de que ele estava ciente do peso de suas palavras.“Eu sei que vocês têm muitas perguntas”, Henrique começou, a voz grave e cheia de uma autoridade que se fazia sentir em cada palavra. Ele olhou diretamente para Emma, que sentia a tensão crescer em seu peito. “Mas antes de mais nada, preciso que saibam que não há co
A noite estava envolta em uma escuridão profunda, mas algo ali dentro da casa de Luna parecia brilhar com uma intensidade rara. A revelação sobre a profecia de Emma ainda pairava no ar como uma nuvem carregada de incertezas e possibilidades. O peso das palavras de Henrique continuava a ecoar na mente de Emma, enquanto ela tentava compreender a magnitude do que havia acabado de ouvir.Ela se afastou um pouco do grupo, caminhando até a janela, olhando para o horizonte. As estrelas pareciam mais distantes do que o normal, como se o universo em si estivesse esperando por algo. Emma respirou fundo, tentando processar tudo o que havia sido dito.Sophia se aproximou, sua presença reconfortante. "Eu sei que está sendo difícil, mas você não precisa carregar isso sozinha."Emma virou-se lentamente, os olhos marcados pela incerteza. "Eu... eu não sei o que fazer com tudo isso. Henrique falou sobre um poder imenso, sobre algo que pode restaurar o equilíbrio ou destruir tudo. E eu... eu sou só uma
A tensão entre Emma e Damian já se arrastava por dias, mas foi naquela noite que tudo explodiu. Ela estava cansada de ser tratada como alguém que precisava ser protegida, enquanto ele insistia que deveria ser o único a carregar o fardo das escolhas difíceis. O conflito entre eles vinha crescendo silenciosamente, como um incêndio prestes a consumir tudo ao redor, e finalmente, não havia mais como ignorá-lo.A casa de Luna estava silenciosa, mas Emma sentia o peso da situação em seu peito. Ela estava sozinha na sala, olhando pela janela, pensativa, quando a porta se abriu com um estrondo. Damian entrou, seu olhar carregado de preocupação e frustração."Emma, precisamos conversar", ele disse, a voz grave, quase um comando.Emma se virou para ele, já sabendo o que viria. "O que aconteceu dessa vez? Você vai me dizer o que fazer novamente?"Damian olhou para ela com um semblante tenso, mas não respondeu de imediato. Ele observou seus olhos, como se tentasse ler sua alma, mas não conseguiu
A noite estava quieta, mas o ar estava carregado de uma energia estranha. As estrelas brilhavam acima de Luna, mas a paisagem parecia em silêncio absoluto, como se a natureza estivesse aguardando algo. Emma caminhava pelo jardim de Luna, seus passos lentos e hesitantes, sentindo uma inquietação crescente. Algo estava diferente no ambiente, algo que a fazia sentir-se observada. Ela não sabia exatamente o que era, mas seus sentidos aguçados, agora mais apurados devido aos recentes eventos, captavam uma sensação ameaçadora, como se algo sombrio estivesse à espreita. O vento sussurrava entre as árvores, mas não trazia o frescor usual. Era como se a noite em si estivesse carregada de um peso, esperando que ela percebesse o que estava prestes a acontecer.Emma parou em meio ao jardim, seus olhos varrendo a área. Ela tentou se concentrar, mas algo no fundo de sua mente dizia que não estava sozinha. A presença parecia iminente, como se alguém ou algo estivesse se aproximando sem ser visto. Su
Quando Emma chegou em casa, sentiu-se invadida por um peso que ela não conseguia explicar. O ar estava denso, carregado com uma energia estranha que a envolvia como uma capa invisível. A casa, normalmente seu refúgio, agora parecia distante e fria. Ela sentou-se no sofá, os dedos apertando os braços com força, tentando encontrar alguma forma de se ancorar. Mas seus pensamentos estavam longe. O rosto de Roderick, sua presença imponente, continuava assombrando sua mente.Ela tentou se lembrar de tudo o que ele dissera, mas algo em sua fala a desconcertava profundamente. Não era só o que ele era — um bruxo antigo e perigoso. Havia algo mais, algo que a fazia sentir uma conexão que ela não compreendia. Ela nunca o havia encontrado antes, nunca tinha ouvido falar dele, mas seu olhar parecia familiar, como se ela já tivesse estado diante dele em algum momento de sua vida, talvez em outro tempo, em outra realidade. Mas isso era impossível, não era?As palavras de Roderick ainda ecoavam em su