Marília levou comida para Diógenes e, no caminho de volta para casa, passou na farmácia para comprar um remédio para o estômago. Ultimamente, tudo o que comia acabava voltando, e sua digestão estava péssima. Enquanto esperava o farmacêutico trazer o remédio, ouviu a conversa de duas garotas atrás de uma prateleira: — Minha menstruação não veio este mês. Acho que estou grávida. O que eu faço? O rosto de Marília ficou levemente tenso. Algo lhe passou pela mente, e seus olhos se arregalaram de susto. Instintivamente, levou a mão ao próprio ventre. — Eu lhe falei aquele dia para usar camisinha! Mas não, você veio com essa história de período seguro, dizendo que não precisava se preocupar. Acabei de pesquisar na internet e descobri que, mesmo no período seguro, dá para engravidar! Agora estou passando mal e vomitando tudo. Com certeza estou grávida! Eu não quero ser mãe solteira, então trate de falar com seus pais agora mesmo e os mande ir à minha casa pedir minha mão! Antes que minha
— Por que você ainda está defendendo ele? Marília não estava defendendo Leandro, apenas afirmando os fatos. Naquela época, tudo o que queria era se vingar de Esperança, e por isso fez o que fez. Mais tarde, movida pelo mesmo sentimento, se aproximou de Leandro, determinada a conquistá-lo. No fim, acabou envolvendo Diógenes e o prejudicando, o deixando hospitalizado... "Isso é o que chamam de karma?" — Mesmo que tenha sido você quem o seduziu, você não estava bêbada? Ele estava sóbrio, não estava? Suas famílias se conhecem, e, pela questão da geração, você deveria chamá-lo de tio. Ele ter se aproveitado de você dessa forma não faz dele um canalha? — Ele também tinha bebido. Zélia quis argumentar que um homem bêbado não conseguiria fazer nada, mas, ao ver Marília naquele estado, decidiu não continuar a discussão. Apenas suspirou e perguntou: — E agora, o que você pretende fazer? O que fazer? A mente de Marília estava uma bagunça, e sua mão permaneceu pousada sobre o abd
Leandro manteve uma expressão impassível: — Você veio falar comigo só por causa disso? — N-não... Não é só isso. Eu tenho outra coisa importante para falar, mas antes disso, preciso esclarecer essa questão. Isso é muito importante para mim! Marília olhou para ele com seriedade e firmeza. Leandro a encarou por alguns segundos antes de responder com indiferença: — Não. O coração de Marília se aliviou por um instante, mas logo ela prosseguiu: — Mas naquela noite, você foi com ela ao encontro de ex-alunos... "Você ainda deixou que ela segurasse seu braço." Ela engoliu em seco essa última frase, sem dizê-la em voz alta. — Você não foi? — Os lábios finos de Leandro se curvaram em um sorriso frio. — Seu namorado sabe que você me chamou aqui para falar disso? — Renato não é meu namorado. — Explicou Marília. — A prima dele me pediu um favor, queria que eu o acompanhasse ao encontro para que ele não precisasse pagar tudo sozinho! Leandro soltou um riso frio: — Que gener
Marília não queria voltar para a família Cardoso. Depois de pesquisar sobre o processo de casamento na internet, foi diretamente ao cartório para emitir sua certidão de nascimento. Com o documento em mãos, junto com sua identidade, seguiu com Leandro até o cartório de registro civil. Como era um dia útil, às três da tarde não havia muitas pessoas no local, e em pouco mais de dez minutos tudo estava resolvido. Quando os certificados de casamento foram entregues, Marília ainda sentia que tudo aquilo era um tanto irreal. Ela realmente havia se casado e, além disso, com Leandro! A pessoa que ela mais odiava no passado! Era inacreditável! Marília seguiu Leandro para fora. Assim que desceram os degraus, o homem à sua frente parou de repente, se virou para ela e disse: — Vou com você arrumar suas coisas. Marília demorou alguns instantes para reagir. — Arrumar o quê? Leandro franziu a testa e a encarou, enfatizando: — Agora somos marido e mulher. Marido e mulher... Só en
Marília sempre fora bonita desde pequena, chamando atenção onde quer que fosse. Quando apareceu vestida com um vestido de gala verde-claro estampado com borboletas de bambu, o barulho na sala privativa cessou de repente. Todos se reuniram ao seu redor, cheios de elogios. Marília olhou ao redor, mas não viu a pessoa que queria encontrar. Alguém percebeu seu olhar e brincou: — Está procurando o Anselmo? — Marília nem teve tempo de negar, e a pessoa continuou. — O Anselmo com certeza está preparando uma surpresa para você agora! — Surpresa? — Perguntou Marília, confusa. A outra pessoa respondeu com um olhar misterioso: — Você realmente ainda não sabe? Olhando para o rosto de Marília, brilhante e refinado, e para o vestido de gala que parecia ganhar vida com sua presença, todos sentiam uma admiração que aquecia o coração. A beleza dela era de uma sofisticação e harmonia quase poéticas. Apesar de uma pontada de inveja no fundo, todos mantinham uma expressão amigável. — Ac
No bar. Leandro olhou para o relógio. Já estava na hora. Ele se levantou, pronto para ir embora. Diógenes Lima ficou surpreso: — São só nove horas, já vai embora tão cedo? — Não tem mais graça. — Como assim não tem mais graça? Olha quantas mulheres bonitas! Isso aqui não é muito melhor do que fazer plantão no hospital? — Diógenes se levantou e passou o braço pelo ombro de Leandro, apontando para os jovens que dançavam colados na pista de dança. — Olha só como eles estão se divertindo. Você não sente nem um pouco de inveja? Leandro nem levantou as pálpebras. Apenas lançou um olhar frio para o braço que repousava sobre seu ombro e respondeu, com indiferença: — Tira a mão. O olhar inexpressivo de Leandro deixou Diógenes ligeiramente assustado, mas ele sabia que não tinha escolha. Leandro era o rosto mais atraente do departamento deles. Se não fosse por ele ter trazido Leandro hoje, eles jamais conseguiriam pegar o número de WhatsApp das garotas. Diógenes imediatamente
— Não ache que só porque eu te chamei de tio, você é realmente meu tio. Não se meta nos meus assuntos! Marília saiu da banheira com dificuldade. Será que ela estava maluca? Por que tinha vindo ao hotel com ele? Ela sabia muito bem que ele nunca fora sido amigável com ela. — Você vai sair assim? A voz do homem soou às suas costas, carregada de um tom indecifrável. Marília parou de repente, prestes a abrir a porta, e olhou para si mesma. Seu corpo estava completamente molhado, e o tecido fino do vestido de noite de verão estava grudado à sua pele, desconfortável e revelador. Até mesmo os adesivos de seios estavam desalinhados, deixando algo bastante chamativo à vista. Não havia como sair daquele jeito. Apertando a maçaneta da porta com mais força, Marília usou uma mão para cobrir o peito e abriu a porta. Ela não saiu. Com frieza, ordenou que ele fosse embora: — Saia. Quero descansar aqui! Leandro tirou um cigarro e um isqueiro do bolso. Acendeu o cigarro e deu uma t
Leandro disse que a esperaria do lado de fora. Marília terminou o banho, trocou de roupa e ficou enrolando até as dez horas. Ao seu redor, não havia som algum, nem ninguém que viesse bater à porta para apressá-la. "Ele deve ter ido embora", pensou. Marília foi até a porta do quarto, segurou a maçaneta, respirou fundo e a girou lentamente. Ao ver que não havia ninguém lá fora, soltou um longo suspiro de alívio. Quando estava prestes a sair, um fio de fumaça chegou até ela. Virou a cabeça e encontrou diretamente o olhar profundo e sombrio do homem. Leandro apagou o cigarro que segurava. — Vamos tomar café da manhã. Ele foi o primeiro a sair andando. Marília abriu a boca, sem saber o que dizer, e acabou apenas o seguindo com certa relutância. O restaurante ficava no térreo. Depois de se sentarem, o garçom trouxe o cardápio. Marília pediu dois pratos aleatórios e devolveu o menu. Sua bolsa não estava no quarto. Sem o celular para passar o tempo, só lhe restava mex