ANAQuanto mais Zero percebeu que eu precisava que ele confessasse seu amor por mim, mais ele começou a se divertir com meu sofrimento. Eu continuava repetindo "eu te amo" e ele continuava dizendo que sabia, com um sorriso estúpido que roubava meu coração.Eu não sabia que algumas palavras poderiam me deixar tão desesperada e não sabia que o tempo poderia passar tão rápido. Eu já estava acostumada a tomar banho com Zero, como ele disse que eu ficaria. Ele estava sempre aqui. Dormíamos na mesma cama, eu acordava ao seu lado todos os dias, sorríamos, ríamos e caminhávamos juntos. Até a família de Zero havia se tornado suportável para mim, porque Gualterio e Liam se abstiveram de ficar no meu caminho depois do que Zero fez a eles três semanas atrás.Natália estava prestes a dar à luz. E, como sempre, o Rei Vampiro estava ansioso para colocar Zero no trono antes disso.Eu discuti com Zero sobre o futuro. Eu lhe contei o que Liam havia me dito sobre toda a questão da diferença de idade
ANARafael tirou a mão do ombro e se virou, subindo as escadas e alcançando a cadeira vermelha acolchoada e com braços dourados.Liam veio para o meu lado, com seus olhos fixos no trono. Olhei para ele, entendendo seu olhar.Não foi preciso muito para perceber que ele queria aquele lugar. Ele não era tão mau, apenas um vampiro tendo um ataque sobre o que pensava ser seu por direito.Rafael ficou de pé ao lado do trono enquanto o Rei Vampiro gesticulava para alguém trazer algo. Olhei para ele e ele me encarou de volta, mesmo de lá de cima.— Ele nem quer estar lá. — Liam bufou infantilmente.Rafael virou a cabeça em sua direção, lançando um olhar de advertência. Eu ri enquanto Liam fungava dramaticamente.— Ele também não quer que você fale comigo. — Imitei o tom de Liam, bufando.— Eu sei. — Liam suspirou. — Ele me odeia.Meu coração disparou quando Guilherme agarrou o antebraço de Rafael e o encarou. Pai e filho, cara a cara, pareciam uma cópia um do outro. — Ele não odeia
ANALiam, Guilherme e Freya fizeram tudo o que podiam. E salvaram Rafael.Não foi um pesadelo. Foi o pior momento da minha vida. Eu quase o perdi e perdi a cabeça.Ele estava deitado na cama no quarto enquanto Freya estava sentada ao seu lado, chorando silenciosamente. Errei sobre sua família, eles se importavam com Rafael mais do que demonstravam. Eles simplesmente não sabiam como mostrar a Rafael porque ele não estava pronto para ouvir ou aceitar seu afeto.Enxuguei minhas lágrimas e respirei fundo enquanto olhava para Rafael e seus pais da porta do quarto. Ainda não conseguia sentir a presença de Rafael na minha mente. Neela disse que Rafael havia bloqueado nossa conexão completamente para me proteger. Ele não queria que eu sentisse sua dor.Idiota! Morri de medo quando não consegui sentir ele. Meu coração quase parou. — Como você sabia que eles iriam atacar? — Sussurrei para Liam, que estava de pé ao meu lado, se apoiando contra a porta.— Eu os vi. — Ele deu de ombros. —
ANA— Ana. — Rafael sussurrou meu nome, fazendo soar tão doce, com tanto significado.Quando não respondi, ele me puxou para olhar meu rosto.— Alguém fez alguma coisa com você? — Ele sussurrou, furioso.— Sim. — Meus olhos se abriram de repente, depois se estreitaram. — Você ainda está perguntando. Não sabe? Eles quase me mataram por sua causa. Eu me afastei das suas mãos e me levantei. — Acabei de perceber o que significa estar sob o mesmo teto que vampiros perturbados como você. Construí um murro na minha cabeça, mantendo todas as emoções presas enquanto eu falava coisas horríveis para ele.— O que aconteceu? — Rafael saiu da cama e ficou de pé. Ele estava fervendo. Tão furioso que as veias em seu pescoço estão saltando.— Não quero ficar aqui. Não quero morrer por você. — Eu sussurrei.— Você não quer ficar aqui? — Rafael franziu a testa.Balancei minha cabeça, engolindo todas as lágrimas. Ele nunca saberá a verdade.— Você quer que eu te leve embora? — Ele deu um pa
ANAEle me deixou ir embora. Não perdi um segundo e o deixei. Ele estava melhor sem mim. Eu deveria ter percebido isso antes.Uma semana tinha se passado desde aquele dia horrível, mas meu coração ainda doía da mesma forma. Uma pequena parte de mim até queria que Rafael me seguisse. Não pensei que seria tão fácil afastar ele.Quando deixei o território dos vampiros, não tinha certeza para onde queria ir. Naquele momento, Natália me ligou e me pediu para ir até ela. Ela estava com dores de novo, mas dessa vez era dor de parto.Por um tempo, esqueci minha angústia e fiquei do lado de fora do quarto do hospital enquanto ela gritava de agonia. Ricardo ficou ao lado dela por horas.Seu trabalho de parto foi prolongado. Dar à luz um híbrido foi difícil para ela, mas ela sobreviveu. E deu à luz um anjo de olhos azuis. Rhys Santos — Natália e Ricardo deram o nome ao filho juntos.Ricardo saiu do quarto com seu bebê somente quando Natália adormeceu sob a influência de alguns remédios. Meu
ANALevei algumas horas para chegar ao território dos vampiros. Meu coração continuava a bombear sangue na velocidade da luz. A ideia de ver ele depois do que eu disse naquele dia estava me matando, mas, mesmo por meus próprios motivos egoístas, eu precisava saber se ele estava bem. Enquanto dirigia o carro em direção aos enormes portões da mansão, os vampiros os abriram, me deixando entrar. Meu coração começou a bater mais rápido do que antes. Desliguei o motor quando cheguei à garagem.Enxuguei minhas mãos suadas na calça jeans, abri a porta e saí. Encontrei Liam, que correu em minha direção. Em um gesto familiar, me deu um abraço. Suspirei, sem conseguir ficar com raiva naquele dia. — Como você está, doce Ana? — Ele perguntou, sorrindo genuinamente.— Achei que você não gostasse mais de mim. — Disse, dando um passo para trás.— Ah, foi só uma brincadeira quando estava com raiva. Não leve a sério. — Ele agitou a mão no ar antes de me arrastar para dentro da mansão onde seus
— Ele… ele não se colocou para dormir, certo? Eu realmente não consigo… sentir ele. — Neela choramingava enquanto o medo tomava conta de tudo.Liam apareceu atrás de mim e me impediu de entrar no carro e dirigir de volta para casa. — O que está acontecendo? Vocês dois brigaram? — Ele perguntou, franzindo a testa.— Não… ele… ele vai ficar bem. Eu só preciso… procurar ele sozinha. — Eu gaguejei, empurrando suas mãos para o lado.— Ana. Está prestes a chover. Vamos entrar. Você pode esperar por ele aqui. — Ele me disse, mas eu não ouvi. Tinha que ir até ele. Tinha que encontrar ele.— Não. Preciso ir embora agora. Abri a porta do carro antes de me jogar no banco do motorista e dirigir para fora da mansão dos vampiros.Eu não conseguia ver nada claramente. Minha visão estava ficando turva com lágrimas e tontura. As gotas fortes de água que começaram a cair no para-brisa também não ajudavam. Eu ainda não tinha contado a ele sobre nosso filho. Ele prometeu ficar aqui. Ele nunca fa
RAFAELSempre gostei de tudo em Ana. Tudo o que ela fez, cada decisão que ela tomou, cada palavra dura que ela disse para mim, não importava até o que ela fez uma semana atrás.Uma semana atrás, senti o peso das suas palavras me empurrando para o chão pela primeira vez. Eu não gostei do que ela fez. E não senti vontade de seguir ela como pediu.Levei algumas horas para finalmente entender o que eu sentia. Estava com raiva. Talvez não. Eu estava furioso. Meu sangue estava correndo quente em minhas veias. Assim como ela havia me dito palavras dolorosas, eu queria fazer o mesmo.Eu tinha ido fazer exatamente isso quando deixei aquele lugar abruptamente, mas quando cheguei à Alcateia dos Caminhantes Noturnos e a vi, a raiva se dissipou. Eu ainda estava com raiva, mas descontar essa raiva em Ana era impossível. Machucar ela partiria meu coração.Percebi que ela não quis dizer nada do que disse. O que eu mais detestava era que ela não estava se comportando como a mulher egoísta de sem