ANA— Você faz o pior café do mundo. — Franzi o nariz com nojo, encarando a xícara de café fumegante entre minhas mãos.— Você nem provou ainda. — Rafael deu de ombros e veio ficar ao meu lado na varanda, seu olhar fixo nas residências da alcateia que podíamos ver à distância.Suspirei, virando-me e contemplando a mesma vista que ele. A noite estava silenciosa, com uma calma pairando sobre toda a alcateia. Eles organizaram suas casas e aceitaram os lugares que lhes foram designados, mas não acredito que fosse apenas sobre a moradia. Era muito mais do que isso. As regras da hierarquia dos lobisomens estavam gravadas em suas mentes.Ninguém consegue apagar essa mentalidade.Nem eu. Nem Rafael. Nem ninguém mais.Suspirando mais uma vez, olhei de relance para o perfil de Rafael. A marca em seu pescoço estava exposta. Eu podia ver a adorável saliência rosada contra sua pele dura. Isso só me lembrou do que ele disse quando partiu. Dizer que estou deliberadamente evitando falar sobre isso ser
ANADepois de beijar Rafael intensamente, o deixei na varanda e voltei para meu quarto. A marca estava mexendo com minha cabeça. Por um momento, senti suas emoções tão cruas, tão próximas, como se fosse eu mesma sentindo todas aquelas coisas, e não ele.Isso me assusta.Agora posso dizer com certeza que Ricardo não consegue perceber o que se passa dentro de Rafael, porque eu consigo. Somente eu consigo.Colocando o cabelo atrás das orelhas, peguei o celular que vibrava sobre a cama. Natália tinha ligado pela milésima vez, mas eu não atendi.Tenho evitado ela e Diana. Não quero que elas descubram a bagunça que está na minha cabeça. Finalmente teriam uma chance única na vida de me chamar de idiota.Suspiro, recusando sua ligação novamente. Meus olhos se voltam para a janela aberta quando o ar frio toca minha pele. Tremo levemente, meu olhar caindo sobre a cama e o edredom.E agora? Como vou convencer Rafael? Como se convence alguém a não odiar o mundo? Eu mesma não acredito que este mund
ANANem percebi quando comecei a adormecer enquanto observava Rafael silenciosamente na noite passada. Ele não disse nada depois que prometi levá-lo para um encontro.Deve ter soado tão infantil para ele que ele sorriu para mim — literalmente sorriu para mim. Gemo, envergonhada de mim mesma, mas preciso ir.Quando acordei, ele já tinha ido embora e a cama estava vazia, mas no meu coração, eu sabia que ele não tinha partido na escuridão. Ele saiu do quarto quando teve certeza de que eu não ficaria assustada.Hoje, não precisei procurá-lo. Podia sentir que ele estava na casa da alcateia, provavelmente no escritório do Alfa, então não fui até lá.Tomei banho, peguei emprestada sua camiseta cinza para vestir, e desci até a cozinha apenas para me deparar com duas visitas muito inesperadas me esperando furiosamente.— Finalmente decidiu acordar. — Natália Silva estreita os olhos para mim, seguida por Diana Mendes que parece igualmente irritada.— Oi pessoal! — Aceno para elas sem jeito.Minh
ANA— Não quis dizer dessa maneira. Eu só estava me certificando que você não estava brincando com Rafael... que você estava ciente de todas as coisas negativas e não estava num estado temporário de que-tudo-está-bem. — Natália suspira quando volto à cozinha depois de mandar Rafael embora.Olho feio para ela. — Você quase arruinou tudo que eu estava me esforçando tanto para construir.— Ana. — Ela desce do banquinho.— Poupe-me. Qualquer coisa que você queira dizer, guarde para si mesma. Não quero ouvir. — Digo antes de me jogar no banquinho.Quase perdi o controle e me sinto tão irritada.— Você está sendo muito dura agora. — Diana murmura.— Estou? — Lanço um olhar furioso para ela desta vez.— Ela não teve essa intenção. — Diana sibila em resposta.Mantenho meus lábios em uma linha fina para me impedir de dizer algo doloroso. Não quero machucá-las. Sei que Natália não teve essa intenção. Ela tentou me convencer a dar outra chance ao Rafael antes. Me contou sobre a vida dele e todas
ZEROUma data. Era só isso que Ana conseguia pensar. Não que eu estivesse reclamando. Eu apenas sentia que ela estava desperdiçando muito do seu tempo comigo, quando deveria estar passando tempo com as pessoas que amava.Ainda assim, se isso era o que ela desejava, eu deveria concordar. Era um instinto, um impulso de sempre dar a ela o que queria na tentativa de fazê-la feliz, contanto que estivéssemos juntos.— Eu estava pronta. — Ela anunciou de dentro do quarto antes da porta abrir.Eu havia esperado por meia hora agora, sem ideia do que ela estava fazendo dentro do quarto trancado.Quando ela apareceu, o ambiente se tornou insignificante. Meus olhos a absorveram, tudo nela, o vestido vermelho que chegava aos joelhos, o batom vermelho que ela usava, os cachos de seus cabelos macios, a nervosidade em seu rosto.— Eu sabia que estava me vestindo demais. — Ela murmurou ao me olhar, vestida com a minha habitual camiseta preta e jeans. Eu não tinha ideia de que precisava me arrumar
ANA— Você pode dirigir o carro. — Zero me jogou as chaves de repente.Eu as peguei instintivamente enquanto observava suas sobrancelhas franzidas e os lábios firmes. Algo aconteceu. Eu não sabia o que, mas podia sentir a mudança nele.Ele estava rindo quando estávamos dentro. Era o som mais bonito que eu já havia ouvido na minha vida. Eu estava hipnotizada e envergonhada ao mesmo tempo. E então saímos e o humor de Zero mudou para aquela nuvem escura novamente.Sem pegar minha mão ou mesmo me pedir para segui-lo, ele saiu para a chuva. Ele ficou instantaneamente encharcado, as linhas de seus músculos se tornando visíveis sob sua camiseta.Juntando os lábios, eu decidi correr atrás dele. A chuva fria atingiu meu corpo assim que eu saí da sombra. Eu estremeci, correndo para o carro, passando até por Zero, que se movia devagar e calmo.Abrindo a porta do carro, eu me sentei dentro. Mesmo depois de tentar salvar meu vestido, eu achava que havia falhado. Suspirei, lançando um olhar pa
ANAEu nunca havia sentido algo tão intensamente agitado dentro de mim antes, nem mesmo quando dormi com ele. Parecia que meu corpo ansiava por se conectar com o dele — Não era uma mera conexão física que eu desejava, eu precisava estar conectada a ele em todos os níveis.Então, eu removi sua camisa mais rápido do que havia removido as roupas de qualquer homem antes e a joguei no banco do passageiro. Os lábios de Zero estavam de volta nos meus depois que ele me ajudou a tirar sua camisa do caminho.Eu gemi em sua boca faminta, que estava ocupada sugando a vida de mim. Minhas unhas deslizavam por seu peito, seu abdômen, antes de descer até seu cinto. Eu o desabotoei apressadamente antes de abrir o zíper de suas calças.Os lábios de Zero pararam de devorar minha boca. Ele baixou seus lábios pecaminosos para meu pescoço, beijando todo o caminho e depois subindo. Eu respirei fundo antes de puxar suas calças íntimas para baixo, apenas o suficiente para liberar seu membro.Ele grunhiu e
ANA— Você tinha que rasgar meu vestido? — Eu gemi pela segunda vez enquanto Zero nos dirigia de volta para casa.A chuva havia parado. Ele se ofereceu para dirigir e voltou a ficar de bom humor depois que tivemos sexo. Graças à Deusa, ninguém nos pegou ou eu teria morrido de vergonha.— Sinto muito. — Ele se desculpou sem olhar para mim.— Você soa tudo, menos arrependido. — Eu apontei enquanto o encarava de lado.— Você fica melhor na minha camiseta. — Ele finalmente olhou para mim, enviando ondas de eletricidade descendo pelas minhas costas.— Esse era um vestido caro. — Eu murmurei, desviando os olhos de seu rosto e corpo sem camisa.— Eu compraria um novo para você.— Você está me convidando para um encontro? — Eu sorri maliciosamente, meus olhos voltando a repousar em seu rosto bonito.— Não.— Você estava. Levar uma garota para fazer compras conta como um encontro. Talvez.— Tudo bem. — Ele desistiu de tentar recusar.Eu cruzei os braços sobre o peito em vitória enqu