NuriaA melodia flutuava pelo quarto, mas minha mente estava em outro lugar.Stefanos estava na banheira, sua presença preenchendo o espaço como um trovão prestes a cair.Meus dedos deslizavam sobre as cordas do violino, produzindo notas suaves, quase hesitantes. A música deveria acalmá-lo, mas eu duvidava que algo fosse capaz disso.A água quente subia ao redor de seu corpo, mas não levava sua tensão. Seus ombros continuavam rígidos, seu maxilar trincado.Mas não era só irritação.Era dor.Ele estava tentando esconder, se recusando a mostrar qualquer sinal de fraqueza, mas eu via.Os músculos tensos.A respiração curta.Os punhos fechados sob a água.Os cortes nas costas, ainda abertos.Eu deveria apenas tocar e sair. Deveria manter distância. Deveria ignorar.Mas algo dentro de mim se recusava a fazer isso.Minha loba se remexeu inquieta, captando o cheiro metálico que persistia no ar.Havia algo errado.Olhei de relance para ele, tentando não encarar por muito tempo.Mas foi o sufi
NuriaA cozinha estava quase vazia àquela hora, exceto por Jenna, que mexia distraidamente em algumas ervas secas sobre a bancada. O cheiro de chá recém-preparado se misturava ao aroma amadeirado dos ingredientes espalhados na mesa.Assim que entrei, ela ergueu os olhos e me analisou por um momento antes de sorrir."Ele já se acalmou?" ela questionou."Na verdade, não. Os ferimentos não estão cicatrizando.""Pela sua cara, imagino que já tenha um plano." falou, sua voz carregada de curiosidade.Soltei um suspiro, indo em direção ao ármario e pegando tudo que eu precisava e colocando os ingredientes à minha frente."Vou fazer uma pomada para o Alfa."Jenna franziu a testa."Ele aceitou ajuda?""Aceitou, mas rosnando e me ameaçando. Então, não sei se isso conta."Ela riu. "Bom, para ele, isso já é um grande avanço."Puxei uma tigela de pedra e comecei a macerar as ervas. Os aromas se intensificaram quando esmaguei as folhas contra o fundo do recipiente, misturando-as com precisão. Meu
StefanosA quietude do quarto contrastava brutalmente com o caos que ainda queimava em minha mente.Eu não estava acostumado a esse tipo de silêncio.Meus olhos se abriram devagar, e o teto de madeira escura me recebeu como um lembrete de que eu estava de volta. Mas algo parecia… errado.A última coisa que lembrava era a dor correndo por cada fibra do meu corpo. O veneno queimando em minhas veias, tornando cada respiração um esforço.Mas agora...Nada.Pisquei algumas vezes, ajustando minha visão à penumbra. O fogo na lareira já havia se transformado em brasas, lançando sombras vacilantes pelo quarto. O ar estava morno, carregado com o cheiro da madeira queimando lentamente.E então, um outro cheiro me atingiu.Sutil, mas inconfundível.Nuria.Meus sentidos aguçaram no mesmo instante.Minha mente se lembrou do toque dela, dos dedos pressionando meus ferimentos enquanto eu lutava contra o sono. Mas eu dormi?Meu lobo rosnou, irritado com a própria vulnerabilidade. Me mexi bruscamente,
StefanosO olhar da loba a minha frente era tão malicioso, que descaradamente ela os desceu por meu corpo. Eu não era um lobo que tinha vergonha da minha nudez, porém diferente dos outros, eu nunca traria um uma."Já acabou?"Diana se assustou com minha pergunta e se endireito, fingindo uma falsa timidez que não possuia. Ela deslizou pelo quarto como se pertencesse ali, como se sua presença fosse natural. Vestia um robe fino, quase transparente, que abraçava suas curvas com um propósito óbvio. O cheiro de perfume forte preencheu o ar, tentando mascarar seu nervosismo.Ela parou a mainha frente, com a cabeça baixa, e um sorriso delicado nos lábios.“Você tem se esforçado demais, Alfa.” Sua voz era melosa, cuidadosamente ensaiada. “Vim me dedicar aos seus cuidados da forma que precisar.” Ela levantou os olhos de forma inocente, e revirei os meus, me afastando dela.Levei alguns segundos para responder.Não porque estava surpreso.Mas porque me perguntava de onde ela tirava a audácia.
NuriaO Alfa me seguia.Seus passos eram pesados, precisos, cada um deles carregado com a mesma brutalidade de sua presença. O ar ao meu redor parecia carregado, como se fosse denso demais para respirar.Eu não precisava olhar para trás para saber que ele estava ali.Stefanos dominava cada centímetro da casa, e, agora, ele me cercava como se eu fosse algo a ser estudado. Um lobo rondando sua presa.Minha loba se encolheu.Eu não tinha forças para desafiá-lo. Não hoje.Então, mantive o olhar baixo e segui para a cozinha, ouvindo seu rosnado baixo vibrar atrás de mim.Ele não estava para brincadeiras.E eu sabia que, se quisesse continuar viva, não poderia testá-lo.Assim que entrei na cozinha, os poucos empregados que ainda estavam ali congelaram. Não era comum que Stefanos aparecesse nesse espaço da casa."Sumam daqui." ele mal terminou e todos correram para fora.Ele se aproximou da mesa onde os empregados faziam suas refeições e puxou uma cadeira, sentando-se sem pressa.Então, me o
NuriaMe virei para a sopa, para evitar ainda mais constrangimento."Vá se sentar, vou te servir.""Novamente está sendo mandona." ele rosnou e senti vontade de rir."Tenha irmãos mais novos e saberá." mordi meu lábio, e me esquivei de sua nova atenção.O cheiro da sopa quente preenchia a cozinha, misturando-se ao aroma intenso dele. O silêncio entre mim e Stefanos era carregado, tenso, como se cada palavra não dita pesasse no ar.Ele estava sentado à mesa, me observando enquanto eu terminava os últimos ajustes da refeição. Seu olhar era afiado, analítico, como se procurasse algo que eu não sabia dizer se queria que ele encontrasse.Peguei a tigela e a coloquei diante dele. Ele não se moveu de imediato, apenas permaneceu ali, encarando o vapor que subia do caldo.“Eu não gosto de sopa.”Revirei os olhos, cruzando os braços.“Não perguntei se gostava.”Um canto de sua boca se ergueu em um sorriso quase imperceptível.Ele pegou a colher e tomou um gole. A tensão no ar permaneceu enquant
StefanosA brisa fria ainda soprava pelo jardim, quando soltei a mão de Nuria.Ela deu um passo para trás, constrangida pelo nosso toque. Do mesmo jeito que eu, ela sempre tentava camuflar sua vulnerabilidade. Seus olhos ainda estavam vermelhos, mas sua postura já havia mudado.Melhor assim.Ela estava começando a entender.Cruzei os braços, avaliando-a por um momento antes de falar:"Amanhã, ao amanhecer, você vem comigo para o treinamento."A surpresa cruzou seu rosto antes que ela conseguisse escondê-la."Isso é o que as 5 da manhã?""Um pouco menos," Minha voz saiu fria, objetiva. "Você quer vingança? Então precisa ser mais forte." Inclinei a cabeça ligeiramente. "Mas não pense que isso muda sua posição aqui."Ela apertou os lábios."Então eu treino e depois volto para esfregar chão?""Exatamente."O jeito que sua mandíbula travou me divertiu.Eu não podia tratá-la diferente.Não podia dar a ela uma posição acima dos outros sem motivos claros.Por mais que ela chamasse minha atenç
NuriaO sono ainda me envolvia como um manto quente quando meu cobertor foi brutalmente arrancado de cima de mim.O frio da manhã atingiu minha pele, me fazendo estremecer.Eu me encolhi, tentando puxar as cobertas de volta, mas elas haviam desaparecido.E então percebi.Que tinha alguém no meu quarto.Ou melhor… Stefanos.Abri os olhos de repente, piscando contra a penumbra do quarto. A primeira coisa que vi foram as pernas longas e firmes de um lobo parado ao lado da minha cama.A segunda foi o brilho prateado de seus olhos me observando com frieza.Minha respiração parou por um instante.Ele segurava minha coberta casualmente em uma das mãos, como se tivesse todo o direito de simplesmente arrancá-la de mim. Como se minha privacidade não existisse.Mas o que realmente me instigou não foi isso.Foi o jeito que ele me olhava.Seu olhar desceu pelo meu corpo devagar. Avaliando. Medindo.E, por um instante, antes que ele pudesse esconder…Eu vi.Desejo.Ele desviou os olhos rápido, seu