Terra de EvaIzys GhalagerPassei um dia inteiro em observação, fui consultada pela obstetra e agora só resta realizar o ultrasson para ver se está tudo bem com o bebê. Se confirmar que meu filho e eu estamos bem, serei liberada. Estou ansiosa.Hiran e Killan estão do meu lado na sala do exame. Disse à médica que o pai do meu bebê é Hiran, mas que eu gostaria que Killan também estivesse presente. Ela não me questionou, apenas orientou que fizéssemos silêncio.Ainda estou confusa com relação a Killan e Hiran, não sei o que vou fazer com esses dois.O exame começa, o gel gelado é espalhado por minha pele e o aparelho desliza mostrando na tela uma imagem borrada que não compreendo.— Vou poder ver meu filho nessa tela? — inquire Hiran.A médica desvia o olhar rapidamente para o pai do meu filho, seus olhos claros o encaram sobre as lentes de seus óculos com armação fina e dourada.— Quando ele for maior vão conseguir vê-lo perfeitamente. Nesta fase da gestação ele é pouco mais do que um
Killan FuryMe preocupo com seu estado. Izys precisa de repouso pelo bem do bebê, que felizmente está bem, mas temo que esse abalo emocional possa ser prejudicial.Seu corpo treme com as lágrimas que ela verte, e imediatamente meu corpo é levado a abraçá-la, confortá-la.— Ficará em observação por mais um dia, e se manter estável amanhã, receberá alta — declara a médica, ainda falando com Izys. — Mas deverá ir para casa, fazer o máximo de repouso possível, e tomar as vitaminas que vou prescrever — orienta a médica.— Mas doutora, eu não tenho ninguém para ajudar. Minha mãe está hospitalizada, preciso trabalhar para pagar as minhas contas e em casa... — o desespero está presente em sua voz trêmula e eu a abraço com força, tentando passar segurança.Meu irmão também se aproxima dela, depositando um das mãos em seu ombro, passando um pouco mais de apoio. Ela precisa sentir que estamos do lado dela.— Nós cuidaremos dela, doutora — declara Hiran e Izys olha para ele, chocada.— Muito bem
Hiran FuryFiz questão de comprar um lindo buquê de flores para a mãe do meu filho, representando não só a mim, mas também meu irmão.A médica disse que depois do exame ela seria liberada, se a condição de Izys estivesse estável. Abro a porta de seu quarto sem bater, mas dou de cara com uma senhora de cadeira de rodas. Olhando para a mulher, os olhos claros muito semelhantes ao de Izys e o formato do nariz me dizem que essa mulher pode ser a sua mãe. Porém, a mulher está chocada ao nos ver. Posso dizer que este não é o melhor momento para conhecer a avó do meu filho.— Me desculpe, não sabia que estava com vistas — digo me lembrando das cortesias do mundo humano.— Hiran — Izys pronuncia com caltela. Percebo que ela está tensa com o espanto da mãe. — Killan, esta é a minha mãe, dona Yolanda.Killan encurta o espaço rapidamente, com o sorriso galante que ele possui e estende a mão para a senhora que ainda mantém a boca aberta e os olhos nos percorrendo.— Eu sou Killan, é um prazer con
Izys GhalagerTem uma semana que estou na casa dos gêmeos. Os dois foram um amor comigo. Se preocupam, sempre me ligam ou mandam mensagem para saber como estou me sentindo e cuidam da minha alimentação.Layla é uma mulher de uns quarenta anos que eles contrataram para cuidar de mim e da casa, mas confesso que não aguento mais ficar na cama o dia inteiro. Eu preciso me levantar e fazer alguma coisa.Calço a meia nos pés, pois hoje está frio. Visto o casaco e saio da cama, indo até a cozinha onde provavelmente Layla está fazendo o almoço.Não tenho sentido cólicas ou dores que podem ser preocupantes, apenas o enjoo e as tonturas persistem. Caminho lentamente até as escadas, desço com cautela e já avisto a mulher de cabelos pretos presos em um coque apertado, usando luvas enquanto limpa a casa no andar de baixo.— Senhora Izys — ela diz espantada ao me ver e já retira as luvas, vindo na minha direção. — O piso está molhado, se escorregar e cair, o senhor Hiran come meu fígado.— Não exag
Killan FuryEstávamos trabalhando no hospital quando o abalo aconteceu. O hospital estava longe o suficiente do centro da magia para ser atingido por ela, por enquanto. Só sentimos o golpe da magia em nossos corpos, foi instantâneo. Hiran estava do outro lado do pátio, mas me olhou no mesmo momento que senti aquela onda de poder.Os bruxos atacaram. O que eles vão fazer agora não sabemos, mas temos uma suspeita. Pelo menos isso indica que o navio está aqui, e que poderíamos entrar clandestinamente na embarcação para voltarmos até Terra de Luna, mas agora tudo mudou. Tem Izys e o bebê.Abandono meu serviço e vou até meu irmão, que abandonou o trabalho dele também para vir falar comigo.— Você sentiu? — inquire ele, prendendo o cabelo com a tira de couro velho dele.— Senti, foi longe daqui, mas pode ter sido perto da nossa casa — sugiro.— Izys pode estar em perigo — pondera e é o mesmo que penso.— Sim, irmão, pensei isso. Melhor irmos logo, antes que venha outra onda de poder ainda m
Killan FuryCarrego Izys no colo até a caverna onde Hiran e eu ficamos até conseguirmos nos integrar na sociedade humana, mas sempre que sentíamos falta do nosso lado lobo, era para cá que vínhamos. Aqui podíamos caçar, correr, beber água direto do rio e dormir sob a luz da lua.Nunca imaginei trazer uma mulher para cá, mas no momento é nossa melhor opção. Se o bruxo atacou, ele vai focar na cidade, onde a maior parte das pessoas vivem.Se não conseguirmos voltar para Terra de Eva, nossa melhor opção é o interior.Coloco Izys em pé diante da caverna. Ela usa uma camisola, meias e um casaco. Com o dia frio, isso é pouco para aquecê-la.— Onde vamos ficar? Não há nada aqui! — diz enquanto seus olhos vagueiam pelas árvores e pedras ao redor.— Tem certeza que não tem nada por aqui? — inquiro, achando graça do que diz. Quando as pessoas estão tão acostumadas a cidade, não conseguem perceber nada de natural.Ela continua olhando ao redor, procurando, mas balança a cabeça, convicta que não
Hiran FuryDeixo Layla em sua casa, que por sorte era afastada o suficiente para não ser atingida. Foi um alívio vê-la bem e abraçada a seus filhos, mas minha missão ainda não havia acabado. Precisava ir até o hospital ver se a mãe de Izys está bem e avaliar se seria melhor deixá-la ou retirá-la de lá.As áreas mais afastadas da cidade não foram atingidas, mas o hospital sentiu os abalos, embora não tenha causado nenhum grande transtorno. Me aproximo do quarto da mulher e sou autorizado a entrar.Dona Yolanda percebe minha chegada rapidamente. Para uma mulher idosa e doente ela me parece bem.— Está tudo bem com Izys? — A preocupação na voz da mulher é evidente. Felizmente posso dar a ela uma boa notícia.— Sim, senhora. Meu irmão e eu conseguimos resgatá-la a tempo.Não entro em detalhes para não deixar a mulher mais abalada. Com certeza isso seria prejudicial a sua saúde.— Ah, que bom — a mulher diz com tom de alívio. — Ela tem feito o repouso direitinho? Tem se alimentado bem? Ela
Izys GhalagerVi que Killan deixou a caverna aparentemente preocupado e fiquei curiosa, por isso o segui. Mas não esperava ver o que vejo agora: três lobos enormes como aqueles dos filmes, e que jamais imaginei ver na minha frente. O pavor é tão grande que não controlo o grito que sai da minha garganta.Killan será devorado, e depois invadirão a caverna e me devorarão também. Que ideia louca foi essa de se esconder em uma caverna no meio da floresta! Não sei o que é pior, morrer sob escombros ou sob os dentes de lobos gigantes.Corro para dentro da caverna e me escondo no fundo, sei que é questão de tempo até que me encontrem. Meu corpo treme, e meu estômago se aperta com a possibilidade do que está por vir.Ouço passos apressados na caverna e vejo Killan se aproximar a passos largos.— Izys — ele fala com urgência e me abraça. — Acalme-se, você está tremendo.A voz dele está cheia de preocupação.Viro-me entre seus braços e passo as mãos por seu corpo e rosto, analisando se está feri