Capítulo 3
Milena sorriu com desdém, ergueu o queixo e se encheu de orgulho.

— Vamos entrar logo. É só uma garçonete. Depois que a festa acabar, papai e mamãe podem ensinar uma lição a ela.

A água gelada da piscina entrou pelas minhas narinas, e eu já não tinha forças para lutar. Apenas deixei meu corpo exausto afundar até o fundo da piscina.

Antes de fechar os olhos, ouvi a voz do meu pai.

— Sejam bem-vindos à festa de aniversário da minha querida filha...

Após a minha morte, minha alma permaneceu em casa.

Eu observava meus pais conversando:

— Faz tanto tempo que não vemos a Alzira. No próximo mês é o aniversário dela. Vamos chamá-la de volta. Nossa filha também vai fazer dezoito anos.

— Essa menina realmente não tem noção. Nem atende o telefone. Que morra por aí!

Mas, pais...

Eu já estava morta, morri em uma noite fria de inverno.

Eu nunca mais teria a chance de passar meu aniversário de dezoito anos.

Lembro que, quando era pequena, as condições de casa não eram tão boas como são agora.

Ainda assim, papai me comprou uma boneca edição limitada, só porque eu disse que gostava dela.

Naquele tempo, eu sonhava em viver uma vida de boneca, vestindo roupas bonitas, com muitas roupas novas para usar, e em uma casa grande.

Depois, meus pais ficaram ricos, se tornaram os mais ricos do país.

Eu consegui tudo o que queria: a casa grande, as roupas bonitas e um amor sem fim.

Só que, depois que decidiram adotar a Milena, nada disso me pertencia mais.

Eu me tornei uma criança sem lar.

Três meses se passaram. Eles achavam que eu ligaria de volta, mas, por mais que esperassem, não conseguiam ouvir minha voz.

Tentaram ir à escola para me procurar, mas sempre eram afastados por Milena com várias desculpas.

— Davián, o que será que aconteceu com a Alzira? Ela ainda não entrou em contato. Vi que está sem dinheiro na conta. O que você acha que ela está fazendo agora?

— Provavelmente está deitada na cama de algum homem por aí. Uma inútil!

— Papai, mamãe, não falem assim da Alzira. Ela só está chateada, por isso não volta para casa. Não fiquem bravos. Logo ela vai voltar.

— Milena, não defenda ela. Você sempre foi tão sensata desde pequena, ao contrário dela, que só sabe desperdiçar!

Hoje era o meu aniversário.

Meus pais compraram o bolo bem cedo e minha mãe fez a comida com carinho, esperando minha volta.

Ela continuou pacientemente ligando para mim, mas as chamadas continuavam não sendo atendidas.

Meu pai encomendou o presente que eu mais queria.

Era a boneca que eu amava.

Mas, no dia do meu aniversário, ele descobriu que eu ainda não havia voltado para casa.

Furioso, ele foi até a escola procurar os professores, mas foi informado de que eu não ia à escola havia um ano. Até os professores pensavam que eu fosse órfã e não se importaram com o meu desaparecimento.

Foi só quando ele recebeu a lista de pacientes com câncer do hospital que viu meu nome no topo.

Ele entrou em pânico e correu para o hospital, passando por vários semáforos vermelhos.

O médico responsável o olhou com uma expressão de dúvida.

— Por favor, quem é você para a Alzira? Aquela menina era tão pobre, não tinha dinheiro para se tratar e nem sequer um par de sapatos de inverno.

Os olhos do pai se encheram de lágrimas. Ele avançou e agarrou o ombro do médico com força.

— Onde ela está agora? Onde está minha filha?

— Ela faleceu há um ano...
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