Amor que Mata
Amor que Mata
Por: Marta Ribeiro
Capítulo 1
Fui diagnosticada com câncer em estágio terminal e queria pedir cem reais aos meus pais bilionários para comprar roupas fúnebres, mas eles me xingaram por três horas seguidas.

— Você tem ideia de quanto tempo cem reais podem sustentar uma criança numa região pobre? Como eu pude gerar uma filha tão perdulária como você? Mimada desde pequena e agora vem me dizer que tem câncer? Se você tem coragem, morra de verdade pra eu ver! — Gritou o pai.

Sentada, desesperada, na porta do hospital, toquei o bolso e senti as únicas duas moedas que me restavam, o suficiente para pegar o ônibus de volta para casa.

Já fazia dias que eu não comia até me saciar, enquanto meus pais biológicos gastavam fortunas para reservar a Disneylândia inteira para minha irmã adotiva.

Eles me expulsaram para um porão remoto sob o pretexto de que "meninas devem ser criadas na pobreza".

Ao voltar para o porão, abracei a única boneca que me pertencia e não quis mais voltar para casa.

Já estava quase adormecendo quando meu pai me ligou.

Atendi com as mãos trêmulas, apenas para ouvir seus gritos furiosos:

— De onde veio tanto dinheiro na sua conta? Sua desgraçada, você está roubando dinheiro da família de novo? Já transferi tudo para a conta da sua irmã! Ela, sim, sabe economizar, diferente de você!

Mas os vinte mil reais que haviam acabado de cair na minha conta eram do meu trabalho de meio período no mês passado.

Cerrei os punhos, sentindo um amargor indescritível no peito.

Por um instante, pensei que eles pudessem me salvar. Que ilusão a minha.

Abri a boca, mas não consegui dizer nada.

Meu pai, achando que eu estava calada por culpa, continuou me amaldiçoando do outro lado da linha antes de desligar.

Meu corpo doía tanto.

Uma dor profunda nos ossos se espalhava por todo o meu corpo, até que me inclinei na beira da cama e vomitei.

Olhei para o saldo do meu cartão bancário e restavam apenas trinta reais.

Com esforço, me levantei para ir ao hospital comprar um analgésico.

Mas assim que entrei na recepção, vi Milena Santos vindo na minha direção.

Ela usava um adesivo para febre na testa e era seguida por nossos pais, que a olhavam com preocupação, além de uma equipe de médicos especialistas.

— Irmã, o que está fazendo no hospital? Esses dias nem te vi na escola. Ouvi dizer que está morando com o namorado! — Disse Milena, enquanto seus olhos maliciosos deslizavam para minha barriga.

Por causa da doença, eu sentia muito frio. Coloquei várias camadas de roupas antes de sair, e isso me fazia parecer inchada.

Milena cobriu a boca, fingindo surpresa.

— Irmã, você está grávida? É por isso que seu namorado te deixou vir sozinha ao hospital?

Ao ouvir isso, nossos pais imediatamente perderam a paciência.

— Então era pra fazer um aborto que você queria dinheiro, hein? Sua ingrata! Ainda inventou essa história de câncer pra nos enganar. Você realmente foi longe ao ponto de se amaldiçoar!

Se ao menos tivessem se dado ao trabalho de perguntar sobre mim...

Saberiam que eu havia largado a escola há tempos. Como então eu poderia estar me envolvendo com alguém?

Meu pai agarrou minha orelha com força e, em meio a uma multidão, se preparava para me castigar.

Minha visão ficou turva, perdi o equilíbrio e quase caí.

Eu queria mostrar o diagnóstico para eles, queria que parassem de acreditar nas mentiras de Milena.

Mas eles nem olharam. Simplesmente pisaram no papel com desprezo.

— Quem sabe de quem é esse bastardo que você carrega? Tire isso da minha frente! Não quero sujar meus olhos com isso! — Esbravejou o pai.

— Não é isso... Eu não estou grávida... Eu nunca menti... Por favor, acreditem em mim... — Eu implorei, mas fui ignorada.

Eles me ignoraram completamente e foram embora de mãos dadas com Milena.

Gastei todo o meu dinheiro no analgésico e tomei vários comprimidos de uma vez.

"Mas por que ainda dói tanto? Por que meu coração ainda está tão frio?"

Arrastando meu corpo doente para fora do hospital, olhei para o céu cinza-azulado. Eu não sabia mais para onde ir.
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