Amor Tardio
Amor Tardio
Por: SS
Capítulo 0001
Ao saber que Pedro Santos, para entregar remédios à sua assistente, não se importou com o fato de eu estar presa no elevador, sufocando de claustrofobia, eu propus o divórcio.

Pedro assinou o acordo de divórcio sem hesitar, sorrindo enquanto dizia para os amigos:

— Ela está apenas fazendo birra, nada demais. Os pais dela morreram, então ela nunca vai se divorciar de mim. E, além disso, temos os 30 dias de "período de reflexão" no divórcio, certo? Se ela se arrepender, eu, como um bom homem, não vou cobrar nada dela. Ela vai voltar.

No dia seguinte, ele postou uma foto com sua assistente, os dois sorrindo juntos, com a legenda: [Registrando cada um dos seus momentos tímidos.]

Enquanto isso, eu, tranquila, fui arrumando minhas coisas e liguei para um número.

— Tio, por favor, compra uma passagem para Cidade N para mim.

— Que bom, Daniela, estou tão feliz que você tenha decidido voltar depois de todos esses anos. — A voz do homem do outro lado da linha se elevou com alegria.

Assim que a ligação terminou, Pedro entrou no quarto, trazendo consigo o perfume de uma mulher desconhecida.

Era forte, doce e enjoativo.

— Com quem você estava falando? — Ele perguntou, sem realmente se importar, com os olhos fixos na tela do celular.

Antes que eu pudesse responder, o celular dele tocou. Uma voz suave de mulher surgiu:

— Presidente Pedro, obrigada pelos remédios que você me trouxe aqueles dias. Se não fosse por você, minha gripe teria piorado. Como eu ia ficar sem a sua ajuda?

Pedro, como se percebesse que não era o momento certo, abaixou o volume do celular.

Eu, desinteressada, fechei a boca. Afinal, já tínhamos decidido nos separar, não era mesmo?

Continuando a arrumar minhas coisas em silêncio, preparei uma xícara de leite quente, como de costume.

Pedro, que acabara de terminar a ligação, se sentou no sofá e começou a ler seu jornal financeiro. Como de hábito, ele procurou pela xícara de café que sempre preparei para ele, mas, ao não a encontrar, finalmente olhou para mim, com o rosto marcado pela impaciência.

— Não foi só porque eu não te salvei quando o elevador parou, né? Um parente da Helena Costa é médico e ele disse que sua claustrofobia não é nada grave. Não precisa ser tão dramática assim. E mais, você que pediu o divórcio e eu concordei. Por que ficar com essa cara de quem perdeu a vida?

Naquele dia, eu estava trabalhando até tarde e acabei ficando presa no elevador, paralisada pelo pânico, tremendo de medo. Para piorar, o elevador teve uma pane e, com a bateria do celular quase acabando, minha claustrofobia se manifestou com força. Com as mãos trêmulas, liguei para Pedro.

Mas tudo o que recebi foi uma resposta fria:

— Você não consegue se virar sozinha? Estou ocupado.

O celular desligou, e eu caí na escuridão.

Mais tarde, soube que a assistente dele, Helena, havia tirado alguns dias de folga, e então entendi o motivo. Naquela noite, Pedro estava ocupado demais levando remédios para ela.

Foi aí que propus o divórcio.

— Não tem problema. Quando o divórcio for finalizado, você não precisará mais encarar a minha cara fechada.

Eu não parei o que estava fazendo, pensando que talvez Pedro ficasse feliz com a notícia. No entanto, para minha surpresa, ele aumentou o tom de voz:

— Você vai se arrepender, tenho certeza!

Quando viu que eu continuei focada no meu trabalho, sem responder, Pedro bateu a porta com força e saiu.

Eu não me dei ao trabalho de tentar entender o que ele estava sentindo.

Terminei o trabalho, fiz uma xícara de leite quente para mim mesma, tomei um banho quente e me preparei para dormir.

Foi quando meu celular vibrou. Era uma mensagem de Pedro: [Estou bêbado, vem me buscar e traz um iogurte.]

Eu não queria ir, mas, no instante seguinte, outra mensagem apareceu: [Ainda não nos divorciamos. Você tem o dever de cumprir suas obrigações como esposa.]

Exausta, comecei a pegar minhas coisas e sair.

Quando cheguei na porta do clube, os sons de risadas de Pedro e Helena ficaram bem evidentes do lado de dentro.

Pensei na noite em que acabara de pedir o divórcio, há pouco tempo, quando Pedro estava bêbado, e um de seus amigos perguntou:

— Pedro, você realmente vai se separar da Daniela Lima?

Ele respondeu, com desdém:

— Ela está apenas fazendo birra, nada demais. Os pais dela morreram, então ela nunca vai se divorciar de mim. E, além disso, temos os 30 dias de "período de reflexão" no divórcio, certo? Se ela se arrepender, eu, como um bom homem, não vou cobrar nada dela. Ela vai voltar.

Ele achava que eu era órfã agora e, em vez de pensar em como me tratar bem, achava que era por isso que eu não conseguia ficar longe dele.
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