Capítulo 4

CLAIRE

Fui trabalhar animada, mas bastou um e-mail do meu chefe para acabar com minha alegria.

Chefe:

"Traga os arquivos 124, 564 e 331 para meu escritório imediatamente."

Eu marchei até o escritório dele com os arquivos. Ele estava curvado sobre sua papelada, sobrancelhas franzidas enquanto ele estudava alguns papéis.

O barulho dos meus saltos o alertou e sua concentração voltou-se para mim.

Com a garganta seca, entreguei-lhe os arquivos e ele os colocou ao seu lado.

— Senta.

Sua oferta, ou melhor, seu pedido, me pegou desprevenida.

— O que o senhor disse? — perguntei em choque, pois não esperava que ele me oferecesse um assento ou melhor, me mandasse sentar em um.

Uma carranca apareceu em seu rosto.

— Eu acredito que você não tem nenhuma deficiência auditiva, ou tem?

Reprimi um revirar de olhos e me sentei em frente a ele.

Ele empurrou uma folha de papel em branco para mim.

— Copie os endereços nos arquivos aqui. — Ele bateu os dedos no papel e olhou para mim.

Copiei os endereços enquanto ele se ocupava com outra coisa.

De vez em quando, eu parava o meu trabalho e lançava olhares rápidos para ele. Ele parecia estar perdido em pensamentos, eu podia ver isso pelas suas sobrancelhas franzidas.

— Terminei com isso. — Empurrei o papel de volta para ele, que me olhou através de seus olhos azuis-marinhos.

— Toda vez que você se dirigir a mim, me chame de Senhor, está claro?

Olhei para ele com o cenho franzido.

Nós nos encaramos até que minha raiva se acalmou. Desviei o olhar dele quando percebi que estava encarando demais.

Ele mexeu os ombros e bagunçou o cabelo antes de guardar o papel em sua pasta.

— Tenho uma reunião para comparecer em breve e você vem comigo.

Eu assenti e olhei para meus dedos que estavam pousados no meu colo.

Depois de alguns minutos se mexendo como uma criança, o Senhor Evan empurrou sua cadeira executiva para trás e pegou sua pasta, fazendo sinal para que eu o seguisse e eu o fiz.

Ele liderou o caminho para seu outro carro, um Land Cruiser, abriu a porta e pulou no banco do motorista. Eu deslizei para o banco do passageiro ao lado dele.

Então ele pode dirigir, hein?

Me preparei para um acidente a qualquer momento enquanto ele saía do estacionamento em direção ao local da reunião.

— Por que você está agindo como se tivesse sofrido um derrame? — Meu chefe questionou, me lançando um olhar estranho.

Estou me preparando para um acidente, ele não está vendo isso?

— Hum... desculpe. — Me ajeitei rapidamente no meu assento e ele franziu a testa para mim antes de se virar para olhar a estrada.

Chegamos a um prédio enorme e ele estacionou o carro no local designado.

O senhor Evan saiu do carro primeiro e eu o observei, seu terno perfeitamente cortado estava amassado em algumas áreas.

Pulei do carro e bati a porta.

Ele apertou o botão de trava da chave do carro e se virou para mim.

— Você registrará todas as declarações feitas lá, não deixe de fora nenhum detalhe e não estrague as coisas para mim. — Ele instruiu com sua voz grossa.

— Sim, senhor.

Tenho dito essa frase tantas vezes.

Me chefe empurrou seu portfólio em minhas mãos e seguiu em direção à entrada do prédio.

O portfólio era bem pesado, mas eu o segui em silêncio.

— Bom dia, senhor, o senhor Adam está esperando por você, os outros executivos também estão esperando — uma mulher da minha idade cumprimentou flertando. Suas roupas mal cobriam suas partes femininas e eram bem apertadas, eu duvidava que ela conseguisse respirar naquela prisão que ela chamava de roupas.

— Esta é minha assistente pessoal, Claire Bennett, Claire, Marsha.

Belo nome.

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