MARIAN
A casa de Olivia era um lugar humilde, mas eu agradeci a Deus por ter um teto sobre a minha cabeça. Eu tinha algumas economias com as quais podia cobrir as minhas despesas, pelo menos por alguns meses. Eu ainda precisava concluir o meu projeto final para obter o meu diploma em contabilidade, então, por enquanto, eu não poderia exercer a profissão, pelo menos não como faria se fosse qualificada.
— Perdoe a humildade da minha casa, senhora. Disse Olivia, tristemente.
— Foi Ethan quem nasceu em berço de ouro, não eu. Eu respondi. — Então relaxa, Olivia.
— Vou comprar algumas coisas no mercado, fique à vontade enquanto eu estiver fora. Disse a mulher.
Eu tirei algumas notas da bolsa e as dei para Olivia.
— Use esse dinheiro para comprar o que precisamos. Eu disse. A mulher mais velha assentiu e saiu da humilde casa.
Naquele momento e em meio à solidariedade que se aproximava, eu me abraçei. Esse sentimento de desolação foi superado e a dor da perda invadiu. Mas um dia eu fiquei sozinha, tão solitária quanto me senti quando a minha mãe morreu. Quando conheci Ethan, eu acreditava que essa fase de minha vida havia acabado, mas infelizmente eu estava errada.
Eu sentei no sofá, mas não chorei, eu não sabia se era, porque não derramei mais lágrimas ou porque jurei para mim mesma que não faria isso de novo. Nas últimas semanas, eu não parei de fazer isso, mesmo por tristeza, parei de me alimentar bem, parecia deprimida e perdi peso. Até o último momento, eu esperava que Ethan ao menos me desse o benefício da dúvida, o que me levaria a investigar e, assim, descobrir a falsidade daquelas fotos. Eu olhei para o céu, e implorei para que isso acontecesse. Eu até gritei com Deus. — Deus, por misericórdia, revele essa injustiça, mas nada aconteceu.
Quando recebi o telefonema daquela mulher arrogante, convidando-me a assinar os papéis do divórcio, eu entendeu que o que eu esperava não aconteceria. Ethan Davis, o homem que eu amava mais do que tudo na vida, me julgou e condenou, sem sequer permitir que eu me defendesse. Como eu era estúp*ida, eu achava que era um pouco mais importante para ele.
Eu soltei a respiração e me levantei.
— Chega Marian, acabou, aceite isso. Eu disse em voz alta. — O conto de fadas virou pesadelo, então é melhor você acordar.
Eu comecei a andar pelo local, para se familiarizar com ele. Eu decidi limpar e arrumar um pouco enquanto Olivia não retornava, para poder distrair a minha mente com outra coisa.
ETHAN
— Eu posso cuidar da filial de Atlanta. Eu digo sério.
— Você?! Meu pai pergunta espantado.
— Sim, pai, eu. Acrescentou, com um gesto de aborrecimento.
— Uau, estou surpreso com sua decisão. Alden respondeu. — Quando você pode viajar?
— Amanhã, se possível. Eu respondi imediatamente.
— Ok, então que assim seja. Disse Alden, sorrindo com satisfação. Ele mesmo não poderia ter tido uma ideia melhor para colocar distância entre o seu filho e Marian.
Eu sai do escritório depois da reunião com o meu pai e finalmente voltei para casa. Eu não voltei para casa por duas semanas, quando depois de ver aquelas fotos, decidi ir embora. Assim que abri a porta e a escuridão foi a única coisa que me recebeu, o silêncio que ecoava no lugar fez a minha pele arrepiar.
Eu entrei no local e apressei o passo, para subir as escadas e chegar ao quarto. Tinhamos assinado os papéis do divórcio alguns dias atrás e hoje mesmo eu recebi a decisão que dissolveu o nosso casamento. Isso me fez perceber que nada me ligava àquele lugar, então eu decidi ir para Atlanta. Eu só tinha vindo buscar alguns documentos importantes, sem os quais não poderia ir embora.
Quando cheguei ao quarto eu não saberia dizer se era apenas fruto da minha imaginação, mas consegui sentir o cheiro da Marian. Eu fechei os olhos, tentando me convencer de que era apenas um truque da minha imaginação, mas a sensação era real demais para ser apenas isso. Eu abri o armário e, como havia imaginado, não havia nenhuma roupa dela ali. Eu sabia que esse seria o caso, mas aparentemente não consegui processar isso completamente, porque essa realidade me fez sentir como se estivesse sem fôlego. Eu deu alguns passos para trás até chegar à cama e me sentei. Eu levei as duas mãos ao rosto e me deitei na cama.
— Por que você fez isso conosco, Marian? Eu disse com lágrimas nos olhos.
A raiva tomou conta de mim e, num ataque, eu comecei a destruir tudo ao meu redor.
Doeu me sentir enganado, doeu a traição dela, doeu pensar que nada tinha sido real, mas também doeu pensar que eu nunca mais a veria.
Quando eu percebo, eu tinha destruído quase completamente o quarto. A única coisa que eu não conseguiu destruir foi uma foto nossa juntos em uma viagem à praia.
— Achei que tínhamos tudo para ser felizes. Eu declarei, olhando para a foto. — Por que você fez isso, amor? Eu acrescentei, incapaz de conter as lágrimas.
Eu abracei a foto contra o peito e fiquei ali, perdido na dor da perda.
Um raio de luz que entrou pela janela me acordou. Não tive ideia do momento em que eu adormeci no chão, enquanto abraçava aquela foto. Eu estava chateado comigo mesmo por minha atitude patética. O que o meu pai pensaria se me visse?
Eu me levantei do chão, arrumei as minhas roupas e me preparei para sair do quarto, mas não sem antes levar comigo aquela foto abençoada.
Eu peguei o celular e disquei o número da Isa, a minha advogada.
— Bom dia. Ela respondeu quase imediatamente, com um tom marcadamente meloso, o que eu claramente percebi.
— Bom dia. Eu respondi secamente. — Quero que você coloque minha casa à venda.
A mulher sorriu de prazer ao ouvir isso. Quanto menos coisas havia que o lembrassem de Marian. Seria mais fácil para ela conquistar o coração dele.
— Claro, vou cuidar disso agora mesmo. Ouvi dizer que você vai para Atlanta. Ela disse.
— Sim. Eu respondi, sem demonstrar nenhuma emoção.
— Que coincidência, eu também estarei lá, cuidando de alguns negócios. Disse Isa.
— Ah, sim, isso é bom. Eu respondi, antes de me despedir e encerrar a ligação.
Se eu conseguisse organizar tudo, hoje mesmo eu iria para Atlanta.
MARIANJá se passaram dois meses desde que fui morar com Olivia. Eu estava preocupada por não ter conseguido um emprego ainda. Eu conheci algumas pessoas enquanto era Sra. Davis, mas nunca me aproximei o suficiente de ninguém para ter intimidade de agora bater naquelas portas. Mas eu precisava conseguir alguma coisa, pois as minhas economias estavam no vermelho.Eu fiquei sentada em um banco por um tempo, precisava descansar os pés e não estava me sentindo bem. Eu atribui isso a tudo o que estava vivenciando. Estava claro para mim que tudo o que havia acontecido teve um impacto severo sobre mim.Notei que em um restaurante, localizado do outro lado da rua, havia uma placa que dizia “procurasse garçonete”. Era óbvio que era um lugar elegante, então eu decidi retornar no dia seguinte, para poder usar uma roupa mais apropriada ao local e assim ser considerada para o trabalho, pelo menos.— Olá, Olivia. Eu cumprimentei ao chegar.— Olá, Marian. Respondeu a gentil mulher.Elas sentaram-se
MARIANEu estava feliz, as coisas pareciam estar indo do jeito que eu queria. Olivia não só conseguiu um emprego como também estava começando o seu próprio negócio em casa, fazendo sobremesas e vendendo-as para os vizinhos. Eu estava feliz, mas ainda se sentia fraca e cansada.— Vou ao médico hoje. Eu disse assim que acordei. — É meu dia de folga, então vou aproveitar ao máximo.— Perfeito, vou com você. Respondeu Olivia, enquanto pegava a sua bolsa.— Não é necessário, posso ir sozinha. Eu respondi.— Claro que não, eu vou com você e pronto. Respondeu a mulher mais velha.Eu apenas sorri, era melhor não discutir, já sabendo como Olivia era teimosa.Fomos até a clínica, onde eu já tinha marcado uma consulta. Era um lugar simples, mas todas as especialidades estavam lá e havia até um laboratório.— Bom dia, senhorita, estou aqui para minha consulta com a Dr. Diana. Eu anunciei chegando perto do balcão.— Por favor, sente-se. Respondeu a garota em tom amigável.Depois de alguns minutos
Eu estava temendo ser demitida por causa da gravidez. Então eu havia decidido contar a minha chefe o mais rápido possível sobre ela.— Bom, menina, para mim, sua gravidez não é problema. Disse a sua chefe. — Se você tiver coragem, terá trabalho aqui, durante e depois. Vi a sua apresentação nas últimas semanas e adorei. Então não se preocupe, você não vai perder seu emprego. Disse a mulher gentilmente.— Obrigado! Eu respondi alegremente.Eu sai do escritório da minha chefe e me preparei para trabalhar. Saber que poderia continuar trabalhando aqui me deu paz.Os meses se passaram e com quase cinco meses de gravidez ainda não era perceptível, o que segundo Olivia era normal, já que eu era mãe de primeira viagem.— Minha menina, você estava com muita fome. Diz Olivia, divertida, enquanto observava ela comer desesperadamente.— Acho que é verdade o ditado que diz que uma pessoa come por duas. Eu respondi tristemente.Olivia caiu na gargalhada ao me ver devorar três panquecas sem a menor h
Prológo— Ethan por favor. Não. Ela disse chorando.— Como você pode? Eu te amo porra. Ele gritou com as lágrimas escorrendo pelo seu rosto.— Essa não sou eu. Eu juro. Ela gritou.— Ah, não? Não é você? Ele gritou, mostrando-lhe novamente as fotos que haviam chegado num envelope no seu escritório.— Ethan, não sou eu. Eu não poderia te trair. Eu não posso fazer isso, porque eu te amo. Ela disse em completo desespero.— Chega! Ele declarou. — Saia da minha vida. Fora da minha vista. Eu nunca mais quero ter que olhar para você. Você não passa de uma va*dia nojenta.— Você realmente pensa isso de mim? Você realmente acha que eu teria coragem de fazer uma coisa dessas com você? Ela questionou com o coração transbordando de tanta dor.A resposta de Ethan nunca veio, o que deixou claro para ela, qual era a resposta.Episódio 1O longo corredor que leva à sala de conferências, onde, Ethan e o seu advogado estão esperando, parece mais longo do que realmente é. Na mensagem que lhe enviaram, d
MARIANEu peguei um táxi e vinte minutos depois já estava em casa. Bem, na casa onde eu moraria até aquele dia. Eu havia deixado a minha mala pronta, com o pouco que havia decidido levar. Eu entrei naquele lugar e a realidade bateu na minha cabeça. Aquela casa não seria mais o lugar onde eu veria os meus filhos aprenderem a engatinhar e andar, como eu tanto sonhara. Eu também não os via correndo, brincando e fazendo barulho, enquanto Ethan e eu sorriam felizes ao vê-los. Não seria mais o lar de minha família, a família que eu e o meu marido formariamos. Eu não conseguiu evitar que uma lágrima traiçoeira rolasse pelo meu rosto ao ver como tudo tinha ido por água abaixo.Eu subi as escadas e entrei no quarto, olhei atentamente para aquele lugar, lembrando-me de quantas vezes naquela mesma cama, fizemos amor, como dois famintos e quantos “eu te amo” foram testemunhados por aquelas quatro paredes. Eu olhei ao redor, para cada centímetro do lugar, e de repente senti como se estivesse sufoc