Episódio 5

MARIAN

Eu estava feliz, as coisas pareciam estar indo do jeito que eu queria. Olivia não só conseguiu um emprego como também estava começando o seu próprio negócio em casa, fazendo sobremesas e vendendo-as para os vizinhos. Eu estava feliz, mas ainda se sentia fraca e cansada.

— Vou ao médico hoje. Eu disse assim que acordei. — É meu dia de folga, então vou aproveitar ao máximo.

— Perfeito, vou com você. Respondeu Olivia, enquanto pegava a sua bolsa.

— Não é necessário, posso ir sozinha. Eu respondi.

— Claro que não, eu vou com você e pronto. Respondeu a mulher mais velha.

Eu apenas sorri, era melhor não discutir, já sabendo como Olivia era teimosa.

Fomos até a clínica, onde eu já tinha marcado uma consulta. Era um lugar simples, mas todas as especialidades estavam lá e havia até um laboratório.

— Bom dia, senhorita, estou aqui para minha consulta com a Dr. Diana.  Eu anunciei chegando perto do balcão.

— Por favor, sente-se. Respondeu a garota em tom amigável.

Depois de alguns minutos, fomos conduzidas ao consultório, onde o médico nos esperava.

— Bem-vindas, moças, como posso ajudá-las? Perguntou a mulher, com um sorriso gentil nos lábios.

— Nada para mim, doutora, mas preciso que o senhor faça um teste de gravidez nessa menina. Disse Olivia.

Eu olhei para ela, como se tivesse crescido outra cabeça nela. Mas de repente eu pensei em todos aqueles sintomas e senti um frio na barriga, o que me deixou extremamente nervosa.

— Eu não… Eu não consegui terminar a frase. Tentei me lembrar de quando foi a minha última menstruação e fiquei surpresa por não lembrar, não porque tivesse memória ruim, mas porque muito tempo havia se passado desde então.

— Talvez seja uma boa ideia fazer esse teste. Eu disse em um tom baixo, mas que Olivia e a médica ouviram perfeitamente.

— Vamos ver, me conte os seus sintomas. Disse a médica.

— Tonturas, alguns enjoos pela manhã e, bem, a ausência de menstruação. Eu disse, triste por saber que havia ignorado isso.

— Quando foi a última vez que você fez sexo desprotegido? Perguntou a médica.

— Apenas duas semanas antes do meu divórcio. Eu respondi, absorta. A minha mente viajou até aquele momento, onde tudo parecia perfeito, definitivamente não era nada mais que a calmaria que precedeu uma grande tempestade.

— Sinto muito... Disse a médica, triste com a imprudência da pergunta.

— Não se preocupe, você não tinha como saber. Eu respondi, escondendo a lágrima que estava tentando rolar pela minha bochecha.

A médica começou a escrever em um documento, que então me entregou. — Vá ao laboratório e faça um teste de gravidez. Os sintomas que você tem podem ser devido a outra coisa, mas como eles coincidem com amenorreia, é melhor descartar um primeiro.

Eu apenas assenti, eu não conseguia nem articular uma palavra. A possibilidade de estar grávida se tornava mais real a cada segundo. Eu caminhei silenciosamente com Olivia por aquele corredor estreito. Eu tinha uma mistura de emoções inundando o meu peito. Por um lado, eu ficava feliz só de pensar que poderia me tornar mãe. Mas por outro lado, eu estava com medo da responsabilidade que isso traria. Haveria uma pequena pessoa que dependeria totalmente de mim e isso era lindo e assustador ao mesmo tempo.

— Por que você não me contou nada? Eu perguntei a Olivia enquanto caminhavamos

— Eu não queria sobrecarregá-la e fazê-la pensar sobre isso, enquanto você não tinha a oportunidade de consultar um médico. Respondeu a mulher.

— Obrigado por estar aqui! Eu disse, agarrando-me firmemente ao braço dela.

— Eu sempre estarei aqui, minha menina. Respondeu Olivia. Ela nunca conseguiu ter filhos, foi justamente por isso que o seu marido a abandonou, por isso ela viu em Marian, a filha que a vida não lhe permitiu ter.

Chegamos ao laboratório e eu entreguei o pedido do teste para a enfermeira. Ela me levou para um recinto onde coletaram uma amostra de sangue.

— Em cerca de uma hora, o resultado estará pronto. Você pode esperar na sala, eu te procuro lá. Disse a enfermeira.

Ela saiu do assento e sentou-se ao lado de Olivia, que pegou a sua mão.

— Em mais ou menos uma hora, saberemos o resultado. Ela disse nervosamente.

— Vai ser uma longa hora. Respondeu Olivia.

Elas tentaram se distrair falando sobre alguns assuntos e brincando sobre outros. Quando perceberam, a mesma enfermeira estava parada na frente delas, com um envelope nas mãos.

— Aqui está o seu resultado, senhora. Disse a mulher, vestida de branco.

Com as mãos trêmulas, eu peguei e olhei por alguns minutos, sem ousar abri-lo.

— Não consigo fazer isso, não consigo abrir. Ela disse, colocando o envelope no colo de Olivia.

A mulher mais velha, com atitude determinada, pegou o envelope e o abriu rapidamente. Um silêncio precedeu essa ação, então eu deduzi a resposta.

Ela colocou as duas mãos na barriga e chorou, mas não de tristeza, não de dor, mas de alegria. Havia um bebê dentro dela que estava se formando no seu ventre e não importava em que situação ela estivesse agora, isso a fazia se sentir feliz.

— Você vai contar a ele? Olivia perguntou, ainda assustada com a notícia.

— Não, ele provavelmente vai me dizer que não é dele. Lembre-se de que ele tem certeza de que fui infiel a ele. Eu respondi de forma triste.

— Mas ele tem o direito de saber. Argumentou a mulher.

— O mesmo direito que tenho de proteger meu filho dele e de seu pai nefasto. Eu declarei com confiança. — Não exporei meu filho às suas humilhações e dúvidas. Esse bebê é meu, ponto final. Eu disse, levantando-me.

— Calma, não é bom para o bebê se você ficar brava. Olivia aconselhou. Ela se aproximou dela e a abraçou. — Parabéns, minha menina, seu ventre dará vida, você será mãe. Ela acrescentou.

— E você, vovó. Eu respondi com um sorriso.

Ambas as mulheres se abraçaram e choraram de emoção. Cada uma sabia que tudo se complicaria novamente, mas nada disso diminuiu sua felicidade.

Elas voltaram para o consultório da médica com o exame.

— Sei que essa situação não parece a melhor, mas um filho sempre será uma bênção. Disse a mulher.

— Sim. Tenho certeza que sim. Eu respondi com orgulho.

— Vou encaminha-la para uma amiga ginecologista que também trabalha aqui, para que ela possa acompanhar a sua gravidez. Disse a médica enquanto preenchia uma série de documentação.

— Eu agradeço. Eu disse sorrindo.

Olivia e eu deixamos aquele lugar, com emoções na superfície. Mas, convencidas de que tudo em nossas vidas, mudaria.

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