Na manhã seguinte, a luz do sol atravessava as janelas da cozinha, iluminando o ambiente com uma tranquilidade rara. O ar era fresco, o som dos pássaros lá fora parecia anunciar um novo começo. Andrew e Nora estavam lado a lado, na bancada da cozinha, preparando o café da manhã. Era uma cena simples, mas carregada de significado, como se o mundo finalmente tivesse decidido lhes dar uma trégua. Andrew cortava frutas com habilidade, enquanto Nora, com sua barriga enorme, misturava a massa de panquecas com delicadeza. Eles trocavam olhares cúmplices, pequenos sorrisos e gestos que diziam mais do que qualquer palavra. Ele se inclinava para beijar sua testa ocasionalmente, um toque cheio de carinho e gratidão. O aroma do café recém-passado preenchia o ambiente, misturado ao cheiro doce das panquecas dourando na frigideira. Andrew ajudava Nora a se sentar à mesa, insistindo em carregar os pratos, preocupado com seu conforto, enquanto ela sorria, achando graça de sua proteção exagerada.
A sala da casa de Andrew e Nora estava mergulhada em um silêncio inquietante. Nora, sentada no sofá, apertava as mãos no colo, enquanto Andrew andava de um lado para o outro, os passos ecoando pelo ambiente. "Você acha que ele tem alguma resposta?" perguntou Nora, a voz fraca. "Ele disse que tinha novidades importantes. Vamos descobrir logo", respondeu Andrew, sem parar de andar. O som da campainha quebrou o silêncio. Nora sobressaltou-se, e Andrew caminhou rápido até a porta. Quando a abriu, o detetive Marshall estava ali, com uma expressão calma e profissional. "Boa noite, senhor e senhora Haart ", cumprimentou ele ao entrar. "Espero não estar incomodando a esta hora." "De forma alguma", disse Andrew, indicando o sofá. "Por favor, sente-se. Estamos ansiosos para ouvir o que descobriu." O detetive se acomodou na poltrona ao lado, enquanto Nora se inclinava levemente para frente, visivelmente tensa. "Estive investigando as mensagens que vocês têm recebido", começou o det
Andrew e Nora estavam sentados na cama, as luzes suaves do abajur iluminando o quarto. Ele passava a mão carinhosamente no cabelo dela enquanto Nora se recostava nas almofadas, suspirando fundo. "Você percebeu que a gente está tão enrolado com tudo o que aconteceu que não tivemos tempo de escolher o nome do bebê?" disse ela, olhando para ele com um sorriso cansado. Andrew piscou, surpreso, e depois riu. "Você tem razão. Com tudo o que Michele aprontou, isso acabou ficando de lado. Mas não podemos adiar mais, está quase na hora." Nora assentiu, passando a mão pela barriga. "Eu sinto que ele está pronto para vir a qualquer momento, Andrew. Precisamos decidir hoje." Andrew sorriu, se inclinando para colocar a mão na barriga dela. "Tá bem. Então vamos pensar. Alguma ideia?" Nora mordeu o lábio, pensativa. "Eu sempre gostei de nomes clássicos, sabe? Como Benjamin ou Lucas." Andrew fez uma careta brincalhona. "Benjamin? Parece nome de um professor rabugento. E Lucas... não sei
Os últimos dias tinham sido relativamente tranquilos para Andrew. Ele aproveitou o tempo ao lado de Nora, sentindo-se mais presente do que nunca. Mas tudo mudou naquela manhã quando recebeu uma ligação urgente pedindo sua presença na Haartcorp. Fazia muito tempo que ele não pisava na empresa. Desde sua pior fase no hospital, ele se afastou de tudo, deixando seus advogados e conselheiros lidarem com os negócios. Mas, agora, algo estava errado. O tom da ligação foi seco, e ele sentiu no fundo que aquela reunião não era um simples acerto de contas. Ao chegar à sede da Haartcorp, Andrew percebeu os olhares de alguns funcionários. Eram mistos — respeito, surpresa, mas também nervosismo. Como se soubessem de algo que ele ainda não sabia. Quando entrou na sala de reuniões, os acionistas já estavam reunidos, sentados à longa mesa de vidro. Eles se entreolharam ao vê-lo entrar. Alguns pareciam constrangidos, outros confiantes demais. "Senhor Haart," um dos homens mais velhos da mesa
Andrew ficou em silêncio por um momento, sentindo o peso da própria respiração. Sua mente ainda estava na sala de reuniões da Haartcorp, revivendo cada olhar de traição, cada palavra revestida de falsas preocupações. Ele sabia que esse dia chegaria. Só não imaginava que a ganância deles seria tão descarada. Agora, sentado no sofá ao lado de Nora, ele finalmente poderia dizer em voz alta o que aconteceu. Mas, por algum motivo, as palavras pareciam presas em sua garganta. Ele nunca teve medo de um confronto. Mas essa era uma guerra diferente. Nora manteve os olhos nele, esperando pacientemente. Ela sempre sabia quando ele precisava de espaço, mas também quando não podia deixá-lo se fechar. E Andrew apreciava isso mais do que conseguia expressar. Então ele respirou fundo, segurou a mão dela e finalmente disse: "Eles tentaram me tirar da Haartcorp." Nora piscou, surpresa. Seus olhos castanhos brilharam com um misto de incredulidade e irritação. "Eles o quê?" "Eles estavam esperan
A sala de reuniões estava montada no escritório de casa. O ambiente, antes um refúgio tranquilo, agora servia como quartel-general para a batalha que estava prestes a começar. O aroma sutil de café pairava no ar, mas ninguém parecia interessado na bebida. Ao redor da mesa, estavam aqueles em quem ele mais confiava. Pessoas que estiveram ao seu lado nos momentos mais difíceis e que, agora, estavam prontas para enfrentar essa guerra com ele. Ele se acomodou na cadeira principal, cruzou os dedos sobre a mesa e olhou para cada um ali presente antes de falar: "Imagino que todos saibam por que estamos aqui." O advogado mais experiente foi o primeiro a se manifestar. "A diretoria se reuniu novamente. O plano deles está cada vez mais claro: querem limitar seu poder dentro da empresa, mantê-lo afastado das decisões estratégicas e, eventualmente, tirá-lo de vez." A mulher ao lado deslizou um tablet para frente, ativando a tela. "Eles já começaram a sondar investidores e acionistas. Estão
A noite avançava silenciosa enquanto ele permanecia sentado na beira da cama, os cotovelos apoiados nos joelhos e as mãos entrelaçadas. A conversa com ela ainda ecoava em sua mente. Ele prometeu que se cuidaria, mas a verdade era que cada fibra do seu ser queimava com a necessidade de agir. A porta do quarto se abriu suavemente, e ele ergueu o olhar ao sentir a presença dela novamente. Nora não disse nada de imediato. Apenas o observou por um instante antes de caminhar até ele. "Não consegue dormir meu amor?", ela perguntou, sua voz suave preenchendo o silêncio. Ele balançou a cabeça lentamente. "Minha mente não desliga." Ela suspirou e se sentou ao lado dele, seus ombros quase se tocando. "É sobre a corporação, não é?" Ele soltou um riso curto, sem humor. "É sempre sobre a corporação." Nora inclinou a cabeça, estudando-o. " Eu não aguento te ver assim!" Ele ficou em silêncio por um momento, respirando fundo antes de falar. "Vou lutar. Com tudo o que eu tenho. Eu passei
A sala estava abafada, o ar pesado, mas não apenas pelo calor. Andrew olhou para a pilha de papéis sobre a mesa, sem realmente ver os documentos ali. Sua mente estava longe, longe o suficiente para perceber, por um segundo, a sensação de vertigem tomando conta de seu corpo. Ele respirou fundo, tentando afastar a fraqueza que ameaçava dominar seu corpo, mas a dor era imensa. O câncer tinha se espalhado mais rápido do que os médicos haviam previsto. A quimioterapia, a radioterapia, tudo o que ele havia feito não foi suficiente. Ele ainda não havia aceitado, mas sabia que sua resistência estava chegando ao fim.Nora entrou na sala, e seus olhos imediatamente se fixaram nele, como sempre faziam. Ela parecia apreensiva, como se sentisse que algo estava errado, mas ele estava determinado a esconder. Não queria que ela soubesse. Não agora, não enquanto ele ainda tivesse controle.“Você está bem?” Ela perguntou com uma leveza forçada, como se tentasse quebrar a tensão no ar. “Você ficou quiet