Connor: — Nove anos antes —— Não fique me olhando como se quisesse que eu a fizesse minha.Tudo aquilo parecia bom demais para ser verdade. E eu tinha a sensação de que acordaria há qualquer momento e a realidade me daria um banho de água fria.Sonhar com alguém inalcançável, não era ridículo? Se ela era boa demais para mim, boa demais para qualquer cara daquela cidade, ainda assim, eu estava em êxtase por sentir o cheiro de seus cabelos, a maciez de sua pele, o toque de seus dedos finos e quentes.Eu estava feliz por ser o primeiro homem em sua vida. Mesmo que isso implicasse no Adam me matando em seguida se descobrisse o que nós dois fizemos.— Por que? — ela questionou confusa.— Porque eu fico tentado a aceitar! — respondi — E eu sei que só fez amor comigo por impulso, porque estava decepcionada demais e queria se vingar. Toquei suavemente seu rosto, buscando nele algum consolo para aquelas duras palavras que eu mesmo havia acabado de proferir.— Mas, ainda assim,
Alana:Senti um arrepio percorrer a mInha espinha.Ele me fez aquela pergunta diretamente?Ele realmente queria me perguntar sobre isso agora?— Eu não sei sobre o que está falando! — sorri tentando esconder meu nervosismo.— Você sabe! — ele afirmou — Só está fingindo que não. Suas pupilas se dilataram e suas mãos ficaram trêmulas, você sabe exatamente do que eu estou falando.Eu havia sido pega no pulo, era isso?— Olha só, podemos falar sobre isso depois? — questionei nervosa.— Tudo bem! — ele concordou.— Oi Connor! — Amanda acenou vindo em nossa direção.O que ela veio fazer aqui? Ela queria mesmo se inserir nessa história, mas a troco de que?— O que faz aqui? — Connor questionou.— Vim te fazer uma visita, não imaginei que estivessem ocupados! — ela respondeu quase o engolindo com os olhos e então olhou para mim — Oi Alana!— Amanda! — sorri sem vontade.— Eu trouxe isso para você! — ela disse estendendo uma cesta de morangos para o Connor — Estão fresquinhos.— Obrigada, mas
Amanda:— Por que você veio heim? — Adam questionou impaciente — Não sei o que está fazendo aqui.Aquele idiota inútil. Além de se recusar a me dar informações sobre o Connor, ainda estava reclamando por me dar uma simples carona. Já não bastava ser humilhação o suficiente ir até lá espremida ao lado dele e da noivinha ridícula dele naquela caminhonete velha que cheirava a óleo de motor.— Não está na cara? — Lisa sorriu sem vontade — Ela veio dar em cima do Connor.Aquela cretina. Por que ela era assim tão aversão a ideia de eu me aproximar daquele cowboy? Não podia ser ainda por causa do que aconteceu aquela noite no ginásio, ninguém se lembrava mais disso.— Eu vim ver a sessão de fotos do Connor! — falei — Quero ver se ele está se saindo bem.— Conta outra Amanda! — Lisa resmungou — Todo mundo sabe que você não dá ponto sem nó.— Ridícula! — aquela mulher insuportável tinha mesmo que me queimar? — Eu não sei o que o Adam viu em você.— Olha só, Amanda, se você vai até lá, se comp
Alana:— Cheguem mais perto um do outro! — Collin pediu — Não sejam tímidos.— Já não basta ter que passar por uma humilhação dessas, ainda tenho que ficar me esfregando em marmanjo semi-nú! — Adam reclamou.— Acha que eu também gosto disso? — Jack questionou — Em toda a minha vida eu nunca fui tão humilhado.Ver aqueles três sem camisa e fazendo o máximo esforço para não encostar um no outro era realmente hilário.— Tudo bem, isso não está dando certo! — Collin reclamou — Vamos dar uma pausa.— O que há de errado? — questionei ao me aproximar dele.— Coloquei o seu irmão no meio porque ele tem um bom porte, e se destaca bem, mas não está funcionando! — ele disse — Ele e esse tal de Jack parecem não se suportar.— E não se suportam mesmo! — admiti baixinho — eles se odeiam.— E o que fazemos agora? — ele questionou.— Eu não sei! — respondi na defensiva — Você é o fotógrafo de milhões de dólares aqui, não vou te pagar se tiver que te ensinar o seu trabalho.— Você é cruel, Alana! — re
Alana:Meu coração disparou instantaneamente ao ouvir o que ele disse. Seus olhos se fecharam e ele sorriu olhando em direção ao teto.— Você mentiu pra mim! — Connor acusou.— Como eu menti? — questionei.— Você disse que não se lembrava de nada! — ele disse — E agiu como se não lembrasse de nada. Fez tudo isso de propósito.Sim. Eu não queria ter que aguentar o constrangimento de ter que encará-lo depois de assumir que me lembrava.Era ridículo, não é? Uma adulta que não tem coragem de assumir as consequências dos próprios atos.— Eu fui atrás de você naquele dia! — contou — Me enchi de coragem para ir até a sua casa e dizer que gostava de você há muito, muito tempo, mas você não estava mais lá.Ele gostava de mim? Ele estava falando sério ou era apenas a bebida falando mais alto?— Você acha que alguma coisa teria sido diferente se eu tivesse perseguido você? — ele questionou.— Provavelmente não! — neguei. Afinal, aquele não era o nosso tempo.— Uau! — ele sorriu sem vontade — O
Connor:Os primeiros raios de sol tinham o céu quando eu abri os olhos e encarei o teto.Senti meu braço pesar, e então olhei para o lado.Alana dormia tranquilamente aconchegada ao meu corpo.Como ela chegou ali? Por que ela estava dormindo na minha cama? Nos meus braços?Ergui um pouco meu corpo, a admirando enquanto ela dormia, as bochechas rosadas com pequenas sardas enfeitando seu rosto, os longos cílios claros, o nariz arrebitado e os lábios vermelhos que pareciam implorar para serem beijados.Me curvei sobre ela, me aproximando lentamente de seus lábios até ficar a mínimos dois centímetros de distância.— O que eu estou fazendo? — questionei me afastando dela — Eu estou ficando louco?Com cuidado, retirei o meu braço debaixo de sua cintura e me sentei sobre a cama, tentando me lembrar do que aconteceu na noite anterior.Após um pequeno esforço algumas memórias retornaram como flashes.Apenas me lembrava de beber muito, e de segurar a Alana para que ela não fosse embora, com cer
Alana:— Só não quis que nós dois ficassemos constrangidos! — contei.— Foi ainda mais constrangedor saber que você estava fingindo não se lembrar! — ele disse — Foi tão ruim assim que você queria se esquecer daquela noite?— Não! — me apressei em negar — Não foi ruim. Não foi, de verdade. — Não foi? — ele questionou confuso — Então, por que, realmente, você fingiu não se lembrar que era eu?— Porque eu não queria ter que ficar vermelha igual a uma adolescente sempre que olhasse para você! — respondi — Não queria parecer tão ridícula depois de ter tomado a atitude naquela noite!— Eu não acho ridículo! — ele disse — Na verdade é até bem fofo ver você corar.Ele estava brincando comigo? Ou estava ao mesmo sendo sincero sobre eu parecer fofa quando estava corada?— Sendo bem sincero, eu prefiro quando você cora e fica envergonhada do que quando age igual a uma megera! — ele disse — Não gosto muito da pessoa que você se tornou.— Bem sucedida e independente? — perguntei.— Cruel, fria e
Alana:— Eu devo a você um pedido de desculpas! — José falou ao me servir um copo d'água — Achei que o chefe só queria te ouvir porque você é bonitinha. Mas eu percebi que estava errado, você não é o tipo de pessoa que eu achava que fosse.O que deu nele para resolver ser tão sincero do nada?— Que tipo de pessoa você achava que eu fosse? — perguntei antes de levar o copo aos lábios e beber um gole.— Uma típica mulher de New York!! — ele disse — Metida, mimada e cheia de si.— Não sou mimada, isso eu posso jurar! — falei — Talvez metida e cheia de si, mas não o bastante para arriscar a vida de um animal indefeso apenas para parecer legal.— E como soube? — ele questionou — O que fazer, quero dizer.— Ela queria ser veterinária! — Connor respondeu ao se aproximar de nós dois — Como o pai, o doutor Vincent Wayne, e o irmão, o doutor Adam Wayne! — Está dizendo que ela é filha do doutor Wayne? — José perguntou confuso.Eu estava ainda mais confusa por saber que existia alguém com mais d