Depois de algumas mordidas silenciosas, Emma percebeu que ele estava observando-a mais do que o necessário. Algo no olhar de Jacob a inquietava, mas ela disfarçou, focando no prato à sua frente.O jantar continuou com outros pratos igualmente elaborados: ratatouille, uma harmonia colorida de vegetais, e, para finalizar, crème brûlée. Quando a superfície caramelizada da sobremesa foi quebrada, o som da colher contra o topo crocante parecia ecoar pela sala.Jacob levantou sua taça mais uma vez, agora com um olhar enigmático que combinava perfeitamente com o ambiente .— À família, — disse ele, sua voz soando como uma melodia. — E a Paris, que continua sendo o palco perfeito para todas as grandes histórias.Emma ergueu sua taça, mas não pôde evitar a sensação de que ele estava se referindo a algo mais do que as ruas e monumentos da cidade. Havia um mistério em suas palavras, um subtexto que ela ainda não conseguia decifrar. Ela sorriu educadamente, mas enquanto tomava um gole do vinho.A
— Você é o melhor. Amo você, pai.— Também te amo, Emma. E amor, cuida da nossa menina, hein?— Sempre, Tom. Sempre. — Laura respondeu com um sorriso.Depois de desligar, Emma se sentou na cama, sentindo uma sensação de leveza invadir seu corpo. Mesmo em uma cidade tão encantadora quanto Paris, era o calor da presença de sua família que realmente tornava tudo mais significativo.Laura, sua mãe, estava sentada ao seu lado, folheando uma revista de moda francesa. Ela parecia tranquila, mas ainda com aquele olhar atento, como sempre. Emma a observou com carinho e sorriu suavemente.— Mãe, você nunca me contou muito sobre a sua época em Paris. — Emma perguntou, curiosa, com a voz baixa, já sentindo o peso da noite se aproximando.Laura ergueu os olhos da revista, parecendo se perder nas lembranças por um momento. — Ah, sim... Antes de Nova York, passei um tempo aqui com o seu pai. Foi uma época maravilhosa. Paris tem algo de mágico, não é? Eu sempre amei essa cidade. É como se cada rua, c
Primeiro, passaram por uma boutique de alta costura, e Jacob os acompanhava com sua elegância sempre impecável, vestindo um terno de corte perfeito. Ele sorriu para Emma, seus olhos negros brilhando, como se fosse natural para ele estar rodeado por luxo e beleza.— Ah, Emma, esta loja foi feita para você. — Jacob disse com um sorriso divertido. — Experimente algo. Paris é o lugar para nos perdermos nesses pequenos luxos.Laura se acomodou em uma cadeira próxima, sorrindo com cumplicidade enquanto Emma entrava na loja. Lá dentro, os tecidos sedosos, as cores vibrantes e os acessórios brilhantes pareciam contar uma história própria. Emma escolheu um vestido de seda cor-de-rosa, que realçava suas feições delicadas. Quando se olhou no espelho, ela se sentiu como uma personagem saída de um conto de fadas moderno.— Uau... você está deslumbrante, Emma. — Jacob disse, um toque de admiração em sua voz.— Você tem razão, Jacob. Esse vestido é perfeito. — Emma sorriu para si mesma no espelho, s
— Agora, se você quer ser realmente parisiense, precisa de sapatos que falem por si mesmos. — Jacob anunciou enquanto segurava a porta aberta para ambas.Dentro, Emma se viu cercada por prateleiras de couro reluzente, saltos altos que pareciam esculpidos à mão, e botas que exalavam um estilo atemporal. Jacob e Laura se moveram como se aquele ambiente fosse uma extensão natural deles, enquanto Emma olhava ao redor com uma certa reverência.— Experimente esses. — Jacob indicou um par de botas pretas com um salto discreto, mas elegante, passando-as a Emma. — São sofisticadas, mas funcionais. Não é só a estética que conta, é a durabilidade.Emma deslizou o pé em um dos pares e se levantou, sentindo a combinação perfeita de conforto e beleza.— Jacob, você deveria abrir uma consultoria de moda. — Ela brincou, girando levemente no espelho para ver o ângulo das botas.Ele ergueu uma sobrancelha, um pequeno sorriso no canto dos lábios. — Não preciso. Eu já sou consultado naturalmente.Laura r
— Você só pode estar brincando, Jacob. Treinar a Emma? Está esquecendo de quem ela é? Minha filha não é um vampiro comum. Ela é muito mais forte que qualquer um de nós, inclusive você.Jacob inclinou a cabeça levemente, o sorriso discreto permanecendo em seus lábios. Ele parecia imperturbável diante da preocupação da irmã, como se já tivesse calculado todos os riscos e decidido que o benefício superava qualquer perigo.— E é exatamente por isso que ela precisa aprender controle. — Ele disse, dando de ombros com uma tranquilidade quase irritante. — Não é sobre força, Laura, é sobre equilíbrio. Emma tem um potencial... único, e não podemos ignorar isso.— Controle? — Laura repetiu, a incredulidade marcando suas palavras. — Se ela perder o controle, Jacob, nenhum de nós seria capaz de detê-la. Nem você.Emma, que até então assistia à troca com uma mistura de curiosidade e nervosismo, finalmente interveio. — Eu ainda estou aqui, sabia? — Ela disse, tentando aliviar a tensão com um sorriso
Emma sentiu suas pernas fraquejarem. Seu corpo inteiro foi tomado por uma onda de fraqueza intensa, como se toda a energia tivesse sido sugada de dentro dela. O mundo ao seu redor girou, e a última coisa que ouviu antes de sucumbir à escuridão foi o som distante da voz de sua mãe chamando por ela.Quando abriu os olhos novamente, tudo ao seu redor era um véu de sombras e luz. Um nevoeiro denso cobria o chão, oscilando como se tivesse vida própria. Emma tentou se mover, mas sentiu suas pernas pesadas, como se estivessem presas a algo invisível. O desespero cresceu em seu peito, e ela abriu a boca, gritando por socorro.— Alguém! Por favor! — Sua voz ecoou no vazio, sem resposta.Emma abriu a boca novamente, soltando um grito mais alto, mais de
— Você está onde nunca deveria ter estado, mas onde sempre foi destinada a estar. — A voz de Varyon era suave, mas carregada de um peso que parecia atravessar sua alma.Emma franziu a testa, sentindo um calafrio tomar conta de seu corpo. O que ele queria dizer com aquilo? Ela olhou para ele, confusa, a sensação de estar perdida aumentando.— E o motivo... de eu ter nascido... — Ela hesitou, a pergunta amarga nascendo em sua garganta. — Por que eu sou... um monstro?Varyon olhou para ela com uma expressão quase enigmática. Ele se levantou lentamente do banco de pedra e deu um passo em sua direção, sua presença ainda mais imponente quando estava de pé. A cada movimento, o nevoeiro ao redor parecia recuar um pouco mais, r
— Não... — Emma murmurou, a voz tremendo. O medo tomou conta dela de forma avassaladora, enquanto as águas do rio cresciam, ameaçando transbordar. — Não posso controlar...Varyon, porém, não se moveu. Seus olhos dourados nunca deixaram os dela. Ele estava em silêncio, observando, esperando. Emma sentiu um calafrio percorrer seu corpo, e, de repente, Varyon fez um movimento sutil. Um olhar. Apenas um olhar direto e penetrante.Imediatamente, a agitação ao redor de Emma parou. A água, que antes estava prestes a se tornar uma torrente impetuosa, voltou a se acalmar, as correntes novamente suavizando. O poder que ela sentia dentro de si, que quase a dominava, desapareceu, como se um fio invisível tivesse sido cortado.Ela olhou